domingo, 31 de maio de 2009

ENURESE NOCTURNA (Quando o xixi na cama não pára...


O fazer chichi na cama tem um nome técnico: enurese nocturna.

O termo deriva a palavra grega “ fazer água”.

As crianças mais novas levam algum tempo até conseguirem controlar os esfíncteres de dia e cerca de um ano depois consegue fazê-lo de noite.

Esse controle ocorre aos dois, três anos de idade mas se for até aos cinco anos não é considerado problemático porque as crianças não se desenvolvem todas ao mesmo tempo, há diferenças entre elas.

É normal que as crianças molhem a cama de vez em quando, especialmente quando são mais novas.

Fazer chichi na cama uma vez ou outra não é considerado um problema.

A enurese só é vista como uma dificuldade a ser tratada quando a criança tem mais de cinco anos, faz chichi na cama duas ou mais vezes por semana durante pelo menos três meses.

A enurese pode ser causada por uma doença orgânica como espinha bífida, diabetes ou bexiga neurogênica: nesses casos, as escapadas de xixi são classificadas como incontinência urinária.

Porém, as causas da enurese nem sempre são fisiológicas mas sim psicológicas ao contrário do que a comunidade médica faz acreditar aos pais.

Factores como a ansiedade e o stress, dificuldades emocionais na criança estão na origem da enurese nocturna.

A incapacidade da criança conter a angustia faz com que não controle os esfíncteres deixando fluir de uma forma simbólica aquilo que não consegue conter.

Mães e pais ansiosos contribuem para a ansiedade dos filhos que pode levar à enurese mais tarde.

Muitas vezes também funciona como chamada de atenção para uma mãe pouco atenta, ou de retaliação para pais autoritários, críticos ou muito exigentes, para com os deveres e obrigações da criança, em que esta incapaz de gerir as emoções, à noite, altura em que está mais descontraído, acaba por libertar a sua angústia através do Xixi.

A forma como os pais reagem à situação é muito importante!
Muitos pais, como forma de tentarem corrigir a situação, através do castigo e da punição, ou da repreensão verbal, por vezes muito dura, aumentam ainda mais a ansiedade da criança, que leva ainda a mais descontrolo durante a noite!
Também não voltem a pôr fraldas, como uma solução prática para o problema, além de ser jovealtamente humilhante para a criança , adia o problema!
Já me chegaram ao consultório jovens com 15 anos a usar fraldas durante a noite porque foi a solução encontrada pelos pais para um menino que apresentava enurese desde sempre, o que foi traumático e humilhante para este jovem.

É fundamental que os pais percebam, que a enurese nocturna, caso não exista nenhum problema fisiológico, é sintomas de uma criança que não está bem emocionalmente, está em sofrimento e precisa de ajuda psicológica.
Não se trata de perguiça ou desleixo da criança.

As crianças, não conseguem por si só resolver este problema, precisam ser ajudadas em termos psicológicos!

Quando mais precoce for a intervenção, mais rápido e fácil o problema se resolverá.

O meu conselho é se até aos 6 anos a criança não consegue controlar os esfinteres nocurnos, dirija-se a um psicólogo e peça uma avaliação psicológica para ver o que se passa.

Grande parte dos problemas de enurese resolvem-se, com sucesso, com algum tempo de psicoterapia, levando ao bem-estar da criança e da família.

Se for este o caso do seu filho, não hesite! Contacte-me!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Esquizofrenia e Psicose


A esquizofrenia é uma perturbação mental grave caracterizada por uma perda de contacto com a realidade (psicose), alucinações, delírios (crenças falsas), pensamento anormal e alteração do funcionamento social e laboral.


A esquizofrenia é um problema de saúde pública muito grave em todo o mundo. A prevalência da esquizofrenia a nível mundial parece ser algo inferior a 1 %, embora se tenham identificado zonas de maior ou de menor prevalência.

