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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Neurose Obsessiva



A neurose obsessiva é uma doença bastante comum, afectando um em cada 40 ou 50 indivíduos.
Muitas dessas pessoas nunca foram diagnosticadas ou tratadas, embora os sintomas condicionem de forma grave a sua vida. Talvez a maioria desconheça o facto de esses sintomas constituírem uma doença que tem tratamento.

A neurose obsessiva é considerada uma doença mental grave por vários motivos: está entre as dez maiores causas de incapacidade de acordo com a Organização Mundial de Saúde; aparece frequentemente em indivíduos jovens no final da adolescência – e muitas vezes começa ainda na infância – sendo raro o seu início depois dos 40 anos; geralmente é crónica e, se não for tratada, na maioria das vezes os sintomas mantêm-se pela vida fora afectando toda a família.

Os sintomas raramente desaparecem espontaneamente: o mais vulgar é que apresentem flutuações ao longo da vida, aumentando e diminuindo de intensidade, mas estando sempre presentes. Por vezes tendem a um agravamento progressivo, podendo incapacitar as pessoas para o trabalho e implicar sérias limitações à convivência com a família e sociedade, além de terem um grande e permanente sofrimento.

Preocupar-se excessivamente com limpeza, lavar as mãos a todo o momento, verificar diversas vezes portas, janelas ou o gás antes de se deitar, não usar roupas vermelhas ou pretas, não passar em certos lugares com receio de que algo mau possa acontecer depois, não sair de casa em determinadas datas, ficar aflito caso os objectos sobre o móvel não estejam dispostos de uma determinada maneira... Esses são alguns exemplos de acções popularmente consideradas “manias” e que, na verdade, são sintomas de uma neurose obsessiva.

Tenho uma neurose obsessiva ou não?

Muitos pacientes com esta patologia só reconhecem que têm uma doença ao ler ou ouvir nos órgãos de comunicação algo sobre a doença, ou se forem confrontados por algum familiar. Diversos estudos demonstram que leva, em média, mais de oito anos desde o aparecimento dos sintomas da neurose até ela ser diagnosticado por algum profissional. Se você tem dúvidas sobre se tem ou não uma neurose obsessiva procure responder às perguntas a seguir:

1- Lava-se muito?
2- Verifica de forma repetida as coisas?
3- Tem pensamentos que incomodam, e dos quais gostaria de se livrar, mas não consegue?
4- Leva muito tempo para terminar as suas actividades diárias?
5- Preocupa-se muito com ordem, simetria ou alinhamento das coisas?

O que é uma neurose obsessiva?

A neurose obsessiva é uma doença do foro mental, identificada há cem anos por Sigmund Freud e que apresenta os seguintes sintomas:
  • compulsões a efectuar rituais diversos,
  • pensamentos ruminantes de que se não fizer determinado acto, poderá acontecer algo,
  • dificuldade em expressar sentimentos,
  •  ter pensamentos em circulo,
  • fazer o contrario daquilo que pensa,
  • agressividade escondida entre outros sintomas.
 À neurose obsessiva os defensores da causa biológica passaram a chamar Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e incluíram-no no DSM (Manual de Classificação das doenças psiquiátricas) com essa designação. Assim a neurose obsessiva aparece no DSM descrito da seguinte forma:

O TOC é um transtorno mental incluído pela classificação da Associação Psiquiátrica Americana entre os transtornos de ansiedade.
Está classificado ao lado das fobias (medo de lugares fechados, elevadores, pequenos animais – como ratos ou insectos), da fobia social (medo de expor-se em público ou diante de outras pessoas), do transtorno de pânico (ataques súbitos de ansiedade e medo de frequentar os lugares onde ocorreram os ataques), etc.

 Os sintomas do TOC envolvem alterações do comportamento (rituais ou compulsões, repetições, evitações), dos pensamentos (preocupações excessivas, dúvidas, pensamentos de conteúdo impróprio ou “ruim”, obsessões) e das emoções (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão).

Sua característica principal é a presença de obsessões e/ou compulsões ou rituais. Além disso, os portadores  do TOC sofrem de muitos medos (de contrair doenças, de cometer falhas, de ser responsáveis por acidentes). Em função desses medos, evitam as situações que possam provocá-los – comportamento chamado de evitamento.
  
O que são Obsessões?

Obsessões são pensamentos, idéias, imagens, palavras, frases, números ou impulsos que invadem a consciência de forma repetitiva e persistente. Sentidas como estranhas ou impróprias, geralmente são acompanhadas de medo, angústia, culpa ou desprazer.

O indivíduo obsessivo, mesmo desejando esforçando-se, não consegue afastá-las ou suprimi-las do seu pensamento. Apesar de serem consideradas absurdas ou ilógicas, as obsessões causam sofrimento e levam a pessoa a fazer algo (rituais ou compulsões) ou a evitar fazê-lo (evitamentos) para se livrar do medo ou do desconforto.

As obsessões mais comuns estão relacionadas aos seguintes aspectos: sujidade, contaminação, dúvidas, simetria, perfeição, exactidão ou alinhamento, impulsos ou pensamentos de ferir, insultar ou agredir outras pessoas, sexo ou obscenidades, armazenar, poupar, guardar coisas inúteis ou economizar, preocupações com doenças ou com o corpo, religião (pecado, culpa, escrúpulos, sacrilégios ou blasfémias) pensamento mágico (números especiais, cores, datas e horários).

