domingo, 26 de abril de 2009

Violência Escolar ( Bullying)

O Bullying ( Violência Escolar) é um termo de origem inglesa que descreve actos de violência física ou psicológicos praticados por um ou mais indivíduos com o objectivo de intimidar um indivíduo ou um grupo mais fraco.

A violência escolar ("bullying") é uma fenómeno cada vez mais frequente e visível, trazendo uma multiplicidade de consequências nas vítimas, nomeadamente em termos da sua auto-estima e até da sua saúde física e psicológica.

O Bullying pode surgir de duas formas: directa e indirecta, este ultimo mais enquadrado na agressão social.

O bullying directo é mais praticado por indivíduos do sexo masculino e o indirecto por raparigas que embora não seja muito sinalizado é mais vulgar, passando no entanto mais despercebido.

O bullying indirecto, mais frequente em raparigas e em crianças pequenas, manifesta-se recorrendo a várias situações, tais como, espalhar comentários pejorativos, recusa em socializar com a vítima, intimidar outras pessoas que insistam em socializar-se com a vítima, criticar modo de vida, roupa, calçado etc., levando a vítima ao isolamento social.

Assim, a violência escolar pode ser traduzida em comportamentos anti-sociais, delinquência, vandalismo e comportamentos de oposição, sendo definida como actos de violência física e psicológica, intencionais, repetidos e sistemáticos, ou seja, diferem dos episódios pontuais de conflito entre pares de igual estatuto ou poder, sendo praticados por um ou mais indivíduos que escolhem vítimas mais fracas ou mais novas, cuja capacidade de defesa seja diminuta em relação aos agressores.

O "bullying" envolve uma multiplicidade de comportamentos, tais como:

- actos de agressividade física

- agressões verbais

- comportamentos de manipulação social ou indirectos

- maus-tratos psicológicos

- ataques à propriedade

Mas será que todas as vítimas são passivas, ou seja, deixam-se submeter por estes agressores?


Existem dois tipos de vítimas: as que são efectivamente passivas, ou seja, inseguras, ansiosas e incapazes de se defenderem e as agressivas, de temperamento exaltado e que retaliam o ataque, ou seja, são agredidas e agridem também.

Quais são os principais efeitos do "bullying", sinais de alarme e como é que as vítimas podem ser ajudadas?

O bullying persistente pode ter uma multiplicidade de efeitos sobre a vítima, constituindo indubitáveis sinais de alarme, e que transmitem que algo se passa com a criança/jovem e que a mesma necessita de ajuda profissional.

- Efeitos sobre o indivíduo poderão incluir:

> Problemas gástricos

> Dores não-especificadas

> Medo de expressar emoções

> Problemas relacionais

> Abuso de drogas e álcool

> Auto-mutilação

> Baixa auto-estima

> Isolamento social

> Depressão

> Recusa escolar

> Diminuição do rendimento académico


No entanto aquilo que queria reflectir e partilhar aqui convosco é sobre quem são estes rapazes e raparigas que agridem, e outros que se deixam intimidar e são agredidos.

Existem várias teorias, desde as ligadas à educação, às da vertente sociológica (baseadas em diversos estudos de campo) e até politicas, relacionadas com as directrizes governativas face á educação. Todas elas estão interligadas e quase todas têm razão.

Agressores e agredidos aparecem em consulta privada com regularidade, quando os pais ainda conseguem perceber que os filhos e os próprios pais têm um problema. Ambos Pedem ajuda!


Quem são os agressores?

São crianças que de alguma forma foram sujeitos ou a uma repressão severa em casa, nunca lhes sendo permitido manifestar algum tipo de agressividade (a agressividade é normativa, faz falta para a vida adulta como impulsionadora para realizar coisas) são os filhos obedientes e bonzinhos, que nunca deram problemas aos pais, mas que foram sujeitos a uma educação demasiado repressiva, ou os filhos sujeitos a grandes doses de violência, com a qual se começam a identificar e a agir sobre os outros como modelo relacional interiorizado.

Aqueles que nunca conseguiram manifestar discordância aos pais e revoltarem-se podem de igual forma agir a agressividade com outros como forma de libertarem a raiva contida, impossível de pensar.