Em alguns países, as pessoas com esquizofrenia ocupam cerca de 25 % das camas dos hospitais.

Há várias perturbações que partilham características com a esquizofrenia.

Há várias perturbações que partilham características com a esquizofrenia. As perturbações que se parecem com a esquizofrenia, mas nas quais os sintomas estiveram presentes menos de 6 meses, denominam-se perturbações esquizofreniformes. As perturbações nas quais os episódios de sintomas psicóticos duram pelo menos um dia, mas menos de um mês, chamam-se perturbações psicóticas breves.

Uma perturbação caracterizada pela presença de sintomas do humor, como a depressão ou a mania, juntamente com outros sintomas típicos da esquizofrenia, chama-se perturbação esquizoafectiva.

Uma perturbação da personalidade que pode partilhar sintomas da esquizofrenia, mas na qual os sintomas não são bastante graves para reunir os critérios de psicose, chama-se perturbação esquizotípica da personalidade.

Causas
Muitas correntes teóricas e quase todas as autoridades na matéria atribuem apenas causas biológicas à esquizofrenia.

No entanto o que a prática e a investigação decorrente dai, relata desde há muito ( desde Freud) como principais causas, são relacionais, ou seja, da interacção mãe criança ou pais criança e cuidadores na ausência dos pais.

Condições ambientais adversas tais como abandono, negligência ou uma mãe incapaz de empatizar e ler as manifestações do bébé e que ainda o confunde, nas sensações que apresenta, são na sua maioria factores que contribuíram para a alteração do estado mental da pessoa.

No entanto a esquizofrenia pode ter causas biológicas, são caso desse exemplo as provocadas pela ingestão de substâncias.

Sintomas
A esquizofrenia começa mais frequentemente entre os 18 e os 25 anos nos homens e entre os 26 e os 45 anos nas mulheres.

No entanto, não é raro que comece na infância ou cedo na adolescência.

A instalação pode ser súbita, no espaço de dias ou de semanas, ou lenta e insidiosa, ao longo de anos.

A gravidade e o tipo de sintomatologia podem variar significativamente entre diferentes pessoas com esquizofrenia.

Em conjunto, os sintomas agrupam-se em três grandes categorias:

  1. delírios e alucinações,
  2. alteração do pensamento e do comportamento e
  3. sintomas negativos ou por défice.
Uma pessoa pode ter sintomas de um ou dos três grupos.
Os sintomas são suficientemente graves para interferir com a capacidade de trabalho, de relação com as pessoas e do próprio cuidado.

Os delírios são crenças falsas que, geralmente, implicam uma má interpretação das percepções ou das experiências. Por exemplo, as pessoas com esquizofrenia podem experimentar delírios persecutórios ( são perseguidos), crendo que estão a ser atormentadas, seguidas, enganadas ou espiadas. Podem ter delírios de referência, crendo que certas passagens dos livros, dos jornais ou das canções se dirigem especificamente a elas. Estas pessoas podem ter delírios de roubo ou de imposição do pensamento, crendo que outros podem ler as suas mentes, que os seus pensamentos são transmitidos a outros ou que os seus pensamentos e impulsos lhes são impostos por forças externas. Podem ocorrer alucinações de sons, de visões, de cheiros, de gostos ou do tacto, embora as alucinações de sons (alucinações auditivas) sejam, de longe, as mais frequentes. Uma pessoa pode «ouvir» vozes que comentam o seu comportamento, que conversam entre elas ou que fazem comentários críticos e abusivos.
A alteração do pensamento consiste no pensamento desorganizado, que se torna patente quando a expressão é incoerente, muda de um tema para outro e não tem nenhuma finalidade. A expressão pode estar levemente desorganizada ou ser completamente incoerente e incompreensível.
O comportamento alterado pode tomar a forma de simplismos de carácter infantil, agitação ou aparência, higiene ou comportamento inapropriados.
O comportamento motor catatónico é uma forma extrema de comportamento desorganizado no qual uma pessoa pode manter uma postura rígida e resistir aos esforços para a mover ou, pelo contrário, mostrar actividade de movimentos sem estímulo prévio e sem sentido.
Os sintomas negativos ou por défice da esquizofrenia incluem frieza de emoções, pobreza de expressão, anedonia e associabilidade.
A frieza de emoções é uma diminuição destas. A cara da pessoa pode parecer imóvel; tem pouco contacto visual e não exprime emoções. Não há resposta perante situações que normalmente fariam uma pessoa rir ou chorar. A pobreza de expressão é uma diminuição de pensamentos reflectida no facto de a pessoa falar pouco. As respostas às perguntas podem ser concisas, uma ou duas palavras, dando a impressão de vazio interior. A anedonia é uma diminuição da capacidade de experimentar prazer; a pessoa pode mostrar pouco interesse em actividades anteriores e passar mais tempo em actividade inúteis. A associabilidade é a falta de interesse em relacionar-se com outras pessoas.

