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sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Supervisão Clínica

 



A supervisão de casos clínicos é considerada como um dos três pilares da formação de um psicoterapeuta, juntamente com a própria psicoterapia e o estudo de textos.

A carreira de psicólogo exige um investimento permanente na formação e na actualização de conhecimentos teóricos e práticos, para poder dar resposta aos desafios da profissão de modo competente.

Pelo que, a supervisão clínica em psicologia se assume como um processo fundamental para a formação teórico-prática dos psicólogos, e em especial daqueles que pretendem ou exercem em contexto clínico e desejam especializar-se em psicoterapia.

De um modo geral, a supervisão clínica em psicologia é definida como um processo de ensino e de aprendizagem, de relação formal e colaborativa entre supervisor e supervisando, com vista ao desenvolvimento de competências terapêuticas essenciais para o exercício pleno da prática clínica.

supervisão clínica tem como objetivo desenvolver competências de reflexão clínica, tomando como base os casos clínicos acompanhados, bem como melhorar capacidades relacionais específicas, essenciais para o estabelecimento de uma boa relação terapêutica.

Qual a importância da Supervisão Clínica em Psicologia?

A supervisão clínica em psicologia constitui um elemento essencial para a boa prática clínica, favorecendo a interligação entre a teoria e a prática, permitindo a adequação da atitude do Psicoterapeuta às necessidades específicas de cada paciente, em contexto clínico. Neste sentido, o principal objectivo da supervisão passa pelo desenvolvimento de competências profissionais, de habilidades terapêuticas, e de princípios éticos e interpessoais do papel do terapeuta na intervenção clínica.

Modalidades de supervisão clínica em Psicologia

A supervisão pode ser:

-Individual. Tem uma duração de cerca de 50 minutos

-Em grupo. O grupo constitui-se quando há 2 ou mais supervisandos, até 4 elementos preferencialmente.

Uma supervisão de grupo tem uma duração variável, consoante o número de elementos que o integra, uma vez que, cada participante tem cerca de 25 minutos para expor as suas dúvidas e casos que acompanha. Nesse período de tempo, cada elemento pode expor mais de uma vez os seus casos e dúvidas, de forma rotativa e equitativa entre todos.

A Supervisão Clínica pode ser presencial ou online

 A modalidade online (videoconferência) favorece a interação e acessibilidade ao supervisor a qualquer momento, o que por si só também fortalece a relação com o supervisor. Esta modalidade mantém a mesma qualidade e regras que a presencial.

Como devo escolher um supervisor?

O supervisando deve fazer a escolha do seu supervisor a partir de um processo de identificações. Deve identificar-se quer com o perfil do supervisor, quer com a abordagem teórica profissional que este utiliza, pois estas identificações serão essenciais para manter a sua motivação e para alcançar um resultado satisfatório.

Saliento ainda, a importância da selecionar um supervisor credenciado. A supervisão deve ser dada por um psicólogo especialista em Psicoterapia, com mais de 7 anos de prática clinica e com grande conhecimento teórico-científico. É igualmente importante a ligação do supervisor a uma Associação/Sociedade na área da Psicologia ou Psicoterapia, enquanto formador, pois isso confere-lhe além da qualificação, a habilidade para o processo de ensino.

Maria de Jesus Candeias, Psicoterapeuta e Supervisora Clínica


terça-feira, 8 de novembro de 2022

Quando é que a ansiedade se torna uma doença?

A ansiedade é uma emoção normal que existe em todos os seres humanos e de extrema importância para a sobrevivência.

É com a ansiedade que nós aprendemos a proteger-nos dos perigos fisicos e psicológicos.

Ficamos ansiosos quando antevemos o perigo de sermos assaltados, agredidos física ou verbalmente, dos nossos filhos serem atropelados na rua, entre muitas outras situações em que a ansiedade nos impele a preservar a integridade.

Portanto, a ansiedade é uma emoção reguladora da sobrevivência da espécie e como tal através da sua acção o ser humano aprende a defender-se do perigo. Esta é a função normativa da ansiedade, que, se estiver regulada(uma ansiedade normativa) desaparece rapidamente e, actua sobretudo como estimulante, ou seja, o ser humano precisa de manter níveis de ansiedade normais, para que consiga efectuar tarefas de qualquer natureza.

Quando o homem deixa de conseguir regular a ansiedade é porque ela se tornou patológica, logo fora do controlo da pessoa. Pode ter niveis de ansiedade elevados ao máximo,como pode não possuir qualquer ansiedade normal, que seja geradora de algum tipo de trabalho ou actividade. Em ambos os casos falamos de patologia.

O que é que causa a ansiedade?

As dificuldades da vida são normalmente o factor desencadeante da ansiedade patológica e nos casos agudos da angústia.

Além disso as dificuldades pessoais de inserção na sociedade, os conflitos internos do domínio afectivo, emocional e sexual podem conduzir a uma sintomatologia ansiosa.

As investigações indicam que toda a pessoa que sofre de ansiedade grave tem um profundo sentimento de desamparo psíquico oriundo de relações parentais pouco seguras ou de uma insegurança total, portanto, o que subsiste é o sentimento de desamparo e sentimentos depressivos.

Há relação entre ataque de pânico, fobias e ansiedade?