No entanto é mais vulgar estes rapazes serem vítimas, como repetição do modelo de autoridade a que foram sujeitos. Vulgarmente aparecem em consulta rapazes entre os doze e os catorze anos, trazidos pelos pais, por outros motivos distintos daqueles que depois se vêem a verificar.

O pedido inicial tem a ver muitas vezes com as aprendizagens escolares insatisfatórias, sintomas de irritabilidade, destruição de objectos (portas e outros mobiliários) em momentos de raiva não contida, choro intenso sem motivo aparente, queixas seguidas da escola entre outros, recusa em ir á escola, este é o pedido dos pais, o pedido dos filhos é bem diferente, vulgarmente uma revolta muito grande com os pais por uma falta de afecto sentida (foi essa a construção mental da criança face á leitura dos acontecimentos de vida) ou queixas de agressões verbais e físicas na escola que escondem aos pais por medo e vergonha de serem mais humilhados ainda.

Por traz destas crianças estão quase sempre pais muito ausentes física e afectivamente que fizeram o melhor que sabiam mas que foram lidos de forma menos saudável e que propiciaram o terreno para que a depressão se instalasse. Quase sempre se encontra estruturas de personalidade depressivas em vítimas e agressores.


No bullying do meu ponto de vista não existem bons e maus, ambos são vitimas que necessitam de ajuda psicoterapêutica, única forma de interromper um ciclo de violência contida e agida.

A salvaguardar que em casos extremos de vitimização constantes o sofrimento emocional é tão intenso que poderá conduzir a actos extremos contra o próprio: o suicídio.

Em 2002 na Inglaterra Hamed Nastoh, suicidou-se depois de ser vítima de bullying continuado, sem nunca ter revelado aos pais o que lhe sucedia na escola.

Se pensarmos que por cada criança que passa por uma psicoterapia o numero de pessoas que é beneficiada (família e sociedade) e o ciclo geracional que é possível ser interrompido talvez seja fácil de imaginar o dinheiro que o estado poupa em internamentos, prisões, medicamentos, e outras repercussões sociais que se alastram por contactos interpessoais.

domingo, 19 de abril de 2009

Ansiedade Generalizada


A Ansiedade Generalizada é uma perturbação de forte desgaste mental e emocional - "moer" é mesmo o termo que me ocorre como o que melhor se lhe aplica.

A ansiedade generalizada consiste numa preocupação e numa ansiedade excessivas e quase diárias (com duração superior ou igual a 6 meses) acerca de uma variedade de actividades e de acontecimentos.

Caracteriza-se por um nível de preocupação excessivo e incontrolável acerca de questões quotidianas, sendo 'preocupação' definida como um processo de raciocínio que diz respeito a acontecimentos futuros que albergam incerteza quanto ao seu resultado, acontecimentos estes que são vistos genericamente a uma luz negativa, e que são acompanhados por sentimentos de ansiedade.

A ansiedade é uma resposta ao stress, como a interrupção de uma relação importante ou o ver-se exposto a uma situação de desastre com perigo de vida.

EPIDEMIOLOGIA

As perturbações por ansiedade são a perturbação psiquiátrica mais frequente.
Cerca de 3 % a 5 % dos adultos apresentam-na em algum momento durante um ano.

As mulheres têm o dobro das probabilidades de a manifestar.
Começa, frequentemente, na infância ou na adolescência, mas pode apresentar-se em qualquer idade. Para a maior parte das pessoas, esta condição é flutuante, piorando em determinados momentos (sobretudo em épocas de stress) e persiste ao longo de muitos anos.