Estes sintomas negativos estão, frequentemente, associados a uma perda geral da motivação, do sentido de projecto de vida e das metas a atingir.

Diagnóstico
Não existe uma prova de diagnóstico definitiva para a esquizofrenia.

O psiquiatra ou psicoterapeuta elabora o diagnóstico baseando-se numa avaliação da história da pessoa e da sua sintomatologia.

Para estabelecer o diagnóstico de esquizofrenia, os sintomas devem durar pelo menos 6 meses e associar-se à deterioração significativa do trabalho, dos estudos ou do desenvolvimento social.

A informação procedente da família, dos amigos e dos professores é com frequência importante para estabelecer quando a doença começou.

Prognóstico

A curto prazo (1 ano), o prognóstico da esquizofrenia está intimamente relacionado com o grau de fidelidade com que a pessoa cumpre o plano do tratamento farmacológico.

Sem tratamento farmacológico, 70 % a 80 % das pessoas que experimentaram um episódio de esquizofrenia manifestam durante os 12 meses seguintes um novo episódio.

A administração continuada de medicamentos pode reduzir para cerca de 30 % a proporção de recaídas.

A longo prazo, o prognóstico da esquizofrenia varia. De um modo geral, um terço dos casos consegue uma melhoria significativa e duradoura, outro terço melhora de certo modo com recaídas intermitentes e uma incapacidade residual e outro terço experimente uma incapacidade grave e permanente.

São factores associados a um bom prognóstico o começo repentino da doença, o seu início na idade adulta, um bom nível prévio de capacidade e de formação e o subtipo paranóide ou não deficitário.

Os factores associados a um mau prognóstico incluem um começo em idade precoce, um pobre desenvolvimento social e profissional prévio, uma história familiar de esquizofrenia e a exploração do ambiente familiar ao nível dos afectos.

A esquizofrenia tem um risco associado de suicídio de 10 %. Em média, a esquizofrenia reduz em 10 anos a esperança de vida.

Tratamento

Os objectivos gerais do tratamento são os seguintes: reduzir a gravidade dos sintomas psicóticos, prevenir o reaparecimento dos episódios sintomáticos e a deterioração associada do funcionamento do indivíduo e administrar um apoio que permita ao doente um funcionamento ao máximo nível possível.

Os fármacos antipsicóticos, a reabilitação profissional e as actividades com apoio comunitário e a psicoterapia são os três componentes principais do tratamento.

Quanto mais cedo iniciar o tratamento (farmacológico e psicoterapeutico) maior são as hipóteses de conseguir estabilizar a doença e conseguir uma qualidade de vida razoável ao nível social pessoal e laboral.

No caso das crianças, qualquer sinal de comportamento estranho, desadequado para a idade atraso de desenvolvimento ( fala, raciocínio, relacional) requerem uma intervenção imediata.

domingo, 24 de maio de 2009

Homossexualidade e Lesbianismo: quando pedir ajuda Psicológica?