Claro que há. A fobia é um medo irracional de um objecto/animal ou situação. Os ataques de pânico são uma manifestação aguda de angústia sem causa aparente declarada, que podem paralisar um indivíduo através da sensação de asfixia ou medo de morrer. Todo este conjunto de sintomas não são mais que expressões diferentes de ansiedade.

Há alguma relação entre ansiedade e depressão?

A ansiedade faz parte do quadro clínico da depressão e está associada às alterações de humor e aos estados depressivos.

Podemos assim dizer que todas as pessoas que sofrem de depressão têm graus mais ou menos intensos de ansiedade, assim como quem sofre de ansiedade está deprimida ou em vias de deprimir.

Quais são os sintomas da ansiedade grave?
A ansiedade é acompanhada de vários sintomas físicos:
  • aceleração respiratória,
  • alteração do batimento cardíaco,
  • xixis frequentes,
  • diarreia frequente,
  • desfalecimento das pernas,
  • palidez,
  • contracção ou relaxamento do musculo facial,
  • sudação das palmas das mãos ( resposta galvânica da pele),
  • sudação de todo o corpo,
  • sensação de vertigem.
 Como é que a ansiedade evolui de normal para patológica?

Quando a pessoa já não consegue controlar as emoções e sente-se num estado de ansiedade generalizado, ou seja, em todas as situações da sua vida quotidiana. As emoções descontrolam-se, o cérebro deixa de produzir neurotransmissores e a ansiedade instala-se impedindo a pessoa de funcionar. Aparecem as mais diversas fobias, ou ataques de pânico, geradores de um desconforto enorme.

  O que é e como se manifesta a ansiedade generalizada?

A Ansiedade Generalizada manifesta-se por um estado de tensão, duma inquietude permanente, sem que algum acontecimento exterior o possa explicar. São pessoas que estão permanentemente em sobressalto e sofrem com isso. O sintoma-chave é uma ansiedade ou um medo não realista, e excessivo, face a acontecimentos futuros.

As queixas somáticas são: dores de estômago, dores de cabeça (cefaleias), diarreia, suores e transpiração excessiva, vertigens.... Esta psicopatologia torna-se um handicap porque torna a vida complicada e difícil de ser vivida, nomeadamente no quotidiano, no trabalho e nas relações pessoais.

  Estima-se que a sua prevalência seja de 3 a 7%, com uma incidência mais elevada nos filhos mais velhos e nos filhos únicos. São pessoas muito conscienciosas e que têm necessidade de serem tranquilizadas permanentemente.

A ansiedade generalizada evolui para doença: transforma-se em fobias e obsessões /compulsões.

Tratamento da ansiedade

  Sofrer de perturbação da ansiedade não é nenhuma banalidade nem uma fatalidade.

Os tratamentos para cada tipo de ansiedade variam e são estabelecidos em função da natureza do problema (fobias, obsessões, pânico, etc.) e estabelecidos em função da personalidade do sujeito que as sofre.

  Podemos encontrar ansiedades que se exprimem por outros tipos de sintomas como por exemplo, no caso de homens com ejaculação precoce, ou com impotência sexual, ou casais que há muito tempo tentam ter um filho, etc., depois de se terem realizados os despistes e exames médicos necessários, e ter-se verificado a ausência de efeitos fisiológicos, verifica-se que a ansiedade e a perturbação emocional são um factor enorme e responsável, na manutenção dessas dificuldades.

Ou ainda, pessoas que encontram no álcool, ou nas drogas, um escape para verem as suas angústias e preocupações aliviadas, e acabam por entrar num esquema traiçoeiro onde num primeiro momento as utilizam como qualquer coisa que ajuda a ficar mais calmo e que até dá prazer, mas mais tarde num esquema de dependência.

 Os exemplos podem ser vários, mas o importante a saber é que, uma grande parte das ansiedades patológicas são curáveis, outras serão susceptíveis de melhoramentos consideráveis que permitem, na generalidade, devolver às pessoas uma vida normal.

  O tratamento é combinado em algumas situações, ou seja, com terapia medicamentosa ansioliticos e antidepressivos e psicoterapia em simultâneo.

  
Saliento que só a medicação não resolve o problema é sempre necessário fazer a psicoterapia.

O objectivo da medicação é ajudar a psicoterapia.

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Tristeza ou Depressão?



Artigo publicado in " Saúde Activa", Outubro de 2010, por Maria de Jesus Candeias, Psicoterapeuta

A tristeza é uma reacção normal e saudável a qualquer infortúnio.

A maioria, se não todos, os episódios mais intensos de tristeza da nossa vida são originados por condições de vida adversas, o divórcio, a perda de um ente querido, da pessoa amada, o desemprego, a incapacidade em lidar com determinadas situações ou em ultrapassar obstáculos entre outros problemas que nos surgem ao longo do dia-a-dia e da nossa vida.

E isto acontece tanto nas crianças, como nos jovens como inevitavelmente nos adultos.

Uma pessoa triste sabe quem (ou o que) perdeu e está triste porque gostava de voltar à situação anterior, o que nem sempre acontece ou é possível.

Ficar triste por perda da saúde, ou de um casamento, ou da perda de alguém querido, numa fase inicial, não é depressão, é tristeza, embora os sintomas possam ser idênticos.

