terça-feira, 23 de março de 2010

Depressão de Inferioridade ou Depressão Narcísica

"Dali"

A depressão gera-se numa relação de amor não correspondido, numa economia depressigena: em que o sujeito dá mais do que recebe. É ai que se desenvolve, forma-se como reacção à perda afectiva pontual e mais visível, mais dolorosa para a pessoa.

O drama do depressivo resulta, em grande parte, de ter sido amado de um modo narcísico: a mãe amou-o como uma parte do seu próprio corpo. Ama-o como uma posse, um prolongamento de si mesma, não como um ser separado e diferente. É o amor narcísico do objecto, em que este é investido como uma peça ou um adorno do sujeito amante, tal como se ama um carro caro, ou uma jóia cara.

No investimento narcísico do objecto, o sujeito investidor está em primeiro plano, é o mais importante (Coimbra de Matos, 2002). É o caso da mãe que exibe o filho para se mostrar, para obter atenção de outro, e quando o filho não corresponde ao que espera dele, ou seja, não a reconhece e não a valoriza como mãe, denigre-o e o afasta-o recusando-lhe o seu afecto. Muitas vezes é dito à criança frases deste género: “ és mau, não gosto de ti”, que, verbalizadas de uma forma continuada e ao longo do tempo geram a doença, a depressão, doença dos afectos.


Outro aspecto intimamente ligado à depressão (muito frequente em psicoterapia) é a deficiente narcisação da criança no seu papel de futura mulher e futuro homem.
Entende – se por narcisar a função que a mãe e o pai tem de reconhecer o filho em todas as suas fases de desenvolvimento. Narcisar (vem de narciso e tem a ver com a beleza) significa por isso reconhecer e valorizar a beleza, algo que o ser humano precisa durante toda a sua vida, pois não existe sem o reconhecimento do outro.

Outra forma da depressão, com contornos diferentes da retirada do afecto pelo objecto, é a depressão de inferioridade, e que resulta da deficiente narcisação da criança.
A pessoa não foi valorizada enquanto menina ou rapaz. Não lhe foi dito que estava bonita, e que iria arranjar muitos namorados, ou namoradas, logo não foi valorizada a sua beleza, mais tarde vai-se sentir sempre feia ou feio apesar de na maioria das vezes serem pessoas bonitas. Também não foram considerados capazes e competentes nas tarefas que faziam, ou tudo o que faziam não chegava para satisfazer os pais.
Então, mais tarde, na vida adulta, nada lhe irá correr bem, irá sempre deixar escapar oportunidades por não se sentir capaz, e vai ter sempre a sensação de todos lhe terem passado na frente e serem mais capazes que eles. Estas pessoas que apresentam depressões de inferioridade vivem tristes e desvalorizadas, quando por vezes tem potencial para serem pessoas bem sucedidas a nível pessoal e profissional. Á sua volta ninguém percebe o que se passa, na verdade parece até que não tem motivos para se sentirem assim. No entanto a deficiente narcisação empurrou-os para a depressão.
Este tipo de depressão não tem só a ver com falta de afecto mas com o reconhecimento da beleza e das capacidades.
Se a criança foi reconhecida pelo pai e pela mãe “ estás tão bonita, vais arranjar muitos namorados” no seu papel sexual, então quando chegar á adolescência tudo irá ser mais fácil. Ai só lhe resta experimentar na prática se a mãe ou o pai tinham razão há alguns anos atrás, e vai confirmar ou infirmar a opinião parental. Um dia arranja um companheiro e vai-se sentir segura. Se pelo contrario ninguém lhe disse o quanto era bonita e lhe disse que tinha possibilidades de ter muito sucesso com o sexo oposto, então a insegurança instala-se e irá ter imensas dificuldades em segurar-se numa relação. Pela vida fora irá encontrar pessoas idênticas a ela e, a procurar essa narcisação nos homens ou mulheres que escolhe para companheiros. Essa narcisação, uma vez que é procurada de forma externa (a auto-estima do bébe começa por ser externa, através da mãe, e cada vez mais vai sendo mantida de forma interna num ser humano mentalmente saudável) irá trazer insatisfação e sentimentos depressivos, uma vez que o outro procura exactamente o mesmo, e nenhum tem algo para dar, tendo no entanto tudo para receber.
A pessoa chegará a uma fase, normalmente em acontecimentos de vida significativos (nascimento de filhos, casamento, termino de licenciatura, morte de um familiar) em que o self não aguenta o esforço para manter a auto-estima e deprime.

