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domingo, 27 de junho de 2010

Quando a história se repete de geração em geração...



O legado psíquico do ser humano é transmitido de geração em geração conduzindo a estados de saúde psíquica duráveis ou, pelo contrário, à doença, que se prolonga segundo alguns estudos até á terceira geração se não houver uma interrupção do ciclo com uma psicoterapia.

Infelizmente não podemos escolher o local e as circunstâncias do nosso nascimento, e se por vezes as coisas correm bem isto não acontece sempre, e aquilo que somos está fortemente condicionado por este primeiro lugar que nos acolheu...no bom da nossa história e no menos bom.

A família funciona como um campo dinâmico no qual interagem tanto os factores conscientes quanto os inconscientes, sendo que a criança desde o nascimento não é apenas influenciada pela família, mas é também um poderoso agente activo de modificações no seio familiar.

O primeiro factor da transgeracionalidade a ter em conta é que cada progenitor mantém internalizações das famílias de origem com os correspondentes estereótipos e conflitos.

Há uma forte tendência no sentido de que os conflitos não resolvidos pelos pais da criança, com os seus pais sejam mais tarde reeditados nos filhos, ou seja tudo se repete novamente, os conflitos que ocorreram, o tipo de relação, a incapacidadede expressar afectos, entre outros.

A título de exemplo, não raras vezes, uma mãe com relação muito intensa com o seu pai,  pode menosprezar o marido dedicando-se inteiramente ao filho, fazendo com que desta  forma a criança  se torna uma imagem do avô, enquanto a mãe vai desvalorizando a imagem do pai, excluindo assim a figura paterna da educação da criança, tal como foi rejeitada pelo pai. Vinga-se assim no marido.

O mesmo é válido para o homem fixado na mãe, que aos poucos vai excluindo a mulher e fixando-se na sua mãe, muitas vezes através dos filhos, passando a esposa a fazer parte dos odiados da família, ficando vingado o desprezo que a mãe lhe devota.

Medos, conflitos, histórias , agressividade, mesmo modelo de relação conflitual entre pais filhos e entre o casal , percursos de vidas... Tudo isto muitas vezes se repete, mesmo aquilo que achamos que estava mal e que foi prejudicional, e que achamos que nunca iria acontecer connosco!! È a Repetição!!

Não raras vezes ouço os meus pacientes dizerem: "Isto assusta-me, começo a perceber que estou a ficar igual à minha mãe", ou "estou a fazer exactamente o mesmo que o meu pai e a repetir muitas coisas que odiava nele"!!

É claro que nada disto acontece de forma consciente e intencional. Tudo acontece de forma muito inconsciente, e por isso completamente fora do controlo de cada um de nós, mas que podem deixar marcas devastadores da saúde psíquica das crianças.



Os valores culturais, afectos, ansiedades, necessidades do ego, mal entendidos, segredos ocultos, são transmissões que não passam de forma indelével nas gerações.

A forma como os pais se vêem, a imagem que tem de cada um e que passam aos filhos, as necessidades de auto-estima, a definição de papéis como por exemplo a “ bode expiatório”, “orgulho de mãe”, “doente da família”, louco da família” são cumpridos dentro da família e fora dela, mantendo muitas vezes a aparente “sanidade mental” de todos os outros, que ao terem um identificado como doente, parecem estarem assim a salvo da doença, quando na realidade estão todos emersos em doença psíquica.

As famílias apresentam uma variedade de estruturas que pode ir do mais saudável ao mais doente. Podem ser famílias simbióticas (vivem e fazem tudo juntos), obsessivas, narcisistas (vivem de aparência para esconder as fragilidades e obrigam os filhos a performances de perfeição), paranóides (existem perigos em todo o lado, tudo é externo ao sujeito), fóbicas (alimentam nos filhos medos que são seus, tornam-nos hipocondríacos), depressivas, sadomasoquistas etc., ou então apresentam-se mentalmente bem estruturadas e sadias.

Uma família bem estruturada requer algumas condições básicas, tais como, distribuição de papéis, lugares, posições e atribuições, com a manutenção de um clima de liberdade e de respeito entre os membros.
É necessários existir limites e fronteiras na relação dos membros familiares.