 O que são rituais e compulsões?
  
Compulsões ou rituais são comportamentos ou actos mentais voluntários e repetitivos executados em resposta a obsessões ou em virtude de regras que devem ser seguidas rigidamente.
Os exemplos mais comuns são lavar as mãos, fazer verificações, contar, repetir frases ou números, alinhar, guardar ou armazenar, repetir perguntas, etc.

As compulsões aliviam momentaneamente a ansiedade, levando o indivíduo a executá-las sempre que a sua mente é invadida por uma obsessão acompanhada de ansiedade. Nem sempre têm ligação real com o que desejam prevenir (p ex., alinhar os chinelos ao lado da cama antes de se deitar para que não aconteça algo de mau no dia seguinte; dar três batidas numa pedra da calçada ao sair de casa, para que a mãe não adoeça). Nesse caso, os rituais são chamados mágicos.

Os dois termos (compulsões e rituais) são utilizados praticamente como sinónimos, embora o termo “ritual” possa gerar alguma confusão na medida em que as religiões, de forma geral, adoptam comportamentos repetitivos e contagens nas suas práticas: ajoelhar-se três vezes, rezar seis ave-marias, ladainhas.

Existem rituais para baptizados, casamentos, funerais, etc. Além disso, certos costumes culturais, como a cerimónia do chá entre os japoneses, o cachimbo da paz entre os índios, ou um funeral com honras militares, envolvem ritos que estão relacionados com a obsessão. Nestes casos estes ritos ou rituais são organizadores do funcionamento mental se não forem excessivos.

Todos os seres humanos tem uma parte da sua personalidade mais obsessiva, mas, a diferença entre isso ser normal e patológico, está no facto de que, na patologia ser causador de sofrimento e praticado em excesso, ou seja, quando interfere na rotina diária do sujeito.

A neurose obsessiva quase sempre se inicia na infância, entre 9 e 11 anos e surge principalmente em indivíduos jovens até aos trinta/quarenta anos, podendo durar toda a vida, sendo sempre acompanhada de muita angústia, ansiedade, sentimentos de impotência, diminuição da auto-estima e depressão.

 Quais são as causas da neurose obsessiva?

 Embora esteja em “moda” dizer que todas as doenças psíquicas tem causas biológicas, o que se continua a verificar é que elas são ambientais e relacionais, ou seja adquirem-se na convivência familiar. Uma educação muito rígida e punitiva, está, vulgarmente presente nos casos que nos aparecem no consultório.

Tratamento da Neurose Obsessiva
Claro que os lobbies associados ás grandes farmacêuticas, transformaram a neurose obsessiva em TOC e atribuíram-lhe causas biológicas. Nunca vi ninguém com esta doença curar-se apenas com medicamentos, embora sejam necessários em muitas destas situações, mas, com psicoterapia psicanalítica e medicamentosa os sintomas melhoram bastante e a pessoa começa a ter outra qualidade de vida, diferente da anterior.

No entanto a terapia medicamentosa deve ocorrer em simultâneo com a psicoterapia, porque senão nada muda! Quando pára a medicação, os sintomas voltam porque dentro do sujeito e no seu pensamento nada mudou. A verdadeira mudança só é possível através da psicoterapia, ajudando-o a enfrentar os medos que estão na base dessas obsessões e/ou compulsoes.
Cuide de si! Conte comigo!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dia Mundial dos Avós: Criados os filhos....Educar os netos

Por Joana Ferreira da Costa, In Diário de Notícias, 26 de Julho 2010

O DN foi conhecer as histórias de quem foi mãe dos netos. E ganhou uma vida nova.


Júlia Azevedo, de 56 anos, tornou--se mãe pela terceira vez quando trouxe a neta para viver consigo. "Dormia num carrinho de bebé que eu lhe dei, numa marquise em casa da avó materna", conta. Como o pai e a mãe da criança viviam fora do País, Júlia passou a tomar conta da neta de cinco meses. "Ela é minha", diz com um sorriso, "foi a melhor coisa que me aconteceu na vida". Aos oito anos, Erica trata sempre a avó por mãe. E Júlia foi a única que conheceu. A mãe biológica vive em Inglaterra e tem uma nova família. O pai, emigrante na Noruega, ainda lhe telefona às vezes.

Só aos cinco anos, quando a avó lhe contou, é que Erica soube que ela não era sua mãe. Lembra-se de se ter agarrado a ela num grande abraço: "Tu és sempre a minha mãe." Confessa que gostava de conhecer o pai, tal como aos irmãos, que resultaram de um casamento posterior, mas diz não sentir a sua falta. "Só sinto falta dos meus irmãos. O meu pai nunca quis saber de mim e eu também não quero saber dele."
Nos últimos oito anos, Júlia só lamenta uma coisa: que o filho nunca tenha querido ser um pai para Erica.

Romana foi avó aos 35 anos

"Foi o que me calhou, e eu recebi, ponto final", sintetiza Romana Silva, de 48 anos, quando pensa em João António, o neto que a filha lhe deu quando tinha apenas 13 anos. A mãe rejeitou a criança desde logo, e os avós acabaram por assumir a sua responsabilidade pelo bebé junto da protecção de menores. "Eu só não o pari", explica a avó, "tudo o resto eu tive de passar. Solange era ainda muito nova, precisava do meu apoio. Tive de os educar a um e a outro", bem como às outras três filhas do casal.