O tratamento deste tipo de depressão passa por uma  psicoterapia, um processo em que a pessoa vai ser narcisada e reconhecida e assim recuperar o seu valor enquanto homem e mulher, quer no seu papel de identidade de género, quer nas suas competência enquanto ser humano útil à sociedade.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Quando é que a ansiedade se torna uma doença?



A ansiedade é uma emoção normal que existe em todos os seres humanos e de extrema importância para a sobrevivência.

É com a ansiedade que nós aprendemos a proteger-nos dos perigos fisicos e psicológicos.
Ficamos ansiosos quando antevemos o perigo de sermos assaltados, agredidos física ou verbalmente, dos nossos filhos serem atropelados na rua, entre muitas outras situações em que a ansiedade nos impele a preservar a integridade.

Portanto, a ansiedade é uma emoção reguladora da sobrevivência da espécie e como tal através da sua acção o ser humano aprende a defender-se do perigo. Esta é a função normativa da ansiedade, que, se estiver regulada(uma ansiedade normativa) desaparece rapidamente e, actua sobretudo como estimulante, ou seja, o ser humano precisa de manter níveis de ansiedade normais, para que consiga efectuar tarefas de qualquer natureza.

Quando o homem deixa de conseguir regular a ansiedade é porque ela se tornou patológica, logo fora do controlo da pessoa. Pode ter niveis de ansiedade elevados ao máximo,como pode não possuir qualquer ansiedade normal, que seja geradora de algum tipo de trabalho ou actividade. Em ambos os casos falamos de patologia.

O que é que causa a ansiedade?

As dificuldades da vida são normalmente o factor desencadeante da ansiedade patológica e nos casos agudos da angústia.
Além disso as dificuldades pessoais de inserção na sociedade, os conflitos internos do domínio afectivo, emocional e sexual podem conduzir a uma sintomatologia ansiosa.
As investigações indicam que toda a pessoa que sofre de ansiedade grave tem um profundo sentimento de desamparo psíquico oriundo de relações parentais pouco seguras ou de uma insegurança total, portanto, o que subsiste é o sentimento de desamparo e sentimentos depressivos.

Há relação entre ataque de pânico, fobias e ansiedade?

Claro que há. A fobia é um medo irracional de um objecto/animal ou situação. Os ataques de pânico são uma manifestação aguda de angústia sem causa aparente declarada, que podem paralisar um indivíduo através da sensação de asfixia ou medo de morrer. Todo este conjunto de sintomas não são mais que expressões diferentes de ansiedade.

Há alguma relação entre ansiedade e depressão?

A ansiedade faz parte do quadro clínico da depressão e está associada às alterações de humor e aos estados depressivos.
Podemos assim dizer que todas as pessoas que sofrem de depressão têm graus mais ou menos intensos de ansiedade, assim como quem sofre de ansiedade está deprimida ou em vias de deprimir.

Quais são os sintomas da ansiedade grave?

A ansiedade é acompanhada de vários sintomas físicos:
  • aceleração respiratória,
  • alteração do batimento cardíaco,
  • xixis frequentes,
  • diarreia frequente,
  • desfalecimento das pernas,
  • palidez,
  • contracção ou relaxamento do musculo facial,
  • sudação das palmas das mãos ( resposta galvânica da pele),
  • sudação de todo o corpo,
  • sensação de vertigem.

 Como é que a ansiedade evolui de normal para patológica?

Quando a pessoa já não consegue controlar as emoções e sente-se num estado de ansiedade generalizado, ou seja, em todas as situações da sua vida quotidiana. As emoções descontrolam-se, o cérebro deixa de produzir neurotransmissores e a ansiedade instala-se impedindo a pessoa de funcionar. Aparecem as mais diversas fobias, ou ataques de pânico, geradores de um desconforto enorme.

 O que é e como se manifesta a ansiedade generalizada?

A Ansiedade Generalizada manifesta-se por um estado de tensão, duma inquietude permanente, sem que algum acontecimento exterior o possa explicar. São pessoas que estão permanentemente em sobressalto e sofrem com isso. O sintoma-chave é uma ansiedade ou um medo não realista, e excessivo, face a acontecimentos futuros.