Caso isso não exista e tudo fique confuso, borrado, em que se perdem os direitos, deveres e privilégios, como os lugares que cabem a um pai e a um filho então a insanidade mental está criada e vai passando de geração em geração.
É vulgar ouvir dizer de algumas famílias que se constituem doentes “ são todos assim, o avô também se matou, a mãe era depressiva”, no caso de famílias depressivas, ou em famílias psicóticas que gerações após geração vão surgindo casos de esquizofrenia em número considerável para ser considerado normal. São famílias que se organizam num psiquismo doente, passando aos filhos modelos de relação baseados em pressupostos de doença, muitas vezes não visível socialmente mas que se traduzem por exemplo em visitas exageradas a médicos, baixas, hospitalizações entre outros factos.

Qualquer das situações descritas vai influir na formação do psiquismo da criança, passando de pais para filhos numa transgeracionalidade que é preciso travar, para que a sociedade se constitua sadia.

A única forma de parar com esta transgeracionalidade doentia, ou seja modelos de funcionamento familiares disfuncionais em que a repetição acontece, é através da psicoterapia,  quando os sujeitos param para pensar e começam  a ser mais conscientes de si próprios, e dos seus actos, e compreendem em profundidade o seu funcionamento mental e como se construíram.

A Psicoterapia é o caminho ...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Insónia, Ansiedade e Depressão

A insónia é, talvez, o distúrbio do sono mais conhecido, bem como o mais frequente.

A insónia é a dificuldade em conciliar o sono ou permanecer adormecido, ou uma alteração no padrão do sono que, ao despertar, leva à percepção de que o sono foi insuficiente.

A insónia não é uma doença, mas um sintoma. Pode ser consequência de diversas perturbações emocionais e físicas e do uso de medicamentos.

A dificuldade em conciliar o sono é frequente entre jovens e idosos e muitas vezes manifesta-se no decurso de alterações emocionais, como a ansiedade, o nervosismo, a depressão ou o medo.

Há mesmo pessoas que têm dificuldade em conciliar o sono simplesmente porque não experimentam cansaço, nem físico nem mental.

Porém, importa referir que as pessoas tendem a dormir menos à medida que envelhecem. Embora normais, estas mudanças no padrão do sono fazem com que as pessoas adultas pensem que não estão a dormir o suficiente. No entanto, não existem provas de que as pessoas saudáveis de idade avançada necessitem de dormir tanto como os jovens nem que requeiram medicamentos para dormir com o objectivo de evitar estas alterações normais associadas à idade.

O padrão da insónia da primeira hora da manhã é mais frequente nas pessoas de idade avançada.
Algumas pessoas conciliam o sono normalmente, mas despertam várias horas antes da hora habitual, não conseguem voltar a adormecer com facilidade e, por vezes, têm um sono inquieto e pouco reparador.

Em qualquer idade, o facto de despertar muito cedo pode ser um sintoma de depressão.
As pessoas com uma alteração no seu padrão de sono podem experimentar inversões no ritmo do sono, isto é, conciliam o sono em horas menos adequadas e não conseguem dormir quando deveriam fazê-lo. As inversões no ritmo do sono reflectem geralmente um desfasamento horário devido a uma viagem de avião (especialmente de leste para oeste), turnos de trabalho nocturno irregulares, mudanças frequentes de horários ou o abuso de bebidas alcoólicas. Por vezes, devem-se ao efeito secundário de um fármaco.

O padrão de sono pode ver-se alterado por lesões no relógio interno do cérebro (provocadas por uma encefalite, uma doença de Alzheimer, por exemplo).

Podemos identificar vários tipos de insónias:

A insónia psicofisiológica é caracterizada por elevados índices de activação e associações adquiridas relativamente ao sono, que estão relacionados com uma enorme preocupação com a incapacidade de dormir.

À percepção inadequada do sono, ou seja, quando o indivíduo tem a noção que não dorme, embora a repercussão diurna não seja compatível com isso, dá-se o nome de insónia paradoxal.

A insónia idiopática tem um início progressivo desde a infância e sem evidência clara de qualquer problema subjacente.

Também poderá ocorrer a insónia originada por distúrbios mentais, em especial aqueles que estão associados a alterações de humor ou a uma doença afectiva, como a ansiedade ou a depressão.

Outras situações são a insónia por higiene inadequada do sono, devida ao uso de drogas ou substâncias (incluindo medicamentos), assim como originada por uma doença que, pela sua natureza, perturbe o sono (dor, tosse, falta de ar, etc.).