João António nunca se sentiu posto de parte, pelo contrário. A mãe era como uma irmã mais velha, mas ele sempre soube que era ela a sua mãe e procurava chamar--lhe a atenção. "Vês, Solange", dizia, "eu gosto muito da minha avó, ela ralha e dá-me mimos, ela é que cuida de mim". A luta da avó era fazer com que mãe e filho se aproximassem, fazendo-os passar tempo juntos. Mas só aos oito anos é que viu esse esforço dar frutos.

Com o pai aconteceu o mesmo, mas só depois de este o reconhecer como filho, aos cinco anos, por ordem do tribunal. "Eu é que acabei por obrigá-los, a um e outro, a criar uma afeição com o menino."

Hoje, vive com a mãe, mas a casa dos avós continua também a ser a sua. Com o pai mantém uma relação mais distante. "Às vezes vou dormir lá a casa, mas não é tanto por causa dele", apressa-se João António a explicar. "É por causa da minha irmã mais nova. Eu sempre disse à minha mãe que quando tivesse um irmão ia acarinhá-lo."

Leonilde ajudou a salvar a neta
Carinho também não faltou a Leonilde Bregeira, de 65 anos, quando acolheu em casa a neta de três meses, hoje com 18 anos. Foi ela quem alertou o Ministério Público para os perigos que corria Vanessa, entregue aos cuidados dos pais toxicodependentes.

"A bebé era um entrave na vida deles quando se zangavam", explica Leonilde. "Quando estava tudo mal era a menina que sofria."

Os pais de Vanessa, que se separaram pouco depois, visitam-na de vez em quando e a avó acabou por criá-la praticamente sozinha. Trabalhou muito para cuidar da neta e hoje teme não conseguir pô-la na faculdade. Emocionada, deixa escapar: "Preocupa-me que eu feche os olhos e ela não tenha ninguém." "Ela é a minha bonequinha de porcelana que eu guardei com muita estimação. Tenho muita vaidade nela, mas custa-me que ela nunca tenha uma palavra de carinho para mim."

Hoje, Vanessa tem vergonha de andar na rua com a mãe, por causa do seu aspecto, e evita o pai a todo o custo. "Não me sinto bem com o meu pai", explica. Como boa recordação da mãe lembra que foi ela quem a ensinou a fazer bolhas com a pastilha elástica.

"E eu não te ensinei nada?", pergunta a avó. O silêncio da neta é a resposta. Vanessa vive revoltada com a sua sorte, justifica Leonilde. "Ela tem um feitio complicado, não tem muita paciência", desculpa-se a neta.


Os psicólogos são unânimes em considerar que os avós não substituem os pais. "Os avós podem dar a educação, as regras, mas não é a mesma coisa", diz a psicóloga Maria de Jesus Candeias. "É fundamental para o desenvolvimento das crianças ser amado e desejado pelos pais. A sua ausência deixa marcas profundas na auto-estima e sentimentos de insegurança." Independentemente de todo o Amor que os avós possam dar.  

domingo, 4 de julho de 2010

Terrores Nocturnos e Pesadelos nas Crianças

Vários problemas podem afectar o sono das crianças. Geralmente, não são graves e passam com a idade, mas é preciso dar-lhes atenção e ajudar a criança a ultrapassá-los.

Terrores Nocturnos

Definem-se os terrores nocturnos como um distúrbio caracterizado por despertar abrupto que pode ser iniciado por um grito de pânico, choro ou vocalizações incoerentes. A criança pode estar sentada na cama, com uma expressão aterrorizada apresentando sinais de ansiedade (taquicardia, respiração rápida, rubor cutâneo, sudorese, dilatação das pupilas, tónus muscular aumentado.

As primeiras vezes que os pais se confrontam com um episódio de terrores nocturnos são assustadoras, uma vez que observam o seu filho a acordar em sobressalto, uma ou duas horas após ter adormecido, com sinais de agitação, muitas vezes a gritar de olhos abertos, com o olhar fixo e movimentos descoordenados, sem responder aos seus apelos para se acalmar, o que deixa os pais extenuados e perturbados, sem saber como agir.

Quando o episódio termina, a criança volta a adormecer e não se recorda do que se passou.
Muitas vezes, os terrores nocturnos estão relacionados com algo assustador ou invulgar que ocorreu durante o dia, ou ainda, relacionados com mudanças importantes na vida da criança, tais como entrada no infantário, nascimento de um irmão, ausência de um dos pais, entre outros.

O que fazer perante um episódio de terror nocturno?

1. Não tente acordar a criança, uma vez que esta não a irá ouvir e poderá, inclusivamente ficar mais agitada se se intrometer no terror (normalmente o episódio demora entre 1-10 minutos);

2. Deixe-a no berço/cama, assegurando-se que esta se encontra segura (por vezes fica de tal modo agitada que poderá cair da cama;

3. Não fale sobre o assunto no dia seguinte, uma vez que a criança não se recorda do episódio;

4. Reduza as situações de tensão durante o dia da criança;

5. Estabeleça uma boa rotina de sono, evitando a fadiga;

6. Com o passar dos anos os terrores acabam por diminuir e tal como apareceram desaparecem espontaneamente.

Os terrores nocturnos e os pesadelos são a mesma coisa?

Não. Enquanto os terrores nocturnos surgem mais no princípio da noite (em que os períodos de sono profundo são mais longos), os pesadelos são um fenómeno do sono superficial (sono REM), e por isso ocorrem mais na segunda metade da noite ou quando a manhã se aproxima (quando aumentam os períodos de sono REM).