As queixas somáticas são: dores de estômago, dores de cabeça (cefaleias), diarreia, suores e transpiração excessiva, vertigens.... Esta psicopatologia torna-se um handicap porque torna a vida complicada e difícil de ser vivida, nomeadamente no quotidiano, no trabalho e nas relações pessoais.

 Estima-se que a sua prevalência seja de 3 a 7%, com uma incidência mais elevada nos filhos mais velhos e nos filhos únicos. São pessoas muito conscienciosas e que têm necessidade de serem tranquilizadas permanentemente.

 A ansiedade generalizada evolui para doença: transforma-se em fobias e obsessões /compulsões.

Tratamento da ansiedade

Sofrer de perturbação da ansiedade não é nenhuma banalidade nem uma fatalidade.
Os tratamentos para cada tipo de ansiedade variam e são estabelecidos em função da natureza do problema (fobias, obsessões, pânico, etc.) e estabelecidos em função da personalidade do sujeito que as sofre.

 Podemos encontrar ansiedades que se exprimem por outros tipos de sintomas como por exemplo, no caso de homens com ejaculação precoce, ou com impotência sexual, ou casais que há muito tempo tentam ter um filho, etc., depois de se terem realizados os despistes e exames médicos necessários, e ter-se verificado a ausência de efeitos fisiológicos, verifica-se que a ansiedade e a perturbação emocional são um factor enorme e responsável, na manutenção dessas dificuldades.
Ou ainda, pessoas que encontram no álcool, ou nas drogas, um escape para verem as suas angústias e preocupações aliviadas, e acabam por entrar num esquema traiçoeiro onde num primeiro momento as utilizam como qualquer coisa que ajuda a ficar mais calmo e que até dá prazer, mas mais tarde num esquema de dependência.

Os exemplos podem ser vários, mas o importante a saber é que, uma grande parte das ansiedades patológicas são curáveis, outras serão susceptíveis de melhoramentos consideráveis que permitem, na generalidade, devolver às pessoas uma vida normal.

O tratamento é combinado em algumas situações, ou seja, com terapia medicamentosa ansioliticos e antidepressivos e psicoterapia em simultâneo.

Saliento que só a medicação não resolve o problema é sempre necessário fazer a psicoterapia.

O objectivo da medicação é ajudar a psicoterapia.

domingo, 14 de março de 2010

Patologia Borderline ou Patologia Limite da Personalidade



Este transtorno de personalidade está a tornar-se um problema psicossocial grave.

A mudança nas relações familiares, a alteração de papéis parentais, a falta de tempo dos progenitores entre outros aspectos são apontados como causas para o aumento desta estrutura de personalidade.

As pessoas com este tipo de patologia apresentam, forma geral , pelos menos 3 dos seguintes sintomas :


  • Angustia,
  • incapacidade para sentir,
  • falta de limites,
  • desrespeito pelos outros,
  • comportamento anti-social,
  • depressão com sentimentos de solidão e vazio,
  • intolerância à frustração,
  • comportamentos automutilantes (cortes, queimaduras feitos ao próprio),
  • anedonia (incapacidade de sentir prazer),
  • comportamentos de risco,
  • consumos de drogas e álcool,
  • promiscuidade sexual,
  • incapacidade para o trabalho ( ou encontrar a profissão certa para si)
  • fobias,
  • obsessões e compulsões,
  • dissociações,
  • surtos psicóticos breves,
  • entre outros sintomas.
 O Borderline apresenta transtornos em quase todas as áreas da sua vida principalmente nas relações interpessoais, na profundidade (qualidade) dos sentimentos, na identificação e na empatia, na atitude social, no controle da vontade (volição), na capacidade para o trabalho, na necessidade de prazer, na vida sexual, no controle das emoções, na capacidade de fantasiar, na elaboração e valoração dos ideais e no planeamento dos objectos de vida.

São pessoas com grandes dificuldades ao nível dos relacionamentos interpessoais,  extremamente desconfiadas.

Este tipo de transtorno é mais frequente no sexo feminino e a sua incidência tende a aumentar.

Cada vez mais pessoas com este tipo de transtorno procuram os serviços dos psicoterapeutas, que pode ter sintomas mais ou menos graves mas cuja queixa principal é a incapacidade de funcionar e o sentimento de vazio.

 O surgir desta patologia é instável, começando normalmente esse distúrbio no início da idade adulta, com episódios de sério descontrole afectivo e impulsivo.