Por fim, a insónia comportamental da criança, que está ligada a uma situação identificável, como seja a ausência de objecto ou de situação habitualmente utilizada para o início do sono.

A Insónia Surge em qualquer fase da vida

Dependendo do tipo de insónia, pode surgir como manifestação em qualquer fase da vida, da criança ao idoso, sem evidência de predomínio segundo o sexo.

Podemos apontar como consequências das insónias:

Se as manifestações mais imediatas se prendem com o cérebro (onde o sono é determinado) e têm a ver com aumento da sonolência, a diminuição das capacidades associadas à concentração, atenção, memória, aos distúrbios de humor e à diminuição da capacidade de desempenho de um modo global, a prazo, podem ser esperadas repercussões orgânicas de diversa ordem, incluindo um aumento de risco de doença cardiovascular.

Quanto à terapêutica, passa pelo tratamento da situação subjacente que condiciona a insónia.

Como grande parte das insónias são causadas por factores de ordem emocional o acompanhamento psicológico e psicoterapêutico são de extrema importância e eficácia, uma vez que vão ajudar o paciente a identificar e resolver os factores que estão a provocar um elevado nível de stress interno no sujeito e pode estar na origem da insónia.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Perturbações do sono: Quando o descanso merecido é perturbado

O sono é uma necessidade fisiológica. O sono é uma função essencial ao bem estar do dia-a-dia, tanto físico como psíquico. Se não dormimos bem ficamos cansados, irritáveis, incapazes de tarefas mais complicadas, e temos muitas vezes uma grande vontade de dormir. Isto quer dizer que o organismo tende a repor o sono em falta, mas as compensações nunca são perfeitas.

A impossibilidade de ter um sono profundo e repousante nas sociedades desenvolvidas, é uma das causas mais frequentes de depressão, exaustão cerebral, deficiente desempenho escolar e desequilíbrios hormonais.

O recurso a medicação ansiolítica e indutores do sono é a opção habitual. Nem sempre, no entanto, são uma solução satisfatória e os efeitos secundários não são negligenciáveis.

Existem várias perturbações do sono:

A Insónia (não conseguir dormir)

A Narcolepsia (sonolência excessiva e tendência a dormir em horas inapropriadas e em qualquer lugar),

O Bruxismo (ranger dos dentes),

A hipersónia (necessidade inata de dormir muito)

A Apneia durante o sono é um grupo de perturbações graves em que a respiração se suspende repetidamente durante o sono (apneia) um tempo suficientemente prolongado para provocar uma desoxigenação sanguínea e cerebral e aumentar a quantidade de anidrido carbónico.

As parasónias (alterações do sono, como as pernas inquieta, pesadelos, terrores nocturnos, sonambulismo, entre outras).

Destas perturbações do Sono as Insónias e a Narcolepsia são as que estão mais intimamente ligadas a factores psicológicos e emocionais, e com mais consequências psicológicas para o sujeito e as que incluem na sua terapêutica o acompanhamento psicológico. As restantes Perturbações do Sono, têm origem marcadamente fisiologica e neuronal, pelo que os eu tratamento é essencialmente farmacológico e no caso da apneia, cirúrgico.

Insónia: sono esperado que tarda
A insónia é, talvez, o distúrbio do sono mais conhecido, bem como o mais frequente.

A insónia é a dificuldade em conciliar o sono ou permanecer adormecido, ou uma alteração no padrão do sono que, ao despertar, leva à percepção de que o sono foi insuficiente.

A insónia não é uma doença, mas um sintoma. Pode ser consequência de diversas perturbações emocionais e físicas e do uso de medicamentos.
A dificuldade em conciliar o sono é frequente entre jovens e idosos e muitas vezes manifesta-se no decurso de alterações emocionais, como a ansiedade, o nervosismo, a depressão ou o medo.
Há mesmo pessoas que têm dificuldade em conciliar o sono simplesmente porque não experimentam cansaço, nem físico nem mental.

As pessoas tendem a dormir menos à medida que envelhecem. Embora normais, estas mudanças no padrão do sono fazem com que as pessoas adultas pensem que não estão a dormir o suficiente. No entanto, não existem provas de que as pessoas saudáveis de idade avançada necessitem de dormir tanto como os jovens nem que requeiram medicamentos para dormir com o objectivo de evitar estas alterações normais associadas à idade.