Por outro lado, nos terrores nocturnos o despertar acontece no início do episódio, enquanto nos pesadelos a criança acorda a meio ou no final, quando a tensão causada pelo conteúdo assustador do sonho se torna demasiado intensa. Ao acordar de um pesadelo a criança rapidamente fica orientada e desperta, consegue descrever o conteúdo do sonho e deixa-se tranquilizar pelos pais (em contraste com os terrores nocturnos em que se mantém confusa e agitada, sem que nada a acalme, esquecendo o episódio logo que retoma o sono).

Pesadelos

Os pesadelos mais frequentes nas crianças de 2 ou 3 anos incluem a perda ou perigo.
Os “monstros” muitas vezes são a causa do pesadelo no entanto a separação dos pais também é problemática. Nas crianças dos 4 aos 6 anos as tensões saudáveis como o lidar com os seus novos sentimentos de agressividade podem ser acompanhados de medos e pesadelos.
Novos medos podem surgir durante o dia tais como abelhas, aranhas, elevadores, ruídos estridentes (trovão, sirenes, o ladrar dos cães, etc.) muitas vezes transportados para a noite como pesadelos.

Nas crianças com idade inferior a 5/6 anos os pesadelos são mais perturbadores pois a criança não entende que o sono não é real. A partir dos 5/6 anos a criança começa a perceber a diferença entre sonho e realidade, no entanto nesta idade, as crianças ainda precisam de acreditar no lado positivo dos seus “ bons” sonhos. Por isso, não se pode esperar que deixem de acreditar nos “sonhos maus” .

A criança assustada por um pesadelo acorda por completo e, se já sabe falar, consegue dizer algumas das coisas que se passaram no sonho. Outras vezes, não se recorda do pesadelo no entanto não se esquece daquilo que a fez sentir. A criança implora conforto, e é capaz de se agarrar aos pais, com medo de voltar adormecer sozinha. Pode levar algum tempo a acalmá-la.

Lidar com os pesadelos

A hora de dormir:

1. Sentar-se junto da criança, explicando o que a preocupa.

2. Aceitar os receios da criança e a necessidade de se agarrar aos pais.

3. Recordar a criança formas para se confortar, desviando o pensamento para coisas boas.

4. Deixar uma luz de presença no quarto.

5. Encorajar e aceitar o uso de objectos de conforto (ursinho, uma boneca ou cobertor preferido) como companhia e forma de afastar todos os medos.

6. Contar histórias que ajudam a compreender os medos e sentimentos vivenciados de forma indirecta.

7. Quando a criança recorre a cama dos pais, depois de um pesadelo, deve-se acalmá-la e posteriormente levá-la de volta a cama dela. Esta transição pressupõem aconchego e conforto durante alguns minutos no seu quarto.

Durante o dia:

1. Ajudar a criança a certificar-se de que não existem fantasmas nem monstros debaixo da cama nem dentro do armário.

2. Ajudar a criança a entender os sentimentos descontrolados durante o dia que ocorreram durante o pesadelo.

3. Explicar e dar informações simples, claras, credíveis em termos que ela possa entender acerca dos acontecimentos da vida familiar que possam estar a perturbá-la.

4. Evitar filmes, programas de televisão, jogos de computador que possam ser violentos e provocar medo ou incompreensão do assunto por parte da criança.

Se mesmo depois de tentar todas estas dicas, a situação persistir, sem que a criança consiga estabelecer um sono tranquilo, é importante a ajuda técnica especializada de um psicólogo ou psicoterapeuta, para avaliar e ajudar a criança a ultrapassar conflitos internos que possa estar a sentir como ameaçadores e que podem estar a interferir no seu sono.

domingo, 27 de junho de 2010

Quando a história se repete de geração em geração...



O legado psíquico do ser humano é transmitido de geração em geração conduzindo a estados de saúde psíquica duráveis ou, pelo contrário, à doença, que se prolonga segundo alguns estudos até á terceira geração se não houver uma interrupção do ciclo com uma psicoterapia.

Infelizmente não podemos escolher o local e as circunstâncias do nosso nascimento, e se por vezes as coisas correm bem isto não acontece sempre, e aquilo que somos está fortemente condicionado por este primeiro lugar que nos acolheu...no bom da nossa história e no menos bom.

A família funciona como um campo dinâmico no qual interagem tanto os factores conscientes quanto os inconscientes, sendo que a criança desde o nascimento não é apenas influenciada pela família, mas é também um poderoso agente activo de modificações no seio familiar.

O primeiro factor da transgeracionalidade a ter em conta é que cada progenitor mantém internalizações das famílias de origem com os correspondentes estereótipos e conflitos.

Há uma forte tendência no sentido de que os conflitos não resolvidos pelos pais da criança, com os seus pais sejam mais tarde reeditados nos filhos, ou seja tudo se repete novamente, os conflitos que ocorreram, o tipo de relação, a incapacidadede expressar afectos, entre outros.

A título de exemplo, não raras vezes, uma mãe com relação muito intensa com o seu pai,  pode menosprezar o marido dedicando-se inteiramente ao filho, fazendo com que desta  forma a criança  se torna uma imagem do avô, enquanto a mãe vai desvalorizando a imagem do pai, excluindo assim a figura paterna da educação da criança, tal como foi rejeitada pelo pai. Vinga-se assim no marido.