Ainda assim, por vezes poder-se-á sentir triste durante algum tempo, quando algum problema adverso surge na sua vida.

Porém, o que se espera é que após um acontecimento que nos deixa muito triste, passado algum tempo, máximo seis meses, sejamos capaz de ultrapassar essa tristeza e retomar o nosso bem-estar emocional, ultrapassando essa tristeza.

Se tal não acontece, e se mesmo antes deste tempo, surgem outros sintomas (pelo menos mais dois) associados, pode ser sinal de estar a deprimir.

Desta forma, podemos dizer que o que distingue a depressão da tristeza é a continuidade desta tristeza por demasiado tempo, e o surgimento de outros sintomas associados tais como:

• Alteração do apetite (falta ou excesso de apetite);
• Perturbações do sono (sonolência ou insónia);
• Fadiga, cansaço e perda de energia;
• Sentimentos de inutilidade, de falta de confiança e de auto-estima, sentimentos de culpa e sentimento de incapacidade;
• Falta ou alterações da concentração e da memória;
• Preocupação com o sentido da vida e com a morte;
• Desinteresse, apatia e tristeza;
• Alterações do desejo sexual;
• Irritabilidade;
• Manifestação de sintomas físicos, como dor muscular, dor abdominal, vómitos, enxaquecas, entre outros.

No entanto importa referir que se é verdade que muitas depressões, são o que nós chamamos “depressões reactivas”, ou seja são uma reacção a acontecimentos de vida, como atrás referi, também é verdade que existem outras depressões, e estas começam geralmente na infância e adolescência, conhecidas técnicamente por "depressões anaclíticas", em que o que está por detrás é a falta de amor, ou antes, faltou o sentimento e a segurança de ser amado. A pessoa tem uma tristeza profunda, mas não sabe a sua origem. A tristeza faz parte do indivíduo, da sua forma de ser. Sempre se conheceu assim.

Neste último tipo de depressão, o que a originou foi a falta o amor, ou antes, o sentimento de ser amado! Por isso, a depressão, é considerada uma doença dos afectos.

A depressão pode ser episódica (acontece apenas uma vez na vida do indivíduo), recorrente (quando de vez em quando a pessoa deprime e vai-se abaixo, tendo porém períodos em que está bem) ou crónica (quando a pessoa está sempre deprimida, conduzindo a uma diminuição substancial da capacidade do indivíduo em assegurar as suas responsabilidades do dia-a-dia.

Mas o que é afinal a depressão?

A depressão é uma doença mental que se caracteriza por tristeza mais marcada ou prolongada, perda de interesse por actividades habitualmente sentidas como agradáveis e perda de energia ou cansaço fácil.

A Depressão altera a maneira como a pessoa vê o mundo e sente a realidade, entende as coisas, manifesta emoções, sente a disposição e o prazer com a vida.

Afecta a forma como a pessoa se alimenta e dorme, como se sente em relação a si próprio e como pensa sobre as coisas.•

Ter sentimentos depressivos é comum, sobretudo após experiências ou situações que nos afectam de forma negativa. No entanto, se os sintomas se agravam e perduram por mais de duas semanas consecutivas, convém começar a pensar em procurar ajuda.

A depressão pode durar de alguns meses a alguns anos. Contudo, em cerca de 20 por cento dos casos torna-se uma doença crónica sem remissão. Estes casos devem-se, fundamentalmente, à falta de tratamento adequado.

O procurar ajuda atempadamente, de um psicólogo ou psicoterapeuta, poderá minimizar de imediato um sofrimento inimaginável para as pessoas sadias, e é sem dúvida a melhor forma de prevenir o agravamento dos sintomas.

No entanto, acho pela minha experiência clínica que o facto de se falar tanto na depressão, e sendo mesmo considerada a doença do Século , parece-me não existir, ainda, um esclarecimento correcto acerca dela.

Existem alguns mitos e falsas crenças sobre a depressão, muitas vezes vista como um sinal de fraqueza, de falta de pensamentos positivos ou uma condição que possa ser superada apenas pela força de vontade ou com esforço.

Assim, quando alguém diz que está deprimido, ou se refere a alguém deprimido dá um tom de pouca importância ao assunto, e reforça que a pessoa precisa de ter força de vontade como se isso bastasse para o curar.

Ninguém se cura, de uma depressão, só com força de vontade e com pensamentos positivos.

Isto faz com que muitos casos que me chegam já estejam ou acamados, sem já conseguir funcionar nem trabalhar. Outros com muita vergonha, como se fossem uns fracos por estar a pedir ajuda!

É importante salientar e interiorizar que a depressão é uma perturbação mental séria, que ocorre desde a 1ª infância à 3ª idade, e se não for tratada, pode conduzir ao suicídio, uma consequência frequente da depressão.

No caso das crianças e adolescentes, quanto mais cedo iniciar uma psicoterapia, mais probabilidades tem de na vida adulta vir a ter uma vida normal e sem sofrimento.

Neste caso o papel dos familiares é fundamental. Muitas vezes o doente deprimido, já não tem força nem vontade para nada. Não acredita em solução para a sua vida e para os seus problemas, já não tem força para procurar ajuda.