O padrão da insónia da primeira hora da manhã é mais frequente nas pessoas de idade avançada. Algumas pessoas conciliam o sono normalmente, mas despertam várias horas antes da hora habitual, não conseguem voltar a adormecer com facilidade e, por vezes, têm um sono inquieto e pouco reparador. Em qualquer idade, o facto de despertar muito cedo pode ser um sintoma de depressão.

As pessoas com uma alteração no seu padrão de sono podem experimentar inversões no ritmo do sono, isto é, conciliam o sono em horas menos adequadas e não conseguem dormir quando deveriam fazê-lo. As inversões no ritmo do sono reflectem geralmente um desfasamento horário devido a uma viagem de avião (especialmente de leste para oeste), turnos de trabalho nocturno irregulares, mudanças frequentes de horários ou o abuso de bebidas alcoólicas. Por vezes, devem-se ao efeito secundário de um fármaco.

O padrão de sono pode ver-se alterado por lesões no relógio interno do cérebro (provocadas por uma encefalite, uma doença de Alzheimer, por exemplo).

Podemos identificar vários tipos de insónias:

A insónia psicofisiológica é caracterizada por elevados índices de activação e associações adquiridas relativamente ao sono, que estão relacionados com uma enorme preocupação com a incapacidade de dormir.

À percepção inadequada do sono, ou seja, quando o indivíduo tem a noção que não dorme, embora a repercussão diurna não seja compatível com isso, dá-se o nome de insónia paradoxal.

A insónia idiopática tem um início progressivo desde a infância e sem evidência clara de qualquer problema subjacente.

Também poderá ocorrer a insónia originada por distúrbios mentais, em especial aqueles que estão associados a alterações de humor ou a uma doença afectiva, como a ansiedade ou a depressão.

Outras situações são a insónia por higiene inadequada do sono, devida ao uso de drogas ou substâncias (incluindo medicamentos), assim como originada por uma doença que, pela sua natureza, perturbe o sono (dor, tosse, falta de ar, etc.).

Por fim, a insónia comportamental da criança, que está ligada a uma situação identificável, como seja a ausência de objecto ou de situação habitualmente utilizada para o início do sono.

A Insónia Surge em qualquer fase da vida

Dependendo do tipo de insónia, pode surgir como manifestação em qualquer fase da vida, da criança ao idoso, sem evidência de predomínio segundo o sexo.

Podemos apontar como consequências das insónias:

Se as manifestações mais imediatas se prendem com o cérebro (onde o sono é determinado) e têm a ver com aumento da sonolência, a diminuição das capacidades associadas à concentração, atenção, memória, aos distúrbios de humor e à diminuição da capacidade de desempenho de um modo global, a prazo, podem ser esperadas repercussões orgânicas de diversa ordem, incluindo um aumento de risco de doença cardiovascular.

Quanto à terapêutica, passa pelo tratamento da situação subjacente que condiciona a insónia.

Como grande parte das insónias são causadas por factores de ordem emocional o acompanhamento psicológico e psicoterapêutico são de extrema importância e eficácia, uma vez que vão ajudar o paciente a identificar e resolver os factores que estão a provocar um elevado nível de stress interno no sujeito e pode estar na origem da insónia.

Para a manifestação em si, o recurso, cauteloso e controlado, de indutores ou promotores do sono pode ser utilizado.

A Hipersónia aparece antes dos 25 anos

Ao contrário da insónia, a hipersónia significa, etimologicamente, sono a mais. Desta forma, pode ser intermutável com sonolência excessiva durante o dia, sendo que qualquer situação que leve a privação da quantidade ou qualidade do sono pode manifestar-se através da hipersónia.

Existe um conjunto de distúrbios particulares, denominado de hipersónia de origem central, na qual a manifestação de hipersónia não pode ser associada a distúrbio do sono nocturno ou alteração do ritmo sono-vigília.

Neste grupo incluem-se a narcolepsia, a hipersónia idiopática, as hipersónias recorrentes ligadas a situações específicas como a menstruação, ou as hipersónias associadas a condições médicas (traumatismo craniano, encefalite, tumor cerebral, etc.) ou, ainda, associada a utilização de drogas e substâncias.

Não se sabe a origem da hipersónia idiopática, podendo haver uma predisposição familiar que traduza defeito genético, mas não está provado.