O mesmo é válido para o homem fixado na mãe, que aos poucos vai excluindo a mulher e fixando-se na sua mãe, muitas vezes através dos filhos, passando a esposa a fazer parte dos odiados da família, ficando vingado o desprezo que a mãe lhe devota.

Medos, conflitos, histórias , agressividade, mesmo modelo de relação conflitual entre pais filhos e entre o casal , percursos de vidas... Tudo isto muitas vezes se repete, mesmo aquilo que achamos que estava mal e que foi prejudicional, e que achamos que nunca iria acontecer connosco!! È a Repetição!!

Não raras vezes ouço os meus pacientes dizerem: "Isto assusta-me, começo a perceber que estou a ficar igual à minha mãe", ou "estou a fazer exactamente o mesmo que o meu pai e a repetir muitas coisas que odiava nele"!!

É claro que nada disto acontece de forma consciente e intencional. Tudo acontece de forma muito inconsciente, e por isso completamente fora do controlo de cada um de nós, mas que podem deixar marcas devastadores da saúde psíquica das crianças.



Os valores culturais, afectos, ansiedades, necessidades do ego, mal entendidos, segredos ocultos, são transmissões que não passam de forma indelével nas gerações.

A forma como os pais se vêem, a imagem que tem de cada um e que passam aos filhos, as necessidades de auto-estima, a definição de papéis como por exemplo a “ bode expiatório”, “orgulho de mãe”, “doente da família”, louco da família” são cumpridos dentro da família e fora dela, mantendo muitas vezes a aparente “sanidade mental” de todos os outros, que ao terem um identificado como doente, parecem estarem assim a salvo da doença, quando na realidade estão todos emersos em doença psíquica.

As famílias apresentam uma variedade de estruturas que pode ir do mais saudável ao mais doente. Podem ser famílias simbióticas (vivem e fazem tudo juntos), obsessivas, narcisistas (vivem de aparência para esconder as fragilidades e obrigam os filhos a performances de perfeição), paranóides (existem perigos em todo o lado, tudo é externo ao sujeito), fóbicas (alimentam nos filhos medos que são seus, tornam-nos hipocondríacos), depressivas, sadomasoquistas etc., ou então apresentam-se mentalmente bem estruturadas e sadias.

Uma família bem estruturada requer algumas condições básicas, tais como, distribuição de papéis, lugares, posições e atribuições, com a manutenção de um clima de liberdade e de respeito entre os membros.
É necessários existir limites e fronteiras na relação dos membros familiares.

Caso isso não exista e tudo fique confuso, borrado, em que se perdem os direitos, deveres e privilégios, como os lugares que cabem a um pai e a um filho então a insanidade mental está criada e vai passando de geração em geração.
É vulgar ouvir dizer de algumas famílias que se constituem doentes “ são todos assim, o avô também se matou, a mãe era depressiva”, no caso de famílias depressivas, ou em famílias psicóticas que gerações após geração vão surgindo casos de esquizofrenia em número considerável para ser considerado normal. São famílias que se organizam num psiquismo doente, passando aos filhos modelos de relação baseados em pressupostos de doença, muitas vezes não visível socialmente mas que se traduzem por exemplo em visitas exageradas a médicos, baixas, hospitalizações entre outros factos.

Qualquer das situações descritas vai influir na formação do psiquismo da criança, passando de pais para filhos numa transgeracionalidade que é preciso travar, para que a sociedade se constitua sadia.

A única forma de parar com esta transgeracionalidade doentia, ou seja modelos de funcionamento familiares disfuncionais em que a repetição acontece, é através da psicoterapia,  quando os sujeitos param para pensar e começam  a ser mais conscientes de si próprios, e dos seus actos, e compreendem em profundidade o seu funcionamento mental e como se construíram.

A Psicoterapia é o caminho ...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Insónia, Ansiedade e Depressão

A insónia é, talvez, o distúrbio do sono mais conhecido, bem como o mais frequente.

A insónia é a dificuldade em conciliar o sono ou permanecer adormecido, ou uma alteração no padrão do sono que, ao despertar, leva à percepção de que o sono foi insuficiente.

A insónia não é uma doença, mas um sintoma. Pode ser consequência de diversas perturbações emocionais e físicas e do uso de medicamentos.

A dificuldade em conciliar o sono é frequente entre jovens e idosos e muitas vezes manifesta-se no decurso de alterações emocionais, como a ansiedade, o nervosismo, a depressão ou o medo.

Há mesmo pessoas que têm dificuldade em conciliar o sono simplesmente porque não experimentam cansaço, nem físico nem mental.

Porém, importa referir que as pessoas tendem a dormir menos à medida que envelhecem. Embora normais, estas mudanças no padrão do sono fazem com que as pessoas adultas pensem que não estão a dormir o suficiente. No entanto, não existem provas de que as pessoas saudáveis de idade avançada necessitem de dormir tanto como os jovens nem que requeiram medicamentos para dormir com o objectivo de evitar estas alterações normais associadas à idade.

O padrão da insónia da primeira hora da manhã é mais frequente nas pessoas de idade avançada.
Algumas pessoas conciliam o sono normalmente, mas despertam várias horas antes da hora habitual, não conseguem voltar a adormecer com facilidade e, por vezes, têm um sono inquieto e pouco reparador.