O prejuízo resultante desse transtorno e o risco de suicídio são maiores nos anos iniciais da idade adulta e diminuem gradualmente com o avanço da idade.
Durante a faixa etária entre os 30 e os 40 anos, a maioria dos indivíduos com este tipo de personalidade adquire maior estabilidade em seus relacionamentos e funcionamento profissional.

 
Também se sabe que o Transtorno da Personalidade Borderline é cerca de cinco vezes mais frequente em famílias cujos pais também tem esse tipo de transtorno.

  
O Borderline apresenta transtornos em quase todas as áreas da sua vida principalmente nas relações interpessoais, na profundidade (qualidade) dos sentimentos, na identificação e na empatia, na atitude social, no controle da vontade (volição), na capacidade para o trabalho, na necessidade de prazer, na vida sexual, no controle das emoções, na capacidade de fantasiar, na elaboração e valoração dos ideais e no planeamento dos objectos de vida.

 
As relações com o outro são superficiais, carecendo de profundidade de sentimentos, de constância, empatia e consideração pelos demais.

 
Estas pessoas carregam dentro si um sofrimento enorme, mas como a sua forma de ultrapassar as suas crises é agindo, como por exemplo, saindo de imediato, procurando pessoas para não estar só, ir às compras, consumir álcool, outros até drogas, podem passar despercebidos, como se rapidamente resolvessem todos os seus problemas.
 

 Muitos destes pacientes têm que ser ajudados pela família na procura de ajuda psicoterapêutica, uma vez que a maioria não reconhece que tem um problema.
 
Porém, estes pacientes precisam bastante de ser ajudados e a forma de se apaziguarem internamente e externamente é através da psicoterapia.




 

quinta-feira, 11 de março de 2010

Acompanhamento Psicológico On-LINE

O QUE É o atendimento à distância (online)?

O atendimento à distância (online) é uma nova modalidade de ajuda que utiliza as vantagens da Internet e das tecnologias de informação, permitindo a comunicação entre o cliente e o profissional no momento ou em diferido, contribuindo dessa forma para a mudança na vida do cliente. Alguns estudos têm observado que pode ser uma forma poderosa de intervenção, e um agente de mudança rápida e efectiva na vida da pessoa. Isto porque se tem observado que a modalidade online estimula intensamente a projecção e as características psico-dinâmicas da díade, o que estimula muito a eficácia e rapidez da intervenção (Suler, 1996).

Tem sido também constatado que as pessoas que comunicam online vão mais directamente ao assunto fulcral de suas preocupações, o que agiliza a intervenção. Vários estudos têm demonstrado a potencialidade desta área, revelando que esta abordagem clínica realizada com o suporte de Internet é mais eficaz do que o não tratamento e tão eficaz como a abordagem face-a-face (Emmelkamp, 2005; Eaton, 2005).

VANTAGENS do atendimento à distância (online) :

Tem a possibilidade de ser acessível à maior parte das pessoas que normalmente não têm possibilidade de recorrer a ajuda profissional por impossibilidade de deslocação, de tempo, de meios económicos, etc.

É mais segura confidencial e privada, dado poder decorrer num contexto anónimo ou pseudo-anónimo se for essa a vontade do cliente.

DESVANTAGENS do atendimento à distância (online)
A não existência de comunicação não-verbal poderá diminuir a riqueza da informação trocada pelo que é importante os participantes comunicarem num nível compreensivo equivalente.

QUE PROBLEMAS PODE AJUDAR A RESOLVER?

  • Depressão
  • Perturbações de ansiedade
  • Alterações de humor
  • Perturbações do sono
  • Obsessões
  • Fobias
  • Medos
  • Perturbações do Comportamento
  • Consequências psicológicas do adoecer físico
  • Dificuldades de realização na vida
  • Dificuldades no estudo e no trabalho
  • Problemas de relacionamento
  • Necessidade de melhor conhecimento de si próprio
  • Problemas sexualidade
  • Ideação Suicida
  • Dependências
  • Entre outros ...

 COMO FUNCIONA o atendimento à distância (online)?

A consulta online é realizada por mim, Maria de Jesus Candeias, Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta (com especialização e experiência na área clínica).