Quando a pessoa precisa de ajuda e resiste a ir a uma consulta, os familiares poderão marcar consulta em conjunto (pais/ filhos pequenos ou adolescentes, maridos/ esposas, etc), sendo a consulta para a família e, deixar ao psicoterapeuta a tarefa de “ convencer” a pessoa a iniciar um tratamento.

É pois, urgente aprender a reconhecer a depressão como uma doença e não como uma fraqueza, como uma “ personalidade fraca” como me dizem alguns pacientes, e pedir ajuda especializada quanto antes!

É possível prevenir a depressão?

Como em todas as doenças, a prevenção é sempre a melhor abordagem, designadamente para as pessoas em situação de risco, pois permite a intervenção precoce de profissionais de saúde e impede o agravamento dos sintomas.

Se sofre de ansiedade e/ou ataques de pânico, não hesite em procurar ajuda especializada, pois muitas vezes são os primeiros sintomas de uma depressão.

Se apresenta queixas físicas sem que os exames de diagnóstico encontrem uma explicação então aborde o assunto com o seu médico assistente.

Como se trata a depressão?

A Psicoterapia é fundamental no tratamento da depressão tendo muitas vezes, numa fase inicial de ser coadjuvada com a terapia farmacológica.

A Psicoterapia é fundamental para ajudar a pessoa a encontrar dentro de si recursos necessários para lidar com os acontecimentos geradores de tensão e ansiedade, assim como a diminuir o seu sofrimento, aumentar o seu bem – estar consigo próprio e com a vida!

A Psicoterapia é a forma cientificamente comprovada de obter resultados duradouros na perturbação depressiva.

Artigo publicado IN "Saúde Activa", por Maria de Jesus Candeias, Psicológa Clínica e Psicoterapeuta

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Quando é que a ansiedade se torna uma doença?

A ansiedade é uma emoção normal que existe em todos os seres humanos e de extrema importância para a sobrevivência.

É com a ansiedade que nós aprendemos a proteger-nos dos perigos fisicos e psicológicos.

Ficamos ansiosos quando antevemos o perigo de sermos assaltados, agredidos física ou verbalmente, dos nossos filhos serem atropelados na rua, entre muitas outras situações em que a ansiedade nos impele a preservar a integridade.

Portanto, a ansiedade é uma emoção reguladora da sobrevivência da espécie e como tal através da sua acção o ser humano aprende a defender-se do perigo. Esta é a função normativa da ansiedade, que, se estiver regulada(uma ansiedade normativa) desaparece rapidamente e, actua sobretudo como estimulante, ou seja, o ser humano precisa de manter níveis de ansiedade normais, para que consiga efectuar tarefas de qualquer natureza.

Quando o homem deixa de conseguir regular a ansiedade é porque ela se tornou patológica, logo fora do controlo da pessoa. Pode ter niveis de ansiedade elevados ao máximo,como pode não possuir qualquer ansiedade normal, que seja geradora de algum tipo de trabalho ou actividade. Em ambos os casos falamos de patologia.

O que é que causa a ansiedade?

As dificuldades da vida são normalmente o factor desencadeante da ansiedade patológica e nos casos agudos da angústia.

Além disso as dificuldades pessoais de inserção na sociedade, os conflitos internos do domínio afectivo, emocional e sexual podem conduzir a uma sintomatologia ansiosa.

As investigações indicam que toda a pessoa que sofre de ansiedade grave tem um profundo sentimento de desamparo psíquico oriundo de relações parentais pouco seguras ou de uma insegurança total, portanto, o que subsiste é o sentimento de desamparo e sentimentos depressivos.

Há relação entre ataque de pânico, fobias e ansiedade?

Claro que há. A fobia é um medo irracional de um objecto/animal ou situação. Os ataques de pânico são uma manifestação aguda de angústia sem causa aparente declarada, que podem paralisar um indivíduo através da sensação de asfixia ou medo de morrer. Todo este conjunto de sintomas não são mais que expressões diferentes de ansiedade.

Há alguma relação entre ansiedade e depressão?

A ansiedade faz parte do quadro clínico da depressão e está associada às alterações de humor e aos estados depressivos.

Podemos assim dizer que todas as pessoas que sofrem de depressão têm graus mais ou menos intensos de ansiedade, assim como quem sofre de ansiedade está deprimida ou em vias de deprimir.

Quais são os sintomas da ansiedade grave?
A ansiedade é acompanhada de vários sintomas físicos:
  • aceleração respiratória,
  • alteração do batimento cardíaco,
  • xixis frequentes,
  • diarreia frequente,
  • desfalecimento das pernas,
  • palidez,
  • contracção ou relaxamento do musculo facial,
  • sudação das palmas das mãos ( resposta galvânica da pele),
  • sudação de todo o corpo,
  • sensação de vertigem.
 Como é que a ansiedade evolui de normal para patológica?

Quando a pessoa já não consegue controlar as emoções e sente-se num estado de ansiedade generalizado, ou seja, em todas as situações da sua vida quotidiana. As emoções descontrolam-se, o cérebro deixa de produzir neurotransmissores e a ansiedade instala-se impedindo a pessoa de funcionar. Aparecem as mais diversas fobias, ou ataques de pânico, geradores de um desconforto enorme.

  O que é e como se manifesta a ansiedade generalizada?