Em qualquer idade, o facto de despertar muito cedo pode ser um sintoma de depressão.
As pessoas com uma alteração no seu padrão de sono podem experimentar inversões no ritmo do sono, isto é, conciliam o sono em horas menos adequadas e não conseguem dormir quando deveriam fazê-lo. As inversões no ritmo do sono reflectem geralmente um desfasamento horário devido a uma viagem de avião (especialmente de leste para oeste), turnos de trabalho nocturno irregulares, mudanças frequentes de horários ou o abuso de bebidas alcoólicas. Por vezes, devem-se ao efeito secundário de um fármaco.

O padrão de sono pode ver-se alterado por lesões no relógio interno do cérebro (provocadas por uma encefalite, uma doença de Alzheimer, por exemplo).

Podemos identificar vários tipos de insónias:

A insónia psicofisiológica é caracterizada por elevados índices de activação e associações adquiridas relativamente ao sono, que estão relacionados com uma enorme preocupação com a incapacidade de dormir.

À percepção inadequada do sono, ou seja, quando o indivíduo tem a noção que não dorme, embora a repercussão diurna não seja compatível com isso, dá-se o nome de insónia paradoxal.

A insónia idiopática tem um início progressivo desde a infância e sem evidência clara de qualquer problema subjacente.

Também poderá ocorrer a insónia originada por distúrbios mentais, em especial aqueles que estão associados a alterações de humor ou a uma doença afectiva, como a ansiedade ou a depressão.

Outras situações são a insónia por higiene inadequada do sono, devida ao uso de drogas ou substâncias (incluindo medicamentos), assim como originada por uma doença que, pela sua natureza, perturbe o sono (dor, tosse, falta de ar, etc.).

Por fim, a insónia comportamental da criança, que está ligada a uma situação identificável, como seja a ausência de objecto ou de situação habitualmente utilizada para o início do sono.

A Insónia Surge em qualquer fase da vida

Dependendo do tipo de insónia, pode surgir como manifestação em qualquer fase da vida, da criança ao idoso, sem evidência de predomínio segundo o sexo.

Podemos apontar como consequências das insónias:

Se as manifestações mais imediatas se prendem com o cérebro (onde o sono é determinado) e têm a ver com aumento da sonolência, a diminuição das capacidades associadas à concentração, atenção, memória, aos distúrbios de humor e à diminuição da capacidade de desempenho de um modo global, a prazo, podem ser esperadas repercussões orgânicas de diversa ordem, incluindo um aumento de risco de doença cardiovascular.

Quanto à terapêutica, passa pelo tratamento da situação subjacente que condiciona a insónia.

Como grande parte das insónias são causadas por factores de ordem emocional o acompanhamento psicológico e psicoterapêutico são de extrema importância e eficácia, uma vez que vão ajudar o paciente a identificar e resolver os factores que estão a provocar um elevado nível de stress interno no sujeito e pode estar na origem da insónia.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Perturbações do sono: Quando o descanso merecido é perturbado

O sono é uma necessidade fisiológica. O sono é uma função essencial ao bem estar do dia-a-dia, tanto físico como psíquico. Se não dormimos bem ficamos cansados, irritáveis, incapazes de tarefas mais complicadas, e temos muitas vezes uma grande vontade de dormir. Isto quer dizer que o organismo tende a repor o sono em falta, mas as compensações nunca são perfeitas.

A impossibilidade de ter um sono profundo e repousante nas sociedades desenvolvidas, é uma das causas mais frequentes de depressão, exaustão cerebral, deficiente desempenho escolar e desequilíbrios hormonais.

O recurso a medicação ansiolítica e indutores do sono é a opção habitual. Nem sempre, no entanto, são uma solução satisfatória e os efeitos secundários não são negligenciáveis.

Existem várias perturbações do sono:

A Insónia (não conseguir dormir)

A Narcolepsia (sonolência excessiva e tendência a dormir em horas inapropriadas e em qualquer lugar),

O Bruxismo (ranger dos dentes),

A hipersónia (necessidade inata de dormir muito)

A Apneia durante o sono é um grupo de perturbações graves em que a respiração se suspende repetidamente durante o sono (apneia) um tempo suficientemente prolongado para provocar uma desoxigenação sanguínea e cerebral e aumentar a quantidade de anidrido carbónico.

As parasónias (alterações do sono, como as pernas inquieta, pesadelos, terrores nocturnos, sonambulismo, entre outras).

Destas perturbações do Sono as Insónias e a Narcolepsia são as que estão mais intimamente ligadas a factores psicológicos e emocionais, e com mais consequências psicológicas para o sujeito e as que incluem na sua terapêutica o acompanhamento psicológico. As restantes Perturbações do Sono, têm origem marcadamente fisiologica e neuronal, pelo que os eu tratamento é essencialmente farmacológico e no caso da apneia, cirúrgico.

Insónia: sono esperado que tarda
A insónia é, talvez, o distúrbio do sono mais conhecido, bem como o mais frequente.

A insónia é a dificuldade em conciliar o sono ou permanecer adormecido, ou uma alteração no padrão do sono que, ao despertar, leva à percepção de que o sono foi insuficiente.

A insónia não é uma doença, mas um sintoma. Pode ser consequência de diversas perturbações emocionais e físicas e do uso de medicamentos.
A dificuldade em conciliar o sono é frequente entre jovens e idosos e muitas vezes manifesta-se no decurso de alterações emocionais, como a ansiedade, o nervosismo, a depressão ou o medo.
Há mesmo pessoas que têm dificuldade em conciliar o sono simplesmente porque não experimentam cansaço, nem físico nem mental.