 A consulta online pode utilizar os seguintes suportes à escolha do cliente:

Telefone (ligação gratuita para o telefone da rede fixa que o cliente indicar ou ligação efectuada pelo cliente para o numero a indicar)


Conversação (chat) com voz através de Internet com microfone (Skype), ou msg

Para marcar consulta deve enviar e-mail para jesuscandeias@gmail.com ou contactar para o 96 23 62 861 informando:

Nome e Idade

Motivo de consulta

Seus dias e horários disponíveis

 Meio de contacto preferido de acordo com as opções apresentadas (telefone fixo, ligação para o nosso número, conversação escrita, de voz ou videoconferência (Skype ou Msn).
O cliente pode adquirir sessões (escrita, voz, videoconferência, telefone ou email) à medida que o tratamento se for desenrolando.

Após recebermos o seu pedido e ter efectivado o respectivo pagamento, irá receber um e-mail nosso com a indicação de que poderá marcar o dia e a hora da sua consulta na nossa agenda online. Caso tenha escolhido a opção de email irá receber um email nosso com instruções.

 Tabela de honorários

  
conversação – 35€/cada (sessão de 45 minutos)


 Formas de pagamento:


 Depósito ou transferência bancária

 O cliente deverá depositar (ou transferir) o valor correspondente à opção que pretende escolher e enviar-nos por correio ou email para o comprovativo da transacção bancária.Dados bancários para pagamento por depósito directo ou transferência bancária serão fornecidos posteriormente ao contacto do cliente.

Envio de cheque para a nossa morada:
Dra. Maria de Jesus Candeias

POclínica do Areeiro Av. Guerra Junqueiro, nº 15, 2º andar

1000-166 LISBOA


 Após a recepção do comprovativo de pagamento será enviado pelo correio para a morada indicada pelo cliente e de acordo com os dados de facturação disponibilizados, a respectiva factura.


CONFIDENCIALIDADE
Tal como na situação face-a-face, o acompanhamento psicológico online é sujeito a critérios de confidencialidade que abrangem toda a informação trocada entre cliente e profissional. Porém, o uso de procedimentos electrónicos chama a atenção para alguns perigos involuntários que podem ocorrer:


 O cliente pode acidentalmente enviar um e-mail confidencial para um outro destinatário. A solução é ter uma preocupação redobrada em verificar o endereço antes de fazer o envio do e-mail bem como reduzir ao mínimo o material de identificação constante no e-mail, ou encriptar a informação.


 Acesso não autorizado ao e-mail do cliente potenciado pelo facto de que com frequência os computadores são partilhados. Ter por isso algum cuidado em não partilhar o computador com que este serviço é prestado ou ter especial cuidado se o tiver de fazer.

  
FUNDAMENTAÇÃO LEGAL
A psicologia online encontra-se internacionalmente devidamente enquadrada em termos legais. Profissionalmente ela é orientada pela Sociedade Internacional para a Saúde Mental Online (ISMHO) e pela American Psychiatric Association.

A ISMHO foi fundada em 1997, tem como missão promover a compreensão, o desenvolvimento da comunicação online a nível da saúde mental, delineando um código de conduta a ser seguido por todos os profissionais que trabalham nesta área online. Possui um grupo de discussão de casos para aprofundamento do estudo de casos clínicos que usam o suporte online e aperfeiçoamento das metodologias de intervenção.

  
A APA/Div.46 refere-se à Media Psychology e foca-se no papel que os psicólogos têm nos vários aspectos dos média, rádio, televisão, cinema, vídeo, imprensa escrita e novas tecnologias. Desenvolve investigação sobre o impacto que os média têm no desenvolvimento humano, aprofunda o ensino, treino e prática da psicologia dos média, orienta eticamente os profissionais que trabalham neste âmbito.

domingo, 7 de março de 2010

Algumas Regras de Ouro para Pais de Adolescentes

Os pais são espelhos fundamentais na educação dos filhos e responsáveis por lhes proporcionar a segurança emocional que necessitam.


A adolescência pode ser um momento difícil para pais e filhos.... as duas partes envolvidas não devem esquecer que: “Todas as pessoas gostam de saber que são amadas e admiradas, apesar dos defeitos que possam ter!”

Como já referi num post anterior, infelizmente não existem receitas para educar, porque cada filho e cada família são únicos e têm características, também elas, únicas!