A homossexualidade ou lesbianismo é uma atracção sexual e preferência por indivíduos do mesmo sexo.

De forma geral fala-se de lésbicas quando nos referimos a mulheres e homossexuais para homens.

No século VII A.C, a homossexualidade era conhecida através de Sapho (Primeira poetisa) habitante da ilha Lesbos na Grécia antiga.
Foi a partir dos poemas dedicados às jovens raparigas com quem ela vivia e iniciava na arte de cantar, escrever poemas e dançar que os poetas aos poucos foram tornando credíveis lendas de amores homossexuais. A palavra “ lésbica “ provém da ilha Lesbos.

Da Grécia antiga permaneceram muitas provas do amor entre pessoas do mesmo sexo, aliás o amor enaltecido na altura não era o amor entre homem e mulher mas sim entre pessoas do mesmo sexo. As numerosas pinturas de vasos, que representavam crianças e efebos praticando ginástica, possuem inscrições do tipo de "calos" que são outras tantas dedicatórias a "formosos rapazes".

A cidade Grega, mesmo evoluída, como a Atenas do século de Péricles, continua a ser um "clube de homens", "um meio masculino fechado" interdito ao outro sexo, no qual a dedicação apaixonada de um homem e de um adolescente de doze a dezoito anos pode ser fomentadora de nobres sentimentos de honra e coragem. O famoso "Batalhão Sagrado" de Tebas, no século IV, é um exemplo típico de bravura colectiva sustentada e cimentada por "amizades especiais".

Admitamos que o amor de Sócrates por Alcibíades se tenha mantido puro, aliás com grande despeito do jovem, mas como dirá Plutarco, " Se o amor dos rapazes renega a voluptuosidade, é porque tem vergonha e teme o castigo; como necessita de um pretexto honesto para se aproximar dos rapazes belos, começa por pôr em evidência a amizade e a virtude. Cobre-se de poeira no ginásio, toma banhos frios, ergue as sobrancelhas; cá fora, dá-se ares de filósofo e de sábio, por causa da lei; depois, à noite, quando tudo repousa, doce é a colheita na ausência do guarda".

Os séculos passaram e a homossexualidade passou a ser considerada como uma doença devido à ignorância e ao preconceito.

No século XX alguns países da Europa tais como a Inglaterra a França e a Alemanha legalizaram as relações homossexuais entre adultos.

A Associação Psiquiátrica Americana devido a pressões e a evidências científicas deixaram de a incluir no DSM como doença.

No entanto ser homossexual ainda traz problemas a quem se assume com essa identidade: perda de emprego, rejeição social, descriminações de vária ordem, ou até prisão como em alguns estados dos Estados Unidos.

A nossa cultura sempre perseguiu os homossexuais, criando tabus e tratando a orientação homossexual como doença, trazendo ao sujeito enormes preconceitos e conflitos internos pela pressão social exagerada.

Aceitar a homossexualidade de alguém numa família é sempre um momento de grande tensão e por vezes de rejeição.

Não raras vezes a pessoa é tolerada no seio da família mas para a sociedade continua a ser negada essa sua identidade.

Os companheiros/parceiros aparecem como amigos de faculdade, partilha de casa, colegas de emprego, mas nunca são apresentados como parceiros de vida.

Mas, felizmente nem todas as famílias reagem assim, aceitando essa escolha tal como aceitariam outra de natureza heterossexual.

Apesar das investigações indicarem a formação da identidade de género como algo que se forma na relação com as figuras significativas da vida da pessoa, temos que entender duma vez por todas é que o homossexual não é doente e não existe tratamento para a homossexualidade.

Sucede muitas vezes, também, é que a própria pessoa pensa que se aceita como homossexual mas quando testado em situações práticas reage de forma contrária, porque a sua identidade sexual não está definida.

E é importante relembrar que ter práticas homossexuais não quer dizer que a pessoa tenha essa identidade sexual definida.