SINTOMATOLOGIA

  • A ansiedade e a preocupação da ansiedade generalizada são tão extremas que são difíceis de controlar. Além disso, a pessoa experimenta três ou mais dos sintomas seguintes:
  • enxaquecas
  • · inquietação,
    · cansaço fácil,
  • · irritabilidade,
    · tensão muscular ,
    · alteração do sono,
  • dificuldade em concentrar-se,
  • sensação de falta de ar,
  • dor no peito,
  • dores de cabeça,
  • preocupação exagerada com problemas quotidianos
As preocupações são bastante naturais; entre as mais frequentes encontram-se as das responsabilidades no trabalho, o dinheiro, a saúde, a segurança, as reparações do carro e os trabalhos diários.
A intensidade, a frequência ou a duração das preocupações são desproporcionadamente maiores do que as requeridas pela situação.
Evolução e Causas da Ansiedade

A ansiedade pode aparecer subitamente, como o pânico, ou gradualmente ao longo de minutos, de horas ou de dias.
A duração da ansiedade pode ser muito variável, indo de poucos segundos a vários anos. A sua intensidade pode ir de uma angústia pouco perceptível a um pânico estabelecido.
A ansiedade actua como um elemento dentro de um leque amplo de respostas de acomodação que são essenciais para a sobrevivência num mundo perigoso. Um certo grau de ansiedade proporciona uma componente adequada de precaução em situações potencialmente perigosas.
Na maior parte dos casos, o nível de ansiedade de uma pessoa sofre alterações apropriadas e imperceptíveis ao longo de um espectro de estados de consciência desde o sono até à vigília, passando pela ansiedade e pelo medo e assim sucessivamente.
Em alguns casos, no entanto, o sistema de resposta à ansiedade funciona incorrectamente e é ultrapassado pelos acontecimentos; neste caso pode manifestar-se uma perturbação por ansiedade.
Diversas teorias sustentam que a ansiedade generalizada pode estar associada a conflitos psicológicos subjacentes. Estes conflitos estão frequentemente relacionados com inseguranças e atitudes autocríticas que são autodestrutivas e ameaçadoras para o sujeito.
As pessoas reagem de forma diferente aos acontecimentos. Por exemplo, algumas pessoas gostam de falar em público enquanto outras ficam apavoradas. A capacidade de suportar a ansiedade varia segundo as pessoas e pode ser difícil determinar quando se trata de uma ansiedade anormal.
No entanto, quando a ansiedade se apresenta em momentos inadequados ou é tão intensa e duradoura que interfere com as actividades normais da pessoa, então é considerada como uma perturbação.
A ansiedade pode ser tão stressante e interferir tanto com a vida de uma pessoa que pode conduzir à depressão.
Algumas pessoas têm uma perturbação por ansiedade e, ao mesmo tempo, uma depressão. Outras desenvolvem, primeiro, uma depressão e, depois, uma perturbação por ansiedade.
Tratamento
Infelizmente os fármacos são o tratamento preferido, por médicos e pacientes, para a ansiedade generalizada.
Habitualmente prescrevem-se fármacos ansiolíticos, como as benzodiazepinas, no entanto, quero alertar para o facto de que, além de que o uso de benzodiazepinas a longo prazo pode criar dependência, os problemas que estão subjacentes e dão origem ao estado ansioso não são resolvidos, pelo que terminada a farmacologia, os níveis de ansiedade aumentam novamente.
Para muitas pessoas, e na minha prática clínica a Psicoterapia tem-se revelado muito eficaz, ajudando o paciente a compreender e a resolver conflitos psicológicos internos, com o consequente desaparecimento dos sintomas e aumento do bem estar físico e psicológico do paciente.
Com a Psicoterapia os resultados começam a aparecer muito rapidamente passadas 8-12 semanas os sintomas desaparecem, e a vida passa a ser vivida e olhada de forma mais tranquila e confiante.

Não deixe que a ansiedade tome conta da sua vida! Cuide de si! Contacte-me!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Só amor não basta...

A seguir ao Amor, a Disciplina é a segunda dádiva mais importante que os pais devem dar à criança. (Brazelton, 1996).

A palavra "disciplina" deriva de "discípulo
" e tanto uma quanto outra palavra, tem origem no termo latino para pupilo que, por sua vez, significa instruir, educar treinar, dando ideia de modelagem total de carácter.

Assim, a palavra disciplina, além de significar, em sentido académico, matéria, aula, cadeira ou cátedra, também é utilizada para indicar, em educação, a disposição dos alunos em seguir os ensinamentos e as regras de comportamento.

Então o que é disciplinar ?