Porém, e porque são muitas as solicitações que tenho tido de alguns pais, e inspirando-me um pouco no trabalho da prof.ª Helena Fonseca, deixo-vos hoje com algumas sugestões que na minha opinião são fundamentais para o desenvolvimento de uma adolescência saudável:


1. Escute o seu filho. Esteja sempre disponível para o diálogo. Quando algo corre mal, escute sempre primeiro o que ele tem para dizer, ouça a sua versão, antes de partir para acusações e julgamentos, mesmo que lhe pareça evidente.

2. Seja afectuoso. Não se iniba de lhe demonstrar afecto, desde que não o embarace demasiado junto dos amigos.

3. Envolva-se na vida do seu filho e acompanhe os seus estudos. O seu envolvimento é tão ou mais importante do que na infância. Não há qualquer razão para que não participe activamente na vida do seu filho adolescente. Porém, respeitando sempre as suas escolhas e decisões, alertando eventualmente para os prós e contras de cada decisão, mas sem impor a sua opinião.

4. Procure conhecer os amigos dos seus filhos. Só assim poderá compreender melhor os seus completamentos. Mas não critique nem julgue as suas escolhas. Ensine-o a distinguir o bem do mal e a decidir sempre por ele próprio.

5. Eduque com firmeza. Defina limites e estabeleça regras claras e adequadas.

6. Evite controlar e gerir demasiado. A autonomia é essencial para que o adolescente cresça bem. Dê espaço para que aprenda a ter confiança em si mesmo e a decidir sem lhe pedir opinião por tudo e por nada.

7. Oriente o seu filho nas decisões mais difíceis. Ele ainda não está suficientemente preparado para planear, estabelecer prioridades, organizar o pensamento, gerir os impulsos e ponderar todas as consequências dos seus actos.

8. Cultive expectativas positivas em relação ao seu filho. Mas seja realista: não tenha expectativas nem demasiado elevadas, nem demasiado baixas.

9. Ajude o seu filho a ser um cidadão consciente e responsável. Desenvolva nele o respeito por todas as pessoas, independentemente da sua raça, estatuto ou religião.

10. Ame incondicionalmente o seu filho, sobretudo quando ele comete erros.

E deixo-vos com uma frase, que uma adolescente, um dia na praia, escreveu na sua T-shirt, e que representa o que qualquer adolescente precisa quando está em crise ou em sofrimento: UM COLO, UM PORTO SEGURO!


“ QUANDO EU NÃO MEREÇO, ME AME, PORQUE É QUANDO EU MAIS PRECISO!”

segunda-feira, 1 de março de 2010

As saídas à noite na Adolescência

Um dos problemas mais preocupantes para pais e educadores na educação dos jovens são as saídas à noite.

Como refere o Prof. Eduardo Sá, infelizmente os filhos não vêem com livro de instruções, e também não há receitas, porque cada pai, cada filho e cada relação pai-filho é única e complexa, pelo que educar é uma arte cada vez mais difícil para todos os pais.

Mães e pais vivem preocupados com isso e sem saberem muito bem que atitude tomar: deixo ir, ou não deixo? Marco horas para estar em casa ou não? Tem treze anos e quer sair à noite, deixo? – Claro que estas respostas não são fáceis e temos sempre que analisar situação a situação.

As experiências da noite chegam aos jovens cada vez mais cedo, e quando não existe em casa um ambiente seguro ao nível dos afectos e dos limites então estão criadas as condições para que corram grandes riscos por não se saberem defender.

É cada vez mais frequente vermos jovens que começam a sair aos 11/12 anos e “alguns” adultos adultos a aceitarem isto como normal. Na minha opinião e o que tenho constatado na prática clínica é que os adolescentes entre os 11 e os 15 anos não estão capazes ao nível afectivo e cognitivo de saber enfrentar uma noite cheio de oportunidades de enveredar por comportamentos de risco (álcool, “charros” ou “curtes”).

O álcool, as “ curtes” e os “charros” farão com que possam cair nas mãos de depravados habituados a frequentarem estes ambientes como predadores, pois tratam-se de predadores narcísicos, tipo D. Juan, ou pessoas ainda mais perturbadas ( pedófilos etc.) que podem inclusive molestar fisicamente estes jovens.

Assim , nestas idades, se saírem devem ir acompanhados de alguém de confiança, pais ou outros, mas sempre com adultos e não com irmãos mais velhos.

A noite é símbolo de libertação. Por isso, quase todos os adolescentes sonham com as saídas nocturnas e as noitadas com os amigos chegam cada vez mais cedo.