Quando essa definição não está concretizada e isso causa sofrimento à pessoa então estamos a falar de doença. Mas estamos a falar de doença a um nível da emoção, do sentimento que tem a ver com indefinições e não com o acto em si.

São estes casos que procuram ajuda psicológica, os que não vivem bem com a sua orientação, ou que não sabem o que são, ou que não conseguem viver e lidar com o estigma social.

Se um psicólogo que atender um caso de homossexualidade no seu consultório disser que tem tratamento para a homossexualidade está a induzir em erro o paciente.

Não são raras as situações em que os pais de jovens confrontados com essas escolhas os obrigam a ir a consultas afim de “ tratar” esse problema.


A homossexualidade não é doença e não existe tratamento!

Não conseguir viver com esses desejos, reprimi-los, escondê-los, criar uma vida dupla ou negá-los para si próprio e para os outros é que já é considerado problema.

Aí, talvez o melhor seja mesmo procurar ajuda de um psicoterapeuta para o ajudar a perceber-se melhor e a lidar com esses sentimentos.

Uma sexualidade reprimida poderá levar a estados depressivos graves!

É nesta área que a psicoterapia pode ajudar: na ajuda ao paciente na definição da sua identidade sexual, saber lidar com a discriminação e preconceito social, ajudá-lo a enfrentar as tensões e conflitos familiares, no fundo a sentir-se bem com a sua orintação sexual, sem vergonha ou medo do exterior.

Se for este o seu caso e estiver em dificuldades , não hesite, contacte-me!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Amor, Ciúmes, Loucura e Morte


De um modo geral considera-se que os ciúmes se encontram em estreita correlação com o amor de um sujeito a um objecto (o objecto amado em termos gerais; em concreto, a pessoa amada que, neste contexto, é objecto de ciúmes).

Dizendo-o metaforicamente , é frequente - ou melhor, tem sido frequente - quantificar o amor pela pessoa amada mediante a intensidade dos seus ciúmes, chegando-se ao ponto de muitas vezes se duvidar do amor de alguém que diz estar enamorado e não sente ciúmes em relação ao objecto do seu amor (Amor sem ciume, não é amor, Léautaud); ou de outra forma, "provocando-se ciúmes" ao enamorado para incrementar o seu desejo do objecto amado e que se consideram equiparáveis à intensidade do amor.


Esta "teoria" dos ciúmes é partilhada por quantos se sentem ou julgam sentir amados pelo sujeito ciumento: é-lhes gratificante, nesses momentos, transformarem-se em dominadores da situação e manipulam o ciumento com o seu galanteio.

Alem disso, é vulgar que usem de algum tipo de chantagem e sem o expressar se façam “comprar” por ele colocando o seu preço cada vez mais alto. Não há duvidas que algumas pessoas adoptam uma estratégia comportamental bastante eficaz para que surjam ciúmes no amante.


Por outro lado, muitas vezes e, na sua maioria, o objecto de desejo converte-se num autentica vitima do ciumento (numa relação que dura anos e que já não é inspirada pelo desejo do objecto e que se tem constantemente ao lado) não sendo esses ciúmes inspirados pelo amor, mas sim por outra questão.



O que inspira os ciúmes não é o amor mas sim o sentimento de não ser amado ( o Ódio de não ser amado), pois as vitimas dizem ter motivos suficientes para sentirem que o ciumento não os ama, e que fora dos momentos de angustia suscitados pelos ciúmes sentem e demonstram uma verdadeira indiferença afectiva pelo outro.


É esta a dinâmica dos ciúmes numa relação triádica uma vez que só se pode falar de ciúmes quando aparece um terceiro elemento, o rival que compete com o ciumento pela propriedade do objecto amado.

Não raras vezes o ciumento alucina essa relação, que faz parte da sua imaginação, conduzindo-se à loucura a si e ao outro, num delírio psicótico destrutivo.