A Ansiedade Generalizada manifesta-se por um estado de tensão, duma inquietude permanente, sem que algum acontecimento exterior o possa explicar. São pessoas que estão permanentemente em sobressalto e sofrem com isso. O sintoma-chave é uma ansiedade ou um medo não realista, e excessivo, face a acontecimentos futuros.

As queixas somáticas são: dores de estômago, dores de cabeça (cefaleias), diarreia, suores e transpiração excessiva, vertigens.... Esta psicopatologia torna-se um handicap porque torna a vida complicada e difícil de ser vivida, nomeadamente no quotidiano, no trabalho e nas relações pessoais.

  Estima-se que a sua prevalência seja de 3 a 7%, com uma incidência mais elevada nos filhos mais velhos e nos filhos únicos. São pessoas muito conscienciosas e que têm necessidade de serem tranquilizadas permanentemente.

A ansiedade generalizada evolui para doença: transforma-se em fobias e obsessões /compulsões.

Tratamento da ansiedade

  Sofrer de perturbação da ansiedade não é nenhuma banalidade nem uma fatalidade.

Os tratamentos para cada tipo de ansiedade variam e são estabelecidos em função da natureza do problema (fobias, obsessões, pânico, etc.) e estabelecidos em função da personalidade do sujeito que as sofre.

  Podemos encontrar ansiedades que se exprimem por outros tipos de sintomas como por exemplo, no caso de homens com ejaculação precoce, ou com impotência sexual, ou casais que há muito tempo tentam ter um filho, etc., depois de se terem realizados os despistes e exames médicos necessários, e ter-se verificado a ausência de efeitos fisiológicos, verifica-se que a ansiedade e a perturbação emocional são um factor enorme e responsável, na manutenção dessas dificuldades.

Ou ainda, pessoas que encontram no álcool, ou nas drogas, um escape para verem as suas angústias e preocupações aliviadas, e acabam por entrar num esquema traiçoeiro onde num primeiro momento as utilizam como qualquer coisa que ajuda a ficar mais calmo e que até dá prazer, mas mais tarde num esquema de dependência.

 Os exemplos podem ser vários, mas o importante a saber é que, uma grande parte das ansiedades patológicas são curáveis, outras serão susceptíveis de melhoramentos consideráveis que permitem, na generalidade, devolver às pessoas uma vida normal.

  O tratamento é combinado em algumas situações, ou seja, com terapia medicamentosa ansioliticos e antidepressivos e psicoterapia em simultâneo.

  
Saliento que só a medicação não resolve o problema é sempre necessário fazer a psicoterapia.

O objectivo da medicação é ajudar a psicoterapia.

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Psicoterapia Online | COVID 19 e outros




Porquê a Psicoterapia Online?

No contexto actual, a  Pandemia do Covid-19 obrigou-nos a todos a ficar em casa, e porque infelizmente a vida não pára, nem a dor, nem o sofrimento, a Psicoterapia online é uma alternativa para não ficar sozinho na sua dor e procurar ajuda para o seu problema quanto antes.  
Por outro lado, a globalização do mercado de trabalho, a  internacionalização de muitas empresas com representações  em vários países do mundo, fez com que o local de trabalho de muitos pacientes meus, e seguramente de outras pessoas, passasse a ser a o “ Mundo” e não apenas uma “Cidade”. Neste cenário experienciei que na nossa realidade laboral actual, não era possível aos meus pacientes, escolher um Psicoterapeuta fixo numa cidade, nem fazer um acompanhamento Psicoterapeutico regular se não houvesse outra forma de nos comunicarmos.  Senti a responsabilidade de não os deixar sós, e o dever de  os acompanhar no seu percurso profissional que a organização social  dos dias de hoje lhes exigia. Embora com dúvidas inicias sobre o que seria esta relação virtual, e qual a sua eficácia, percebemos que nada seria pior do que interromper o seu processo psicoterapêutico.
Por último, a emigração de muitos jovens adultos nos últimos anos, e os desafios emocionais que estas experiências lhes trouxeram, as perdas das famílias, a solidão num mundo desconhecido, traduziram-se num aumento significativo da procura de consultas online, com um argumento comum:  a necessidade de encontrar um Psicoterapeuta  que falasse a sua língua e compreendesse a realidade social e cultural das suas vivências. Razões essas que compreendi e fundamentaram a minha decisão de aderir a este processo.
Passados  alguns anos, fazendo um balanço baseado na minha  experiência empírica, posso assegurar-vos que consegui, nestes casos, construir com os meus pacientes, uma relação tão íntima e profunda quanto a estabelecida numa psicoterapia face-a-face. Os resultados foram igualmente positivos e significativos.
O QUE É o atendimento à distância (online)?
A consulta feita online (videoconferência) é uma consulta realizada à distância, cuja principal vantagem reside no facto do cliente não necessitar de se deslocar às nossas instalações.
Reservo esta modalidade a pessoas residentes em locais isolados, pessoas com mobilidade reduzida, emigrantes ou expatriados, podendo ter como motivos a distância, doença ou qualquer outra razão que impeça a presença no espaço físico do consultório.

A consulta decorre com as mesmas condições e regras de ética e deontologia de uma sessão convencional.

Quais são as suas principais Vantagens?
1) Tem acesso a um especialista se estiver a residir num país em que os serviços não se encontram disponíveis em português.
2) Usufrui de grande flexibilidade horária ao poder realizar marcações online.
3) Economiza tempo e outros gastos, ao evitar deslocações.

