domingo, 1 de fevereiro de 2009

Anorexia: O Ideal de Beleza?


Cada vez mais as sociedades ocidentais e industrializadas, vivem e cultivam a imagem corporal dos seus cidadãos, renegando para segundo plano as suas reais competências e capacidades. A beleza, o corpo ideal e esbelto e a elegância dominam a actualidade e são considerados elementos essenciais de bem estar-fisico e psicológico, abrindo portas para a aceitação e integração nos diferentes grupos a que pertencemos.
Se à partida, tal facto não acarreta nenhum inconveniente, uma análise mais atenta revela que a influência dos media e de outras campanhas a favor do “corpo ideal” para o “bem-estar ideal”, junto de adolescentes e jovens adultos; a pressão grupal e a necessidade de aceitação contribuem para um sofrimento avassalador incomportável para ser suportado apenas mentalmente, levando a que se instalem distúrbios do comportamento alimentar, nomeadamente a anorexia nervosa (AN).
A anorexia nervosa pode ser definida, então, como uma doença do foro psíquico que afecta actualmente cada vez mais jovens entre os 10-20anos, nomeadamente raparigas, e que se caracteriza por uma limitação e/ou rejeição aos alimentos, acompanhada por uma obsessão pela Magreza e por um medo mórbido de engordar associados a um profundo sentimento de mal estar interno.
Estas jovens têm um desejo contínuo de obter uma silhueta "perfeita" numa tentativa de obter um "corpo de sonho". Para tal fazem regimes de emagrecimento por vezes desconhecendo as possíveis consequências.Nalguns casos, o problema é tão grave que a adolescente deixa de ter a percepção da sua própria silhueta. É uma tortura, porque extremamente magras, continuam a ver-se gordas.
Podemos falar de três tipos de Anorexia Nervosa:
  • A Anorexia Nervosa Restritiva_ caracterizada por grande perda de peso e está relacionado com dietas, jejuns ou exercício físico exagerado, no entanto, o paciente, não se envolve regularmente num comportamento de purgação ou de comer compulsivamente;
  • A Anorexia Nervosa com ingestão Compulsiva_ caracteriza-se pela indução de vómitos, o uso de laxantes, diuréticos e inibidores de apetite, jejum e exercício físico intenso, que além de complicarem o quadro clínico, são um mau Prognóstico.
  • Por último, a Anorexia Nervosa do tipo compulsivo periódico/purgativo que reúne características de ambos os tipos anteriormente citados.

O começo da doença é gradual, muitas vezes, a família nem se apercebe dos esforços iniciais do indivíduo para perder peso. Isto porque, a dieta pode ser justificada por motivos de excesso de peso ou, pelo contrário, feita às escondidas num jovem de peso normal.

Factores externos podem adquirir também um papel importante na AN: mudança de escola, conflitos graves entre os pais, obesidade criticada, ameaças ao equilíbrio familiar pelos primeiros passos da autonomia dos jovens.É importante que os familiares compreendam que a recusa alimentar não é teimosia. Além do paciente apresentar uma distorção da imagem corporal, verifica-se também um controlo da fome e um horror de engordar. As recriminações constantes dos pais, embora sejam compreensíveis, não ajudam neste tipo de casos.

A fase de precipitação da AN está relacionada com um sentimento de profundo de mal-estar e inadequação, ponto de partida para uma série de comportamentos desajustados (desde dieta sem cessar até aos vómitos frequentes).A falta de alimento dá origem, progressivamente, a um quadro de debilidade, física e mental, com queixas e problemas em vários sistemas e órgãos do organismo. Socialmente, estas jovens, tornam-se cada vez mais isolados e inadaptadas.A osteoporose é a consequência mais grave, a longo prazo, desta doença. Sabe-se que a AN pode também originar infertilidade e um aumento da frequência abortos espontâneos. A afectividade e a sexualidade são profundamente afectadas pela AN crónica. As doenças do comportamento alimentar podem estar, inclusive, associadas a outras perturbações psiquiátricas, como é o caso da depressão.

É pois fundamental, um diagnóstico nesta faixa etária, para não comprometer o desenvolvimento físico e psíquico destas jovens no futuro.A doença pode ser mantida durante bastante tempo ou tornar-se uma situação crónica, de longa evolução e prognóstico reservado. É essencial evitar que o processo não se torne crónico, assim como é de extrema relevância instituir a terapêutica o mais cedo possível. Na maioria dos casos, a terapêutica, faz-se mediante uma consulta a Psicólogo ou Psiquiatra, recorrendo a uma psicoterapia individual.

M. Jesus Candeias

Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta

jesuscandeias@gmail.com

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