A loucura é uma forma de existência. Como é o da prudência. Mas alem disso, é um projecto de existência para o louco e, por isso, a sua razão de viver, o que dá sentido à sua vida.

Assim, só sabe existir desta forma, tentando encontrar em todos os gestos do outro motivo que justifique o seu ciúme e, quando o louco encontra motivos para a sua loucura tudo fica menos angustiante e a vida passa a ser mais suportável.

Não é concebível amar - desejar a posse total de alguém - sem a angústia que suscita a insegurança em relação à própria posse.

E também a ulterior angústia de que esse objecto, que neste momento cremos possuído, porque declara amar-nos, possa perder-se posteriormente, quer porque deixe de amar-nos, quer, o que é pior, porque, além disso, nos possa ser subtraído por amor a um terceiro.

Toda a relação, desde a mais precoce (com quem nos concebeu) requer segurança, que como já tenho vindo a explicar noutros postes, é a base da nossa personalidade.

Somos mais ou menos seguros, conforme o que experimentamos ao longo dos nossos primeiros anos de vida.

Se tivemos relações de segurança com as nossas figuras de referência então seremos adultos seguros. Se isso não aconteceu, poderão estar criadas as condições para mais tarde sobressair uma estrutura de personalidade insegura, ciumenta e maltratante na relação com o objecto amado nas relações adultas.

No entanto as nossas relações na vida social são quase sempre baseadas em graus de confiança mínima, mas que não apresentam níveis de desconfiança exacerbados.

Podemos assim, mediante essa confiança mínima, realizar coisas e estabelecer relações sem que nos sintamos perseguidos ou ciumentos.

Mas, o sujeito ciumento, apresenta graus de desconfiança que chegam a rondar a paranóia, quando pensa que perdeu a posse do objecto. Não é o pensar que não é amado que causa os ciúmes, mas sim a perda da posse do objecto, isso sim é elouquecedor, podendo em grau extremo, quando o ciumento (aplica-se a ambos os sexos) alucina e passa para estados psicóticos levar à morte do objecto e do sujeito num acto de loucura.

Os crimes passionais têm por base uma estrutura de personalidade paranóide e psicótica onde a desconfiança, a incerteza e a insegurança crescem dia a dia, até à passagem ao acto: a morte do objecto de deixa assim de pertencer ao outro.

Não há ciúmes normais. Os ciúmes são anómalos ainda que sejam frequentes e pouco intensos.

Por mais frequentes que sejam nas relações interpessoais, especialmente os que se revestem em relação amorosa, são sempre reveladores de uma situação não superada pelo sujeito.

Acima de tudo é uma situação crónica que vai subindo a gradação dos ciúmes, insuperáveis e incuráveis na sua maioria, por não serem considerados pela sociedade uma situação de doença.

OS CIÚMES são uma doença.
Não é só considerado doença a partir de um certo grau, aliás quem tem autoridade para falar disso são as vitimas que sabem quando já não suportam mais, mas essas, raramente vão a consultas de psicologia ou psiquiatria para que possam falar disso.

Amor, ciúmes, loucura e morte estão separados por muito pouco, coexistindo na vida de muitos casais de todas as orientações sexuais, tornando-a num inferno onde por vezes não é possível escapar, levando à morte lenta de vidas que ficam suspensas no delírio de alguém.

Se é vitima ou portador de ciumes incontroláveis procure ajuda, ainda pode estar a tempo de mudar a sua vida.


Contacte-me!

domingo, 10 de maio de 2009

Perturbação Bipolar


A Perturbação Bipolar (tradicionalmente designada por Perturbação Maníaco-Depressiva) caracteriza-se por oscilações recorrentes entre estados de euforia (mania) e depressão, ou seja, implica uma variação marcada em termos de humor, intercalando com períodos mais estáveis.

Estas oscilações repentinas e, como tal, inesperadas, apresentam uma forte repercussão ao nível das emoções, ideias e comportamentos da pessoa, influenciando em larga escala o seu bem-estar físico e psíquico, bem como dos familiares mais próximos.