Disciplinar significa “ensinar”, e não castigar.
Logo, a interiorização de regras passa por ensinar a criança.


As provocações das crianças, as birras, as mordidelas, mexer no, que não pode, mandar coisas ao chão, comportamentos violentos, entre outros, são a forma que as crianças encontram para que os pais lhe digam:

• Quais são os seus limites;
• O que ela pode ou não fazer,
• Compreender dentro de si o que está bem e o que não está bem;

As crianças sentem que precisam de disciplina e tentam abusar, para obrigarem os pais a impor limites.

O que são regras? O que é a disciplina ?

As Regras são normas de conduta em sociedade ( utilização de espaços, boas maneiras, respeito pelos pertences dos outros etc.)
A Disciplina tem a ver com a imposição de limites, internos primeiro e depois externos.

A Disciplina começa ao nascer, ou antes (quando a criança ainda está no útero depende dos hábitos da mãe) e está intimamente ligado com a aprendizagem das regras sociais (quem não tem limites não tem regras).

O que são limites?
Algo que não é visível ( está implícito) mas que determina o que pode ser feito e o que não pode. Define até onde a criança pode ir.
Os limites vão sendo construído internamente nos interditos (aquilo que não é dito) dos pais.
Ao estabelecerem durante os primeiros anos de vida da criança limites firmes, mas carinhosos, os pais ajudam-na a formar os padrões internos de que irá necessitar ao logo da vida.

Se não são disciplinadas, as crianças começam a ficar “mimadas”.


Objectivos da disciplina
Ajudar a criança a aprender o auto controlo:
  • Reconhecer os próprios impulsos: Como são desencadeados como podem magoar os outros e como os controlar.
  • Reconhecer os seus sentimentos e aquilo que lhes está subjacente: Identifica-los, expressa-los ou mantê-los escondidos, caso seja necessário.
  • Compreender os sentimentos dos outros: compreender as suas causas, preocupar-se com aquilo que os outros sentem e reconhecer o efeito que os seus actos tem sobre os outros.
    Ajuda a criança a desenvolver um sentido de justiça e a motivação para se comportar de forma justa.
  • O altruísmo: a descoberta da alegria de dar, e até de fazer sacrifícios por outros seres humanos.


    Algumas sugestões para lidar com as provocações da criança….

    • Dê-lhe outros modelos ou ideias de como se pode comportar;
    • As regras devem ser adaptadas ao desenvolvimento da criança;
    • Os pais devem ter em conta a sensibilidade da criança;
    • Os pais devem tentar não interferir quando os filhos estão com outras crianças

    Algumas Dicas para lidar com uma birra…
    Afastem-se, mas apenas por um breve período;
    Passada a crise, abracem-na e acarinhem-na e expliquem-lhe porque é que isso foi necessário;
    Digam-lhe como é que se deveria comportar na situação;
    O castigo físico tem grandes desvantagens;


  • Mas, a mais importante de todas as regras….

    Nunca se esqueça de Elogiar o seu filho quando ele não se está a comportar mal e dizer-lhe o quanto se orgulha dele.


    A Disciplina é fundamental na educação da criança e se não for feita na infância, a sua posterior aquisição será mais difícil.
    Sem elas os desafios dos anos futuros serão ainda mais difíceis.

    Se sente que neste momento está em dificuldades com o seu filho e não consegue controlar a situação, peça ajuda a um psicólogo!
  • Uma intervenção precoce pode corrigir atempadamente a formação de “pequenos ditadores” e restabelecer o equilíbrio e o desenvolvimento saudável da criança e da própria familia.

Pode contar comigo!

domingo, 5 de abril de 2009

Perturbação Obsessiva-Compulsiva


É uma perturbação muito frequente (segundo alguns estudos, é a 4ª perturbação psicológica mais frequente, afectando 1 em cada 40 adultos), mas com contornos muito individualizados - cada caso é um caso - e, por isso, difícil de explicar em poucas linhas.

De uma forma genérica, trata-se de uma perturbação da ansiedade caracterizada por obsessões e compulsões.