O que necessita para Fazer uma Consulta Online?

1) Um computador, ou telemóvel
2) Ter o software SKYPE instalado ou outro programa a combinar
3) Procurar/adicionar o profissional no SKYPE – maria.jesus.candeias2
4) Estar num ambiente reservado para garantir que não é interrompido durante a  consulta
Desvantagens do atendimento à distância (online)
A não existência de comunicação não-verbal poderá diminuir a riqueza da informação trocada pelo que é importante os participantes comunicarem num nível compreensivo equivalente.

QUE PROBLEMAS PODE AJUDAR A RESOLVER?
·               Depressão
·               Perturbações de ansiedade
·               Alterações de humor
·               Perturbações do sono
·               Obsessões
·               Fobias
·               Medos
·               Perturbações do Comportamento
·               Consequências psicológicas do adoecer físico
·               Dificuldades de realização na vida
·               Dificuldades no estudo e no trabalho
·               Problemas de relacionamento
·               Necessidade de melhor conhecimento de si próprio
·               Problemas sexualidade
·               Ideação Suicida
·               Dependências
·               Entre outros ...
 COMO FUNCIONA o atendimento à distância (online)?
1.            A consulta online é realizada por mim, Maria de Jesus Candeias, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicoterapeuta Psicanalítica Relacional, Reconhecida pela Ordem dos Psicólogos Portugueses com a cédula Profissional nº 5225.
2.            A consulta online pode utilizar os seguintes suportes à escolha do cliente:
·               Skype, Facetime, Whatsapp, MSN.
Da minha experiência, a conversação associada à imagem visual, é de facto  a mais eficaz, e aquela que mais promove a relação entre paciente e Psicoterapeuta, e é por  isso, que a videoconferência é a minha escolha preferencial.
·               Via Telefone-  Não obstante, e pontualmente, porque a cobertura de redes WI-Fi  nem sempre é  a melhor em todos os países, nomeadamente em alguns países africanos,  algumas sessões, e em caso de falha das comunicações, a sessão poderá ser substituida  por via telefone ou Whatsapp (sem imagem).  
·               Para marcar consulta deve enviar e-mail para jesuscandeias@gmail.com ou contactar para o 00 351 91 991 82 25 informando:
Nome e Idade | Motivo de consulta | Seus dias e horários disponíveis.
Todos os detalhes das sessões, nomeadamente as formas de pagamento, serão acordados posteriormente, pessoalmente, em privado, via email.
Confidencialidade
Tal como na situação face-a-face, o acompanhamento psicológico online é sujeito a critérios de confidencialidade que abrangem toda a informação trocada entre cliente e profissional. 
Resultados de alguns estudos e Fundamentação Legal
Alguns estudos têm observado que pode ser uma forma poderosa de intervenção, e um agente de mudança rápida e efectiva na vida da pessoa. Isto porque se tem observado que a modalidade online estimula intensamente a projecção e as características psico-dinâmicas da díade, o que estimula muito a eficácia e rapidez da intervenção (Suler, 1996).
Tem sido também constatado que as pessoas que comunicam online vão mais directamente ao assunto fulcral de suas preocupações, o que agiliza a intervenção. Vários estudos têm demonstrado a potencialidade desta área, revelando que esta abordagem clínica realizada com o suporte de Internet é mais eficaz do que o não tratamento e tão eficaz como a abordagem face-a-face (Emmelkamp, 2005; Eaton, 2005).
A psicologia online encontra-se internacionalmente devidamente enquadrada em termos legais. Profissionalmente ela é orientada pela Sociedade Internacional para a Saúde Mental Online (ISMHO) e pela American Psychiatric Association.
A ISMHO foi fundada em 1997, tem como missão promover a compreensão, o desenvolvimento da comunicação online a nível da saúde mental, delineando um código de conduta a ser seguido por todos os profissionais que trabalham nesta área online. Possui um grupo de discussão de casos para aprofundamento do estudo de casos clínicos que usam o suporte online e aperfeiçoamento das metodologias de intervenção.
A APA/Div.46 refere-se à Media Psychology e foca-se no papel que os psicólogos têm nos vários aspectos dos média, rádio, televisão, cinema, vídeo, imprensa escrita e novas tecnologias. Desenvolve investigação sobre o impacto que os média têm no desenvolvimento humano, aprofunda o ensino, treino e prática da psicologia dos média, orienta eticamente os profissionais que trabalham neste âmbito.

Se este é o seu caso, e está a ponderar recorrer a esta modalidade de Psicoterapia envie um email para jesuscandeias @gmail, expondo a sua situação.

 Maria de Jesus Candeias, Psicoterapeuta Psicanalítica Relacional

sexta-feira, 2 de julho de 2021

A importância das relações amorosas na nossa vida...



Entrevista cedida por Maria de Jesus Candeias ao  portal de saúde  MSN Saúde & Bem-Estar, Setembro de 2012.

1 - Qual o significado e a importância dos relacionamentos na nossa vida? Pode dizer-se que são a chave de tudo ou que tudo gira à sua volta?