Tipicamente, os sintomas começam durante a adolescência, ou numa primeira fase da vida adulta, e continuam a ocorrer periodicamente ao longo da vida.

A Perturbação Bipolar é altamente lesiva e incapacitante para o indivíduo e afectam-no quer a nível social, quer a nível físico e psicológico.

As consequências desta doença podem ser devastadoras e podem conduzir ao divórcio, desemprego, alcoolismo e abuso de drogas.

Estima-se que esta doença afecte actualmente entre 1,3 e 1,6% da população mundial, sem diferenças significativas entre homens e mulheres, sendo muito importante a realização de um diagnóstico precoce, sendo que o papel do paciente é muito importante neste processo, pois, por vezes, há uma certa resistência em procurar ajuda, o que conduz ao agravamento dos sintomas.

A perturbação bipolar é geralmente agravada pela ingestão de álcool ou abuso de substâncias.

Sem tratamento eficaz, a doença bipolar conduz ao suicídio em quase 20% dos casos.

Estima-se que entre 25% a 50% dos doentes com perturbação bipolar tentam o suicídio, sendo que em 10% a 20% as tentativas são bem sucedidas. Esta é uma das taxas mais elevadas no âmbito das perturbações do foro psiquiátrico

Sintomas e Diagnóstico

A perturbação bipolar envolve ciclos de mania e depressão. Estes dois estados de humor podem ser considerados como os extremos opostos de um intervalo.


Num dos extremos encontra-se a depressão grave; depois a depressão moderada; perturbações de humor ligeiras e breves (que muitas pessoas designam por "melancolia"); humor normal; hipomania e mania.

Algumas pessoas com perturbação bipolar não tratada apresentam episódios de depressão repetidos e apenas um episódio ocasional de hipomania (bipolar tipo II).

No outro extremo, a mania pode ser o problema principal e a depressão pode ocorrer apenas ocasionalmente.
O reconhecimento dos diferentes estados do humor é essencial para que a pessoa com perturbação bipolar possa obter um tratamento eficaz e evitar as consequências negativas da doença (destruição das relações pessoais, perda de emprego e suicídio).