Grande parte dos pais, infelizmente, não sabe dizer que não com medo de traumatizar a criança, ou porque se projecta no filho e recorda a sua adolescência provavelmente muito castradora, logo deixam fazer aos filhos tudo o que os seus pais não lhe deixaram.

No entanto como se costuma dizer “ nem tanto ao mar, nem tanto à terra”, devem os pais encontrar um meio-termo se o adolescente já tem 15 ou 16 anos.

Se tem 14 devem deixar sair de vez em quando mas com companhia adulta de confiança. Porque não os pais?

Antes dessa idade então o não deve ser redundante e firme. Podem crer que por mais que os vossos filhos lhes digam que todos saem menos eles, que isso já não se usa, que os tempos são outros, lhe estão a fazer um enorme favor e até aos próprios pais. Um dia o adolescente quando já tiver mais maturidade e mais experiência vai entender.

No entanto estes limites devem sempre ser conversados e explicados.

A “introdução” ao mundo da noite deve ser feita pelos pais. Não sei se o leitor já observou alguma vez um bando (digo bando, porque costumam ser muitos) de adolescentes que não tem mais de 12 anos, na noite a caírem de bêbados e a fazerem distúrbios? É um espectáculo horroroso, parecem órfãos.
Onde estão os pais? Será que dormem descansados? O que vai destas gerações em que divertimento passa por beberem até caírem de bêbados e que é impossível divertirem-se sem beberem. Estas gerações são o futuro. Não será todos assim, obviamente, mas estamos a criar gerações de gente vazia de pensamento.

Para o futuro mundial, não me parece muito bom, especialmente em Portugal que estamos numa crise social e económica grave, ao nível da educação, afectos, e de valores.

São estas crianças que anos mais tarde não conseguem ser interventivas ao nível social, porque o pensamento ficou atrofiado, perpetuando um ciclo que temos que interromper.

Creio que ainda podemos inverter estas situações, especialmente com muito amor e firmeza da parte dos pais, mas tenho consciência que é muito difícil quando o álcool é vendido sem regra e sem consciência, senão como é que se explica que miúdos de onze doze anos caiam de bêbados nos passeios dos bares?

A intervenção de pais, educadores sociais, médicos, psicólogos e professores em acções concertadas seriam desejáveis para que os jovens entendessem que podem divertir-se sem beberem.

As estatísticas dos bancos de urgência registam largas centenas de jovens em estados de etilismo agudo nas épocas festivas.

Por outro lado, vigiar, controlar, exigir que não saiam de casa, só irá alimentar ainda mais, a rebeldia própria da adolescência.

Na minha opinião o combate ao consumo de álcool e a regulação das saídas à noite não passa tanto por fazer marcação cerrada (embora seja necessária) mas também por apostar na educação (a grande obreira da nações, mas não como está neste momento) e apoio a pais e alunos na área psicológica numa intervenção imediata e no terreno.

Muitas vezes os pais, eles próprios muito frágeis, não sabem e não conseguem actuar com os filhos, mas também não sabem onde se hão-de dirigir para procurar ajuda.

É responsabilidade da família perceber o limite entre o saudável e o patológico nas atitudes dos filhos, e quando perceberem que “algo não está bem” que não estão a conseguir comunicar com os vossos filhos, então pedir ajuda é fundamental.

Os pais precisam de ajudar os filhos a organizar o seu mundo interno.

Procurar uma orientação adequada é um dever dos pais, pois são espelhos fundamentais na educação dos filhos e responsáveis por lhes proporcionar a segurança emocional que necessitam.

Por vezes basta um aconselhamento pedagógico/ terapêutico aos pais para que fiquem mais aptos a lidarem com estas situações. Infelizmente são ainda muito poucos os que procuram ajuda.


A orientação profissional de um psicólogo pode ajudar nesse processo, e se necessário for, encaminhar o próprio adolescente para uma psicoterapia.

A adolescência é um momento difícil para pais e filhos.... as duas partes envolvidas não devem esquecer que: “Todas as pessoas gostam de saber que são amadas e admiradas, apesar dos defeitos que possam ter!”

O respeito e a negociação constituem a base de todos os relacionamentos, e são indispensáveis em qualquer idade. Pense nisso!

Tristeza ou Depressão?

Artigo publicado in " Saúde Activa", Outubro de 2010, por Maria de Jesus Candeias, Psicoterapeuta A tristeza é uma reacção ...

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