O Ser humano é um ser, por natureza, social e relacional. Só existimos em relação. Esta necessidade  e caracteristica acompanha-nos desde o nascimento até à morte. Amar e ser amado é algo fundamental ao ser humano e ao seu desenvolvimento. O que acontece é que à medida que crescemos os nossos objectos de relação vão-se modificando. Assim, em crianças os pais representam tudo para nós, na adolescência os amigos assumem o centro das nossas vidas, e à medida que nos desenvolvemos sexualmente, a nossa atenção e o nosso investimento relacional, passa a ser na procura de uma relação amorosa íntima.
E sim, poderemos dizer, que naturalmente, os relacionamentos são algo fundamental na vida de todos nós.
A nossa herança sócio-cultural transformou as possibilidades de ser-se casal ao longo do tempo, sendo que hoje é quase inconcebível sê-lo sem um determinado grau  de vínculo amoroso, atracção sexual e apoio mútuo.

2 - Existem padrões nos nossos relacionamentos? É verdade que tendemos a repetir o tipo de relacionamentos que temos, em que mudam as caras mas o padrão é o mesmo? Porquê?

Sim, todos nós temos padrões de relacionamento, e esses padrões têm a ver com as nossas experiências relacionais que tivemos ao longo da vida, não só amorosas, mas também com a forma como vimos os nossos pais relacionarem-se, com a forma como nos relacionámos com os nossos pais, com os nossos amigos, irmãos, entre outros.
Crescer e viver em relações e ambientes hostis, adversos ou harmoniosos e prazerosos, são escolas relacionais completamente distintas, e fazem de nós seres relacionais muito distintos.
Assim, à medida que crescemos, vão mudando os protagonistas das nossas relações mas o nosso modo de nos relacionarmos, vai sendo sempre de alguma forma condicionado por aquilo que vimos ou vivemos. Porém, não nos podemos esquecer que a nossa relação também depende da forma como outro nos trata, e em função disso podemos dar o melhor ou o menos bom de nós.

3 - Quais os ingredientes ou regras fundamentais para o sucesso de um relacionamento? O que dita o sucesso dos diferentes tipos de relacionamentos que construímos ao longo da vida (profissional, familiar, amoroso, de amizade,…)?

Diria que o Amor, a confiança e o respeito, são os pilares básicos que sustentam uma relação amorosa.
Numa relação íntima saudável, o compromisso baseia-se num mútuo interesse pelo outro, em que se enaltece o verdadeiro “eu” , não se anula de modo nenhum, a individualidade. Ter diferenças de opinião, de perspectivas é óptimo. É isso que enriquece a relação. A comunicação, falar abertamente sobre essas diferenças ajuda a conquistar o respeito do outro
Porém, conseguir alcançar isto, não é de todo simples.  O sucesso relacional exige segurança, auto-confiança e uma grande maturidade emocional individual, quer na vida amorosa, quer na vida profissional. Só podemos amar alguém, se nos amarmos e respeitarmos, em primeiro lugar a nós próprios. Quando isto não acontece, facilmente nos anulamos e perdemos na relação com o outro, e estamos a meio caminho de estabelecer relações pouco saudáveis.

4 - Porque é que os relacionamentos fracassam ou não dão certo? Quais são as principais dificuldades ou erros que existem nos relacionamentos?

O amor e a intimidade desafiam os nossos maiores medos em relação ao que somos e ao que devemos ser, bem como ao que os outros são. Amando e desenvolvendo intimidade corremos riscos.  Em algumas relações, a liberdade para descobrir e deixar-se descobrir pelo outro fica condicionada pela vontade, pelo medo, pelas inseguranças, pela habilidade ou mesmo permissão do parceiro para tal. Como já referido, existem muitas vezes obediência a regras “não escritas” oriundas da família de origem, que pautam o ritmo e a profundidade dos relacionamentos de proximidade.  Regras como devem ser resolvidos os problemas, como se expressam as emoções, que expectativas se devem ter dos outros, acabam por estar presentes sendo que são muitas vezes desajustadas a esta nova relação.
Assim, poderíamos dizer, que as inseguranças individuais, as dificuldades de comunicação, a  procura dum parceiro (a) igual a si , ou que preencha todos os quesitos idealizados, é algo irreal, provocando desilusão,  desencanto,  e sem comunicação o silêncio acaba por corroer a relação.

5 - Como podemos fortalecer as nossas relações e torná-las mais saudáveis e duradouras?

Sendo verdadeiros e plenos na relação. Sem medo de sermos aquilo que somos, nem medo de sermos rejeitados. Falando abertamente sobre o que pensamos e o que nos preocupa. A honestidade, a espontaneidade, a vulnerabilidade, a confiança e a aceitação são ingredientes essenciais para o sucesso da relação. Podem suscitar por vezes mágoas e vulnerabilidades, mas esse é o caminho para a maturidade e para a intimidade conjugal,pois permitem a reciprocidade, a alegria e a ternura.

6 - Todas as pessoas possuem a capacidade de iniciar, construir e manter relacionamentos longos e saudáveis ou só algumas é que o conseguem fazer?

Manter uma relação diria que é mesmo uma arte, e uns têm mais competências relacionais do que outros. De referir porém, que não há relações perfeitas e que mesmo as relações saudáveis têm os seus momentos de crise.