As obsessões são pensamentos e imagens, intrusivos e indesejados, que a pessoa sente que não consegue controlar, e que a fazem sentir-se extremamente ansiosa.

As compulsões são comportamentos ou actos mentais repetitivos e rígidos que acabam por ser protectores na medida em que, de uma forma algo mágica, fazem baixar a ansiedade logo após terem sido executados.

A obsessão compulsiva caracteriza-se pela presença de ideias, de imagens ou de impulsos recorrentes, não desejados, invasores que parecem sem sentido, estranhos, indecentes ou aterradores (obsessões) e, ao mesmo tempo, uma urgência ou uma compulsão para fazer algo que liberte da incomodidade causada pela obsessão.

Podem existir pacientes que só apresentem obsessões sem que passem ao acto, ou seja, que executem rituais compulsivos.

Os temas obsessivos omnipresentes são o dano, o risco ou o perigo. Entre as obsessões mais frequentes estão as preocupações pela contaminação, pela dúvida, pela perda e pela agressividade.

Caracteristicamente, as pessoas com uma perturbação obsessivo-compulsiva sentem-se impulsionadas a efectuar rituais (actos repetitivos, com um propósito, intencionais).

Os rituais utilizados para controlar uma obsessão incluem lavar-se ou limpar-se para se libertar da contaminação, verificações repetitivas para suprimir as dúvidas, guardar as coisas para que não se percam e evitar as pessoas que pudessem ser objecto de agressão. De um modo geral, os rituais consistem na lavagem excessiva das mãos ou na verificação repetitiva para se assegurar de ter fechado a porta. Outros rituais são mentais, como o cálculo repetitivo ou fazer afirmações para diminuir o perigo.
A obsessão compulsiva é diferente da personalidade obsessivo-compulsiva.

As pessoas podem ter uma obsessão por qualquer coisa e os seus rituais não estão sempre ligados de forma lógica à incomodidade que se tenta aliviar. Por exemplo, uma pessoa que está preocupada com a contaminação pode ter sentido alívio uma vez ao ter metido casualmente a sua mão no bolso. A partir desse momento, cada vez que surge uma obsessão relacionada com a contaminação, introduz repetidamente a sua mão no bolso.

Em geral as pessoas com perturbações obsessivo-compulsivas estão conscientes de que as suas obsessões não reflectem riscos reais.
Reconhecem que o seu comportamento físico e mental é excessivo ao ponto de chegar a ser insólito. Porém não conseguem alterar o rumo dos seus pensamentos. Daí a diferença entre a obsessão compulsiva e as perturbações psicóticas, nas quais as pessoas perdem contacto com a realidade.

A obsessão compulsiva afecta cerca de 2,3 % dos adultos e acontece aproximadamente com a mesma frequência nas mulheres e nos homens.
Como as pessoas afectadas por esta perturbação temem a vergonha de serem descobertas, realizam, com frequência, os seus rituais de modo secreto, embora estes lhes tomem várias horas por dia.
Cerca de um terço das pessoas com uma obsessão compulsiva encontra-se em estado depressivo quando se diagnostica a perturbação. No conjunto, dois terços sofrem de depressão em algum momento.

Tratamento

A Psicoterapia revela-se de grande eficácia para as pessoas com obsessão compulsiva.
Por vezes numa fase inicial pode ser necessária uma combinação da psicoterapia com a farmacoterapia.