Uma situação deste género aparece habitualmente antes dos 25 anos de idade e, por norma, mantém-se estável em termos de gravidade e duração. A utilização de medicação de acção estimulante e regras de higiene do sono constituem o tratamento de base.

Narcolepsia: aparecimento súbito e inesperado do sono

Estima-se que a narcolepsia afecte entre 0,02 e 0,2% da população a nível mundial, sendo um distúrbio bastante raro, que se caracteriza por sonolência excessiva, por vezes sob a forma de «ataques de sono», isto é, a pessoa adormece incoercível e subitamente.

Associados aos «ataques» poderão ocorrer episódios de perda da força muscular, generalizada ou localizada, em resposta a estímulos emocionais fortes, como o riso, o susto ou a irritação. A estes episódios dá-se o nome de cataplexia, podendo ser interpretados como desmaios ou até crises epilépticas, mas o doente mantém-se sempre consciente.

A Narcolepsia provoca graves limitações no dia-a-dia e leva muitas vezes à depressão.

A sintomatologia pode aparecer durante a infância, mas costuma ser mais evidente entre os 11 e os 20 anos. Geralmente, as manifestações deste distúrbio não aparecem em simultâneo, vão surgindo e geralmente a primeira é a sonolência diurna excessiva.

Esta perturbação é benigna, contudo, poderá causar graves limitações no quotidiano, não apenas consequências da sonolência, mas também pelas manifestações da cataplexia, sobretudo na esfera social.

A ansiedade ou depressão e a perda de auto-estima atingem o doente narcoléptico e resultam muitas vezes do estigma social que classifica como preguiça ou desinteresse as manifestações de sonolência. Por outro lado, as manifestações de cataplexia, que podem manifestar-se por episódios de queda abrupta, por exemplo, num acesso de riso, podem ser objecto de algum constrangimento social.

Tal como a Insónia o Acompanhamento Psicológico na Narcolepsia e Hipersónia revelam-se muito importantes e eficazes pois ajudam o sujeito a resolver problemas e tensões internas que estão na origem da sua perturbação do sono.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Quando dois se tornam três: a mudança que o nascimento de uma criança traz numa relação conjugal.

Quando um casal tem um filho, seja essa criança planeada ou surja de forma ocasional, uma nova família será constituída a partir desse nascimento, ou melhor, podemos dizer que desde a confirmação da gravidez surgem alterações na relação do casal. Mãe e pai deixam de ser apenas parceiros e filhos para passarem a ser pais. A mudança de papéis e funções alteram-se em consequência do nascimento deste primeiro filho.


Esta nova família nuclear que se forma é produto de um casal que vem de famílias diferentes e que transporta consigo a genética, os valores e histórias das suas famílias de origem. Tudo isso é uma enorme influência na configuração da nova família. Cada membro do casal traz para a educação dessa criança tudo aquilo que recolheu da sua própria vivência familiar.

A primeira alteração que surge na dinâmica do casal está relacionada com o estado físico da mulher que a partir de alguns meses de gravidez pode condicionar (dependendo do estado de saúde da mulher), em situações anormais o relacionamento sexual do par. A frequência pode diminuir ou podem mesmo deixar de existir durante alguns meses. Se a relação afectiva entre os dois não for sólida e madura, poderá ser um abanão na relação do casal. Por vezes surgem as infidelidades e a poderá até existir uma ruptura dessa relação. Um dos sinais de que essa relação poderá ser sentida como insegura por parte da mulher tem a ver com o aparecimento dos tão falados enjoos, que não são mais que manifestações somáticas da insegurança afectiva ou muitas vezes da rejeição inconsciente da gravidez por parte da futura mãe. Por vezes desaparecem, quando a vinda da criança é aceite ao nível inconsciente e a mãe se sente mais segura na relação com o marido, ou seja, não vai ser abandonada.

O nascimento do primeiro filho é uma fase de profunda transformação na vida do casal, criando novos papéis, principalmente o de mãe e de pai, o que, de alguma maneira irá ter repercussões na relação conjugal. Além disso, esta etapa do ciclo de vida familiar irá afectar toda a família ampliada, alterando papéis e exigindo uma reorganização de todo o sistema familiar.