As pessoas tendem a dormir menos à medida que envelhecem. Embora normais, estas mudanças no padrão do sono fazem com que as pessoas adultas pensem que não estão a dormir o suficiente. No entanto, não existem provas de que as pessoas saudáveis de idade avançada necessitem de dormir tanto como os jovens nem que requeiram medicamentos para dormir com o objectivo de evitar estas alterações normais associadas à idade.

O padrão da insónia da primeira hora da manhã é mais frequente nas pessoas de idade avançada. Algumas pessoas conciliam o sono normalmente, mas despertam várias horas antes da hora habitual, não conseguem voltar a adormecer com facilidade e, por vezes, têm um sono inquieto e pouco reparador. Em qualquer idade, o facto de despertar muito cedo pode ser um sintoma de depressão.

As pessoas com uma alteração no seu padrão de sono podem experimentar inversões no ritmo do sono, isto é, conciliam o sono em horas menos adequadas e não conseguem dormir quando deveriam fazê-lo. As inversões no ritmo do sono reflectem geralmente um desfasamento horário devido a uma viagem de avião (especialmente de leste para oeste), turnos de trabalho nocturno irregulares, mudanças frequentes de horários ou o abuso de bebidas alcoólicas. Por vezes, devem-se ao efeito secundário de um fármaco.

O padrão de sono pode ver-se alterado por lesões no relógio interno do cérebro (provocadas por uma encefalite, uma doença de Alzheimer, por exemplo).

Podemos identificar vários tipos de insónias:

A insónia psicofisiológica é caracterizada por elevados índices de activação e associações adquiridas relativamente ao sono, que estão relacionados com uma enorme preocupação com a incapacidade de dormir.

À percepção inadequada do sono, ou seja, quando o indivíduo tem a noção que não dorme, embora a repercussão diurna não seja compatível com isso, dá-se o nome de insónia paradoxal.

A insónia idiopática tem um início progressivo desde a infância e sem evidência clara de qualquer problema subjacente.

Também poderá ocorrer a insónia originada por distúrbios mentais, em especial aqueles que estão associados a alterações de humor ou a uma doença afectiva, como a ansiedade ou a depressão.

Outras situações são a insónia por higiene inadequada do sono, devida ao uso de drogas ou substâncias (incluindo medicamentos), assim como originada por uma doença que, pela sua natureza, perturbe o sono (dor, tosse, falta de ar, etc.).

Por fim, a insónia comportamental da criança, que está ligada a uma situação identificável, como seja a ausência de objecto ou de situação habitualmente utilizada para o início do sono.

A Insónia Surge em qualquer fase da vida

Dependendo do tipo de insónia, pode surgir como manifestação em qualquer fase da vida, da criança ao idoso, sem evidência de predomínio segundo o sexo.

Podemos apontar como consequências das insónias:

Se as manifestações mais imediatas se prendem com o cérebro (onde o sono é determinado) e têm a ver com aumento da sonolência, a diminuição das capacidades associadas à concentração, atenção, memória, aos distúrbios de humor e à diminuição da capacidade de desempenho de um modo global, a prazo, podem ser esperadas repercussões orgânicas de diversa ordem, incluindo um aumento de risco de doença cardiovascular.

Quanto à terapêutica, passa pelo tratamento da situação subjacente que condiciona a insónia.

Como grande parte das insónias são causadas por factores de ordem emocional o acompanhamento psicológico e psicoterapêutico são de extrema importância e eficácia, uma vez que vão ajudar o paciente a identificar e resolver os factores que estão a provocar um elevado nível de stress interno no sujeito e pode estar na origem da insónia.

Para a manifestação em si, o recurso, cauteloso e controlado, de indutores ou promotores do sono pode ser utilizado.

A Hipersónia aparece antes dos 25 anos

Ao contrário da insónia, a hipersónia significa, etimologicamente, sono a mais. Desta forma, pode ser intermutável com sonolência excessiva durante o dia, sendo que qualquer situação que leve a privação da quantidade ou qualidade do sono pode manifestar-se através da hipersónia.

Existe um conjunto de distúrbios particulares, denominado de hipersónia de origem central, na qual a manifestação de hipersónia não pode ser associada a distúrbio do sono nocturno ou alteração do ritmo sono-vigília.

Neste grupo incluem-se a narcolepsia, a hipersónia idiopática, as hipersónias recorrentes ligadas a situações específicas como a menstruação, ou as hipersónias associadas a condições médicas (traumatismo craniano, encefalite, tumor cerebral, etc.) ou, ainda, associada a utilização de drogas e substâncias.

Não se sabe a origem da hipersónia idiopática, podendo haver uma predisposição familiar que traduza defeito genético, mas não está provado.

Uma situação deste género aparece habitualmente antes dos 25 anos de idade e, por norma, mantém-se estável em termos de gravidade e duração. A utilização de medicação de acção estimulante e regras de higiene do sono constituem o tratamento de base.

Narcolepsia: aparecimento súbito e inesperado do sono

Estima-se que a narcolepsia afecte entre 0,02 e 0,2% da população a nível mundial, sendo um distúrbio bastante raro, que se caracteriza por sonolência excessiva, por vezes sob a forma de «ataques de sono», isto é, a pessoa adormece incoercível e subitamente.