7 - O que devem fazer aqueles que não têm grandes capacidades de relacionamento? A que princípios ou estratégias é que podem recorrer para se tornarem mais hábeis no trato com as outras pessoas?

As competências relacionais é algo que podemos desenvolver, em qualquer fase da nossa vida, com ajuda especializada. A Psicologia, e a Terapia de casal, são uma ferramenta muito útil, no desenvolvimento destas competências.

8 – Qual a melhor forma de lidar com o fim de um relacionamento?

A melhor forma, é enfrentar o fim com realismo e dignidade, e aceitá-lo. Uma relação só é possível quando ambos querem e a desejam. Não se consegue construir nem reparar uma relação quando só um quer permanecer nela.
É importante pensarmos que quando uma relação termina, o que está em causa, não é o valor individual de cada uma das partes, não é uma guerra em que há vencedores e vencidos. É simplesmente um desencontro. È importante não dramatizar, não arrastar   a dor. È importante ter coragem para por um ponto final e não se deixar arrastar no sofrimento. Uma relação só faz sentido quando nos dá mais coisas positivas do que negativas. Quando a balança entra em défice é preciso falar sobre o que esta a acontecer, e avaliar se vale a pena continuar ou não. 

Nestes casos, a  Psicoterapia ou a Terapia de Casal é extremamente útil e eficaz ,e ajuda o individuo ou o casal, a analisar com alguma serenidade o que está a acontecer e a ponderar os vários cenários possíveis.

Entrevista cedida por Maria de Jesus Candeias ao  portal de saúde  MSN Saúde & Bem-Estar, Setembro de 2012.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

“Os rituais levam-nos a fazer balanços e a ver o que é preciso mudar, mas não há milagres: é preciso fazer por isso”

A psicóloga, psicoterapeuta e investigadora Maria de Jesus Candeias, um dos membros fundadores da PsiRelacional, aborda os efeitos psicológicos de um ano negro e o valor dos rituais para entrar num novo ciclo com saúde e resiliência



2020 foi um annus horribilis à escala global. Com perdas e ameaças de toda a ordem, colocou as relações humanas à prova, mas trouxe também a possibilidade de nos reinventarmos e de integrar o que vivemos com um novo olhar, mais empático, flexível, ajustando comportamentos

Quando o ano começou, não imaginávamos ter de testemunhar tanto medo, dor e privação social. Para muitos, foi a impossibilidade de velar os seus mortos, para outros, a ausência de suporte na hora de trazer alguém ao mundo, num ambiente asséptico e sem o contacto físico que tinham por garantido. 

A gestão desta nova realidade não tem de ser um processo traumático se houver espaço para falarmos uns com os outros e reorganizarmos emoções e pensamentos 


“A pandemia tirou-nos o chão e começou por ser vivida como um tempo de estranheza e de desorientação”, reconhece a psicóloga Maria de Jesus Candeias. Porém, “a gestão desta nova realidade não tem de ser um processo traumático se houver espaço para falarmos uns com os outros e reorganizarmos emoções e pensamentos”. 

Para muitos, a maior dificuldade consistiu em gerir o dilema psíquico: a saúde ou a relação? Ficar perdido nessa visão dicotómica pode conduzir a defesas menos saudáveis, pela incapacidade de tolerar o que está a acontecer, que se manifestam em posições extremas, do isolamento excessivo à negação da realidade. O desafio é conseguir integrar a atual realidade e ter em mente que a crise é transitória: “O melhor indicador de saúde mental está na capacidade de ajustar atitudes e comportamentos, com flexibilidade, e dar tempo ao tempo, sem rigidez mental.”

Uma das coisas que este ano com sabor amargo trouxe foi levar-nos a repensar os modelos sociais que nos pautam: “O ‘eu quero, eu tenho; eu desejo e acontece’ geram frustração permanente; há que tolerar a frustração e admitir alguma dose de sacrifício.”

Nesta quadra natalícia, com alívio das restrições a que assistimos nos últimos meses, “é preciso relativizar, ter moderação e adiar a gratificação que virá, respeitando esse tempo de espera com responsabilidade e valores, como a empatia.” 

O poder dos rituais

Com o Novo Ano à porta, importa lembrar a importância dos rituais e das celebrações. Podem ser os velórios, “que têm uma função psíquica de expressar a dor”, ou as comemorações que marcam a transição para um novo ciclo, deixando para trás o anterior. “As datas simbólicas que trazem a possibilidade de esperança e de transmutação no novo ciclo, pois o nascimento de uma ação começa no desejo e no pensamento”, diz Maria de Jesus Candeias.

As celebrações e votos de ano novo têm, por isso, uma função securizante e terapêutica, na medida em que constituem âncoras para nos reorganizarmos: “Os rituais levam-nos a fazer balanços e a ver o que é preciso mudar, mas não há milagres e soluções imediatas, é preciso fazer por isso.” 

Depois de um ano trágico que está a chegar ao fim, há um caminho a percorrer e que é feito de pequenos passos, tendo presente que amanhã é outro dia e que tudo é possível. 

Entrevista cedida por Maria de Jesus Candeias ao Programa Conversas com Saúde da Revista Visão


Supervisão Clínica

  A supervisão de casos clínicos é considerada como um dos três pilares da formação de um psicoterapeuta, juntamente com a própria psicotera...

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