O problema destes pacientes muitas vezes é acreditarem que sozinhos conseguem controlar a situação, dominar os seus próprios pensamentos, acabando por deixar arrastar a situação durante vários anos, e só nos chegam muitas vezes, em extrema gravidade, quando perderam o controlo total sobre as suas vidas e percebem que já não conseguem funcionar, ou quando alguém os obriga a pedir a juda!
Um caso
O cliente estava desesperado. Ao longo dos anos em que durava o problema, apesar de alguns períodos em que parecia que melhorava, o facto é que a situação, gradualmente, se agravava e, nesse momento, tinha, já, proporções assustadoras.A sua qualidade de vida tinha baixado bastante: cada vez mais isolado e cada vez mais impossibilitado de se conseguir organizar no tempo. As suas obsessões perseguiam-no dia e noite.
Os seus comportamentos compulsivos eram vistos como bizarros pelas pessoas que o rodeavam, determinando o seu progressivo afastamento e um sofrimento grande por se sentir incompreendido e estranho. O tempo que era consumido em hospitais e a fazer análises roubava-lhe a possibilidade de investir o seu tempo de uma forma útil e agradável. A sua grande obsessão era ser contaminado pelo vírus HIV, ou por alguma outra doença grave. Além do sofrimento diário com estas ideias obsessivas, os seus comportamentos compulsivos eram muito visíveis e consumiam muito tempo: Ia quase diariamente às urgências do Hospital, com sintomas diferentes, para que lhe fizessem análises. Por vezes intercalava com análises em clínicas privadas, para confirmar que estava contaminado. O seu lado "mais saudável" permitia que reconhecesse a irracionalidade do seu comportamento, mas o medo era mais forte e não conseguia evitar as suas idas ao hospital.
Quando nos conhecemos, numa urgência, não dormia há mais de 48 horas, não comia há algum tempo, vivia completamente isolado no seu quarto, e o trabalho há mais de um mês que tinha entrado de baixa médica. ..Impossível descrever aqui tudo. De tal forma, que o seu comportamento diário se tornava muito estranho para quem o via e era motivo de permanente ansiedade e sofrimento. Dada a complexidade deste caso, foram precisas 24 sessões para que a normalidade voltasse a instalar-se na sua vida. Mas houve um final feliz: ficou bem!
Fique bem! Não deixe que o seu sofrimento se arraste! Contacte-me!

sábado, 4 de abril de 2009

Fobias: quando o medo é uma doença!


A palavra fobia deriva de Phobos, deusa grega do medo.

O Medo é um sentimento universal e muito antigo. Pode ser definido como uma sensação de que você corre perigo, de que algo de muito ruim está para acontecer, em geral acompanhado de sintomas físicos que incomodam bastante, e que serve muitas vezes para nos alertar do perigo e como tal para nos proteger.

Quando esse medo é desproporcional à ameaça, por definição irracional, com fortíssimos sinais de perigo, e também seguido de evitação das situações causadoras de medo, é chamado de fobia.

Uma fobia é um medo persistente e irracional que resulta no evitamento de forma consciente de objectos, actividades, situações, animais que são temidos.

A fobia consiste num aumento da ansiedade, até limites que impedem a pessoa de funcionar normalmente e que causa um mal-estar enorme.

A fobia é caracterizada por uma série de transtornos que geram ansiedade, por vezes bem definidos, não perigosos aos olhos dos outros mas muito ameaçadores para o sujeito.

As situações ou objectos fobígenos são evitados a todo o custo, ou suportados com um sofrimento enorme. O sujeito até pode reconhecer que o seu medo não tem razão de existir, logo é irracional, mas não o consegue evitar. Outros enfrentam o medo numa atitude contra fóbica.

Esses medos interferem significativamente na rotina normal do sujeito, nas suas actividades e nas relações com outros.

A fobia na verdade é uma crise de pânico desencadeada em situações específicas.

Existem três tipos básicos de fobias, que são:

A agorafobia (literalmente, medo da ágora, as praças de mercado - o nome é muito antigo) que é o medo generalizado de lugares ou situações aonde possa ser difícil ou embaraçoso escapar ou então aonde o auxílio pode não estar disponível. Isso inclui estar fora de casa desacompanhado, no meio de multidões ou preso numa fila, ou ainda viajar desacompanhado.

A fobia social, quando a pessoa tem um medo acentuado e persistente de "passar vergonha" na frente de outros, muitas vezes por temor de que as outras pessoas percebam seus sinais de ansiedade. Ela pode ser específica para uma situação (por exemplo assinar cheques ou escrever na frente dos outros) ou generalizada (por exemplo participar de pequenos grupos, iniciar ou manter conversação, ter encontros românticos, falar com figuras de autoridade, etc.)


E as fobias específicas, quando o medo acentuado e persistente é na presença (ou simples antecipação) de coisas como: aranhas (aracnofobia), tomar injeção, ver sangue, alturas. Ou ainda o medo específico de elevador, conduzir, ser contaminado por doenças,ou permanecer em locais fechados como túneis ou congestionamentos (claustrofobia), entre muitas outras fobias específicas.