Associados aos «ataques» poderão ocorrer episódios de perda da força muscular, generalizada ou localizada, em resposta a estímulos emocionais fortes, como o riso, o susto ou a irritação. A estes episódios dá-se o nome de cataplexia, podendo ser interpretados como desmaios ou até crises epilépticas, mas o doente mantém-se sempre consciente.

A Narcolepsia provoca graves limitações no dia-a-dia e leva muitas vezes à depressão.

A sintomatologia pode aparecer durante a infância, mas costuma ser mais evidente entre os 11 e os 20 anos. Geralmente, as manifestações deste distúrbio não aparecem em simultâneo, vão surgindo e geralmente a primeira é a sonolência diurna excessiva.

Esta perturbação é benigna, contudo, poderá causar graves limitações no quotidiano, não apenas consequências da sonolência, mas também pelas manifestações da cataplexia, sobretudo na esfera social.

A ansiedade ou depressão e a perda de auto-estima atingem o doente narcoléptico e resultam muitas vezes do estigma social que classifica como preguiça ou desinteresse as manifestações de sonolência. Por outro lado, as manifestações de cataplexia, que podem manifestar-se por episódios de queda abrupta, por exemplo, num acesso de riso, podem ser objecto de algum constrangimento social.

Tal como a Insónia o Acompanhamento Psicológico na Narcolepsia e Hipersónia revelam-se muito importantes e eficazes pois ajudam o sujeito a resolver problemas e tensões internas que estão na origem da sua perturbação do sono.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Quando dois se tornam três: a mudança que o nascimento de uma criança traz numa relação conjugal.

Quando um casal tem um filho, seja essa criança planeada ou surja de forma ocasional, uma nova família será constituída a partir desse nascimento, ou melhor, podemos dizer que desde a confirmação da gravidez surgem alterações na relação do casal. Mãe e pai deixam de ser apenas parceiros e filhos para passarem a ser pais. A mudança de papéis e funções alteram-se em consequência do nascimento deste primeiro filho.


Esta nova família nuclear que se forma é produto de um casal que vem de famílias diferentes e que transporta consigo a genética, os valores e histórias das suas famílias de origem. Tudo isso é uma enorme influência na configuração da nova família. Cada membro do casal traz para a educação dessa criança tudo aquilo que recolheu da sua própria vivência familiar.

A primeira alteração que surge na dinâmica do casal está relacionada com o estado físico da mulher que a partir de alguns meses de gravidez pode condicionar (dependendo do estado de saúde da mulher), em situações anormais o relacionamento sexual do par. A frequência pode diminuir ou podem mesmo deixar de existir durante alguns meses. Se a relação afectiva entre os dois não for sólida e madura, poderá ser um abanão na relação do casal. Por vezes surgem as infidelidades e a poderá até existir uma ruptura dessa relação. Um dos sinais de que essa relação poderá ser sentida como insegura por parte da mulher tem a ver com o aparecimento dos tão falados enjoos, que não são mais que manifestações somáticas da insegurança afectiva ou muitas vezes da rejeição inconsciente da gravidez por parte da futura mãe. Por vezes desaparecem, quando a vinda da criança é aceite ao nível inconsciente e a mãe se sente mais segura na relação com o marido, ou seja, não vai ser abandonada.

O nascimento do primeiro filho é uma fase de profunda transformação na vida do casal, criando novos papéis, principalmente o de mãe e de pai, o que, de alguma maneira irá ter repercussões na relação conjugal. Além disso, esta etapa do ciclo de vida familiar irá afectar toda a família ampliada, alterando papéis e exigindo uma reorganização de todo o sistema familiar.

Com o nascimento da criança a tensão aumenta no seio da família e entre o casal, é uma tensão dita normativa, e pode ser vivida com maior ou menor ansiedade, variando esse aspecto conforme foi vivido pelas gerações anteriores, ou seja, se o nascimento das crianças foi vivido com calma e serenidade na família dos progenitores decerto esse sentimento e essa vivência será perpetuada, se pelo contrário foi vivido com ansiedade então é provável que volte a acontecer, dificultando a adaptação da criança e dos pais a uma nova situação.

Muitos casais com problemas ao nível do relacionamento idealizam o nascimento da criança como um momento mágico acreditando muitas vezes que ele irá resolver problemas conjugais e familiares. No entanto, embora isso possa acontecer, muitas vezes sucede o contrario, os conflitos e os problemas agudizam-se, pois agora existe mais um membro que durante quase todo o tempo exige a atenção da mãe e do pai, deixando durante muito tempo pouco espaço para o casal. As mudanças na vida conjugal são tão abruptas que muitos casais não resistem a elas. Outros acreditam que com o nascimento vão ficar mais unidos e acabam por se afastar devido a discórdias e discussões que podem levar mesmo à separação.

Alguns casais unem-se, de facto, assumindo o papel quase de missionários, pois muitas vezes esta criança vem cumprir uma função na família.

Estes são alguns aspectos da alteração da dinâmica familiar, no entanto existem outros, específicos de cada família, que não estão aqui mencionados.

A ansiedade desta fase é inevitável, mas nem sempre é geradora de conflitos, no entanto é importante o casal tomar consciência das alterações que a sua vida irá sofrer. Frequentar grupos terapêuticos de aconselhamento (quando existam duvidas e ansiedades) poderá ajudar os membros do casal a desmistificar e a elaborar medos e ansiedades decorrentes dessa nova mudança de papéis.

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