Com o nascimento da criança a tensão aumenta no seio da família e entre o casal, é uma tensão dita normativa, e pode ser vivida com maior ou menor ansiedade, variando esse aspecto conforme foi vivido pelas gerações anteriores, ou seja, se o nascimento das crianças foi vivido com calma e serenidade na família dos progenitores decerto esse sentimento e essa vivência será perpetuada, se pelo contrário foi vivido com ansiedade então é provável que volte a acontecer, dificultando a adaptação da criança e dos pais a uma nova situação.

Muitos casais com problemas ao nível do relacionamento idealizam o nascimento da criança como um momento mágico acreditando muitas vezes que ele irá resolver problemas conjugais e familiares. No entanto, embora isso possa acontecer, muitas vezes sucede o contrario, os conflitos e os problemas agudizam-se, pois agora existe mais um membro que durante quase todo o tempo exige a atenção da mãe e do pai, deixando durante muito tempo pouco espaço para o casal. As mudanças na vida conjugal são tão abruptas que muitos casais não resistem a elas. Outros acreditam que com o nascimento vão ficar mais unidos e acabam por se afastar devido a discórdias e discussões que podem levar mesmo à separação.

Alguns casais unem-se, de facto, assumindo o papel quase de missionários, pois muitas vezes esta criança vem cumprir uma função na família.

Estes são alguns aspectos da alteração da dinâmica familiar, no entanto existem outros, específicos de cada família, que não estão aqui mencionados.

A ansiedade desta fase é inevitável, mas nem sempre é geradora de conflitos, no entanto é importante o casal tomar consciência das alterações que a sua vida irá sofrer. Frequentar grupos terapêuticos de aconselhamento (quando existam duvidas e ansiedades) poderá ajudar os membros do casal a desmistificar e a elaborar medos e ansiedades decorrentes dessa nova mudança de papéis.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

DIA da Mãe na primeira Pessoa

 
 Artigo publicado IN  REVISTA FOCUS de 28 de Abril de 2010

O conceito de Amor Materno apesar de universalmente reconhecido, surgiu apenas no último terço do séc. XVIII quando se deu uma revolução de mentalidades que conduziu a uma alteração na imagem de mãe, no seu papel e na sua importância.


De acordo com a psicóloga Maria de Jesus Candeias, a partir desta altura começa a considerar-se a criança o objecto de valor privilegiado na atenção materna e insiste-se em que a mulher se sacrifique para a melhor qualidade de vida do seu filho.

Um dos primeiros indicadores de mudança no comportamento da mãe é a amamentação.

Com as mudanças nas vivências familiares que surgem no final do séc. XVIII e durante o séc. XIX com a valorização dos laços afectivos em especial em torno da figura da mãe. “Começou a dar-se um sentido diferente à maternidade, alargada e estendida à vivência da família muito para além dos nove meses de gravidez”.

A Psicanálise dá no séc. XIX um contributo decisivo para a compreensão e promoção do papel fundamental da mãe no desenvolvimento da criança e vem promover a mãe, a grande responsável pela felicidade do seu filho que passará a ser uma grande marca na definição do seu papel, e o quanto esta é importante na construção da personalidade do novo ser.

Como refere Winnicot, psicanalista inglês “ o primeiro espelho da criatura humana é o rosto da mãe, o seu olhar, sorriso, expressões faciais etc” Opinião partilhada por Maria de Jesus Candeias, que afirma que “A relação entre mãe e filho, que se desenvolve e estabelece ainda antes do nascimento, vai moldar o desenvolvimento intelectual e emocional da criança”

A psicóloga reflecte sobre o papel da mãe e afirma que: A relação que se estabelece entre mãe e filho, desde os primeiros momentos de vida será a base da segurança, autoconfiança, auto-estima e capacidade para estabelecer relações ao longo da vida da criança.

E é a partir do reflexo do espelho da mãe que a criança se vai reconhecendo, vai sentir que é amada, e vai passando a existir e construir a sua identidade.

É a mãe pelo seu discurso que vai ensinando a criança a ler e a compreender o mundo à sua volta, ajudando a criança a dar significado aquilo que a rodeia.

É a mãe que por assim dizer trata a informação que o bebé recebe, que a transforma, reduzindo os seus estados de tensão e de mal-estar e facilita a adaptação e o bem-estar do bebé.

É este trabalho mental da mãe de transformação dos estados da criança, de «continente psíquico», que salvaguarda a qualidade das suas primeiras experiências e que são decisivas para o sentimento do “EU”, e indispensáveis para a sua formação e desenvolvimento.