Se quiser ver o nome da sua fobia específica consulte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_fobias

O que representam a nível psicológico as fobias?

As fobias a situações, onde está incluída a fobia social e a outras situações, tal como o medo de acidentes têm por pano de fundo uma angústia de desamparo, construída numa relação de objecto sentida como não sendo suficientemente boa.

Numa análise mais psicológica, as fobias, são resultado de conflitos psicológicos internos que ocorrem a um nível mais inconsciente, e que a nossa mente, de forma a torná-los mais suportáveis, desloca esse conflito sobre um objecto do consciente, fazendo com que o sujeito desloque o seu conflito interno para o consciente sobre a forma de medo a um objecto ou situação.

Pode existir ainda uma atitude contrafóbica, a pessoa em vez de evitar o medo, enfrenta-o. São exemplos disso, os desportos perigosos, em que a pessoa pode estar a exibir um comportamento contrafóbico.

Como se manifestam habitualmente as fobias?


As fobias caracterizam-se pelo aparecimento de crises de ansiedade extremas, quando a pessoa é exposta ao objecto ou situação, e pode apresentar rubor intenso da face, e situação generalizada de pânico.

Ou seja, face a um objecto fobígeno, o sujeito fóbico desenvolve uma ansiedade persistente, irrealista e intensa em resposta a situações externas específicas, podendo mesmo desenvover um ataque de pânico (VER artigo Perturbação de pânico).
Por vezes até um simples pensamento sobre o objecto fóbico, pode causar ansiedade, não é preciso estar na presença da causa da fobia.
Por esta razão as pessoas que têm uma fobia evitam as situações que desencadeiam a sua ansiedade ou suportam-nas com grande sofrimento. No entanto, reconhecem que a sua ansiedade é excessiva e por isso têm consciência de ter um problema.


As fobias são doenças limitantes para a vida do doente e quando não tratadas, vão progredindo, comprometendo a vida quotidiana do sujeito, tendendo a tornar-se crónicas.

Com alguma frequência, podem complicar-se com comportamentos depressivos, isolamento total, alcoolismo ou mesmo consumo de drogas, pondo em risco a vida familiar, profissional e social do indivíduo.


Quando é que se pode dizer que estamos perante uma fobia?

Quando o medo persiste perante um objecto, animal ou situação, quando nessas situações a ansiedade aumenta, quando a pessoa evita de forma intensa essas situações, e quando a pessoa é impedida de fazer a sua vida normal.


Como se podem tratar as fobias?

Existem diversas formas de tratar as fobias, desde a farmacoterapia, a terapias de dessensibilização sistemática, entre outros, no entanto, muitos destes tipos de tratamentos apenas resolve temporariamente a fobia. Não raras vezes, a fobia volta mais tarde, por vezes dirigida a um outro objecto ou situação.

A Minha prática, e diversos estudos, mostram que a Psicoterapia Psicanalítica é a forma mais eficaz de tratar as fobias, de forma irreversível.

Com a Psicoterapia a pessoa vai explorando com o psicoterapeuta a origem dos medos. Ao entender os verdadeiros motivos das fobias e com base na relação nova de segurança que vai estabelecendo no processo psicoterapêutico a fobia desaparece e não volta. O medo desaparece. A pessoa fica liberta do medo para usufruir da vida sem medos.

As fobias respondem bem e rapidamente à Psicoterapia Psicanalítica. O
Prognóstico é favorável e a taxa de sucesso é elevada (cerca de 80%).

Se este é o seu caso ou tem dúvidas contacte-me!

Cuide de si!


sexta-feira, 3 de abril de 2009

Reportagem Luto RTP2/ Sociedade Civil

Caros amigos,
Na passada 5ª feira dia 26/3/ 2009 tive o previlégio de participar no Programa Sociedade Civil , na RTP 2, dedicado à temática do luto.
Se quiser ver a reportagem na íntegra clique AQUI e vá ao arquivo e selecione a data 26/03/09.