  • Entre os sinais e sintomas de mania incluem-se períodos de:
    Sentimentos excessivamente "elevados" ou eufóricos
    Energia aumentada, actividade, agitação, pensamentos rápidos e verborreia
    Auto-estima exageradamente aumentada
    Irritabilidade extrema e dificuldade de atenção
    Necessidade reduzida de sono
    Crença não realista nas suas capacidades e poderes
    Capacidade de julgamento incaracteristicamente pobre
    Período consistente de comportamento diferente do habitual
    Aumento do estímulo sexual
    Abuso de drogas, particularmente cocaína, álcool e medicamentos para dormir (benzodiazepinas) Comportamento provocante, inoportuno, ou agressivo
    Negação de que alguma coisa esteja errada
  • Entre os sinais e sintomas de depressão incluem-se períodos de:
    Tristeza, ansiedade ou humor muito diminuído de forma persistente
    Sentimento de desespero ou pessimismo
    Sentimentos de culpa inapropriada, demérito, ou abandono
    Perda de interesse ou prazer em actividades quotidianas, incluindo sexo
    Perda de energia, sentimento de fadiga ou de estar a 'abrandar'
    Dificuldade de pensamento, concentração, memória ou tomar decisões
    Inquietação ou irritabilidade
    Dificuldades em dormir, ou dormir excessivamente
    Perda de apetite e peso, ou ganho de peso
    Pensamentos repetidos de morte ou suicídio; tentativas de suicídio
Um episódio inicial da doença pode ser hipomania, na qual a pessoa demonstra um alto nível de energia, humor excessivo ou irritabilidade e comportamento impulsivo ou imprudente.
A hipomania pode constituir um aspecto positivo para a pessoa que a apresenta, de modo que são a família e os amigos que aprendem a reconhecer as oscilações do humor, pois o indivíduo nega muitas vezes que alguma coisa esteja errada.
Nos seus estádios iniciais, a perturbação bipolar pode surgir como um problema diverso de outras doenças mentais. Por exemplo, pode aparecer primeiro como abuso de drogas ou de álcool, ou mau desempenho escolar ou profissional.
Se não for tratada, a perturbação bipolar tende a agravar e a pessoa apresenta episódios de mania e depressão clínicas francas.
A depressão e a mania graves podem ser acompanhadas por períodos de psicose. Os sintomas psicóticos incluem:
  • Alucinações (cheirar, observar, ou sentir coisas que de facto não existem)
  • Delírios (falsas crenças baseadas no ilógico, apesar da existência de evidências em contrário).
Os sintomas da mania e da depressão podem estar presentes ao mesmo tempo (estado misto). Os sintomas incluem frequentemente agitação, problemas de sono, uma alteração significativa no apetite, psicose e ideias suicidas.
Um humor deprimido acompanha a activação da mania. Os sintomas (mania, depressão, ou estado misto) estão muitas vezes limitados a diferentes episódios da doença.
Estes episódios estão separados por períodos durante os quais a pessoa apresenta sintomas reduzidos ou mesmo ausentes.
Alguns episódios podem durar 1 ano enquanto que outros podem demorar tão pouco como algumas horas, dependendo do doente.
Com o tempo, os episódios tornam-se mais frequentes. Quando ocorrem quatro ou mais episódios num período de 12 meses, diz-se que a pessoa tem perturbação bipolar com ciclos rápidos. Na maioria dos doentes, o número de episódios que ocorrem ao longo da vida é aproximadamente de 8 a 10, mas em muitos casos este número é superior. Na perturbação bipolar com ciclos rápidos, podem surgir 4 ou mais episódios anualmente.
Quais as causas da perturbação bipolar?
Os doentes com perturbação bipolar aparentam falta de estabilidade na transmissão dos impulsos nervosos ao cérebro, tornando-se, por isso, mais vulneráveis ao stress emocional e psíquico.
Além do mais, experiências e vivências com stress e doenças do foro psíquico podem conduzir à perturbação bipolar, sendo que algumas pessoas consideram que certos eventos ou situações podem culminar numa situação de doença bipolar.
Os estudos sobre a doença parecem inclinar-se também para a possibilidade de existir uma componente genética na ocorrência da perturbação bipolar: um estudo revela que 13% das pessoas com perturbação podem tornar-se bipolares.
Que tipo de tratamento é o indicado para esta doença?

A maioria das pessoas com perturbação bipolar podem ser ajudadas com tratamento.
Quase todas as pessoas (mesmo aquelas com as formas mais graves da doença) podem conseguir a estabilização das suas oscilações do humor, e viver de forma tranquila, com uma qualidade de vida satisfatória.
Uma vez que a perturbação bipolar é geralmente uma doença crónica e os sintomas recidivam muitas vezes, é altamente recomendado o tratamento profiláctico a longo-prazo.
Assim, nestes casos é aconselhada uma terapêutica combinada entre uma
terapia farmacológica (medicamentos estabilizadores de humor, antidepressivos e neurolépticos) aliada à Psicoterapia.

A Psicoterapia torna-se indispensável para o sucesso do tratamento, para que a pessoa se sinta o mais confortável possível e aprenda novas estratégias de actuação em situações de crise.
Não deixe que a depressão tome conta da sua vida! Vale a pena viver! Acredite que existe solução para o seu problema.
Peça ajuda especializada!
Cuide de si!
Contacte-me!

Tristeza ou Depressão?

Artigo publicado in " Saúde Activa", Outubro de 2010, por Maria de Jesus Candeias, Psicoterapeuta A tristeza é uma reacção ...

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