Uma adequada maternagem deve facilitar uma lenta e gradual separação e abrir caminho para a entrada em cena de um pai, passando de uma diade para uma relação a três, passando a criança a reconhecer a existência de terceiros numa relação, ensinando desta forma a criança a socializar-se.

É a mãe a fundadora dos valores e das auto-representações da criança. É ela enquanto primeiro elemento de vinculação, que vai a criança a “ler o mundo à sua volta” e a tornar-se pessoa. A mãe é pois um importante modelo de identificação para o filho.

Porém, não podemos deixar de referir que o amor maternal é algo infinitamente complexo e imperfeito;

O amor Materno depende não só da história pessoal de cada mulher, da oportunidade da gravidez, do seu desejo da criança, da relação com o pai mas também de factores sociais, culturais e profissionais.

Não é raro verificar que «em relação aos filhos, todas as mulheres repetem a história da sua própria relação com a sua mãe ».

Ser mãe é pois um grande desafio. Infelizmente não há receitas para ser mãe! E deixemos de ilusões : não há mães perfeitas!

O Ideal são mães “suficientemente boas” atentas, disponíveis, dispostas a aprender com o próprio filho, disponíveis para pensar a maternidade e romper com repetições geracionais muitas vezes patológicas, e principalmente com grande capacidade de amar!


Artigo publicado na Revista  FOCUS de 28 de Abril de 2010

sábado, 10 de abril de 2010

Quando o corpo reflecte as dores da alma...

" Frida Kahlo"

As ciências médicas admitem hoje que mais de oitenta por cento das doenças são de origem psicossomática.

O que são doenças psicossomáticas?

São doenças do foro psicológico com expressão física.

Pelo facto da sua génese ser psíquica não deixam de causar mal-estar ao nível físico e não são para descurar ou desvalorizar. São exemplos dessas doenças a asma, os eczemas, as dores de cabeça, os problemas gástricos e abdominais, arritmias, enxaquecas, quistos, entre outros.

Regra geral, as somatizações ocorrem em pessoas com grande dificuldade em expressar e exteriorizar os seus sentimentos, sua raiva, sua tristeza, suas preocupações, gerando um elevado nível de tensão interna que acaba por ser descarregado no corpo, geralmente nos pontos mais sensíveis da pessoa, fazendo com que esta adoeça físicamente.

O conflito psíquico que a criança ou o adulto apresenta e que não consegue ou não pode verbalizar, por ser na maioria das vezes inconsciente, assume manifestações físicas que provocam um enorme sofrimento quase sempre ao longo da vida, porque a componente psíquica é quase sempre relegada para segundo plano, por outros técnicos de saúde que insistem apenas no tratamento físico.

A qualidade de relação desenvolvida no seio da família e nomeadamente com a mãe nos primeiros tempos de vida poderá estar na origem de somatizações posteriores.

São exemplos de manifestações somáticas as dores de barriga das crianças que não tem causa física, dores de cabeça (as vulgares enxaquecas dos adultos), ataques de asma, infecções crónicas do aparelho respiratório que não desaparecem apesar de já terem tomado vários antibióticos, eczemas que persistem uma vida inteira, alguns problemas de pele entre outros sintomas.

A recusa e a resistência das pessoas a pensarem nestes temas e na possibilidade de haverem causas psíquicas para muitas doenças leva a que os sintomas se arrastem uma vida inteira sem cura ou melhoras significativas possíveis através de uma psicoterapia.

É mais fácil aceitar as doenças físicas do que a incapacidade de "aguentar" a dor mental.

Quem é psiquicamente saudável e teve uma relação suficientemente boa com os pais, foi amado, então a hipótese de desenvolver doenças são menores.
 
As investigações psicossomáticas revelam que quanto mais amor existe menos doenças se desenvolvem.
 
Mais amor, menos doença.

terça-feira, 23 de março de 2010

Depressão de Inferioridade ou Depressão Narcísica

"Dali"

A depressão gera-se numa relação de amor não correspondido, numa economia depressigena: em que o sujeito dá mais do que recebe. É ai que se desenvolve, forma-se como reacção à perda afectiva pontual e mais visível, mais dolorosa para a pessoa.

O drama do depressivo resulta, em grande parte, de ter sido amado de um modo narcísico: a mãe amou-o como uma parte do seu próprio corpo. Ama-o como uma posse, um prolongamento de si mesma, não como um ser separado e diferente. É o amor narcísico do objecto, em que este é investido como uma peça ou um adorno do sujeito amante, tal como se ama um carro caro, ou uma jóia cara.

No investimento narcísico do objecto, o sujeito investidor está em primeiro plano, é o mais importante (Coimbra de Matos, 2002). É o caso da mãe que exibe o filho para se mostrar, para obter atenção de outro, e quando o filho não corresponde ao que espera dele, ou seja, não a reconhece e não a valoriza como mãe, denigre-o e o afasta-o recusando-lhe o seu afecto. Muitas vezes é dito à criança frases deste género: “ és mau, não gosto de ti”, que, verbalizadas de uma forma continuada e ao longo do tempo geram a doença, a depressão, doença dos afectos.


Outro aspecto intimamente ligado à depressão (muito frequente em psicoterapia) é a deficiente narcisação da criança no seu papel de futura mulher e futuro homem.
Entende – se por narcisar a função que a mãe e o pai tem de reconhecer o filho em todas as suas fases de desenvolvimento. Narcisar (vem de narciso e tem a ver com a beleza) significa por isso reconhecer e valorizar a beleza, algo que o ser humano precisa durante toda a sua vida, pois não existe sem o reconhecimento do outro.

Outra forma da depressão, com contornos diferentes da retirada do afecto pelo objecto, é a depressão de inferioridade, e que resulta da deficiente narcisação da criança.
A pessoa não foi valorizada enquanto menina ou rapaz. Não lhe foi dito que estava bonita, e que iria arranjar muitos namorados, ou namoradas, logo não foi valorizada a sua beleza, mais tarde vai-se sentir sempre feia ou feio apesar de na maioria das vezes serem pessoas bonitas. Também não foram considerados capazes e competentes nas tarefas que faziam, ou tudo o que faziam não chegava para satisfazer os pais.
Então, mais tarde, na vida adulta, nada lhe irá correr bem, irá sempre deixar escapar oportunidades por não se sentir capaz, e vai ter sempre a sensação de todos lhe terem passado na frente e serem mais capazes que eles. Estas pessoas que apresentam depressões de inferioridade vivem tristes e desvalorizadas, quando por vezes tem potencial para serem pessoas bem sucedidas a nível pessoal e profissional. Á sua volta ninguém percebe o que se passa, na verdade parece até que não tem motivos para se sentirem assim. No entanto a deficiente narcisação empurrou-os para a depressão.
Este tipo de depressão não tem só a ver com falta de afecto mas com o reconhecimento da beleza e das capacidades.
Se a criança foi reconhecida pelo pai e pela mãe “ estás tão bonita, vais arranjar muitos namorados” no seu papel sexual, então quando chegar á adolescência tudo irá ser mais fácil. Ai só lhe resta experimentar na prática se a mãe ou o pai tinham razão há alguns anos atrás, e vai confirmar ou infirmar a opinião parental. Um dia arranja um companheiro e vai-se sentir segura. Se pelo contrario ninguém lhe disse o quanto era bonita e lhe disse que tinha possibilidades de ter muito sucesso com o sexo oposto, então a insegurança instala-se e irá ter imensas dificuldades em segurar-se numa relação. Pela vida fora irá encontrar pessoas idênticas a ela e, a procurar essa narcisação nos homens ou mulheres que escolhe para companheiros. Essa narcisação, uma vez que é procurada de forma externa (a auto-estima do bébe começa por ser externa, através da mãe, e cada vez mais vai sendo mantida de forma interna num ser humano mentalmente saudável) irá trazer insatisfação e sentimentos depressivos, uma vez que o outro procura exactamente o mesmo, e nenhum tem algo para dar, tendo no entanto tudo para receber.
A pessoa chegará a uma fase, normalmente em acontecimentos de vida significativos (nascimento de filhos, casamento, termino de licenciatura, morte de um familiar) em que o self não aguenta o esforço para manter a auto-estima e deprime.

O tratamento deste tipo de depressão passa por uma  psicoterapia, um processo em que a pessoa vai ser narcisada e reconhecida e assim recuperar o seu valor enquanto homem e mulher, quer no seu papel de identidade de género, quer nas suas competência enquanto ser humano útil à sociedade.

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