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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Hino à Humanidade



Passamos pelas coisas sem as ver,

gastos, como animais envelhecidos.

se alguém chama por nós não respondemos,

se alguém nos pede amor não estremecemos,

como frutos de sombra sem sabor,vamos caindo ao chão apodrecidos.

...

Eugénio Andrade
 

QUE NESTE NATAL E NO FUTURO todos possam olhar o outro de uma forma diferente,

todos respondam aos apelos, à dor, ao amor, QUE NINGUÉM FIQUE INDIFERENTE.


Para todos um grande abraço e votos de boas festas.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Depressão Pós-férias?



 Entrevista cedida e publicada à  REVISTA Pais e Filhos, 1 de Setembro de 2010 


As férias são sempre que nós quisermos...

Os fatos-de-banho estão arrumados? As fotografias da praia, piscina e campo fazem nascer suspiros de saudade? Não se deixe cair na armadilha da tristeza pós-férias. Reaja e prolongue os dias descontraídos ao longo de todo o ano.

Os primeiros indícios podem aparecer mesmo antes de as férias terminarem. De repente, a perspectiva de regressar ao trabalho e deixar para trás o tempo de descanso, durante o qual só fizemos o que queríamos, quando queríamos e com quem queríamos, parece quase insuportável. E mesmo antes de a roupa de praia voltar para as gavetas e o chapéu-de-sol para a arrecadação, damos por nós às voltas com pequenas irritações, ansiosos e cansados.

O cenário pode piorar, e muito, logo que o quotidiano habitual volta a impor-se, com horários e prazos a cumprir, falta de tempo para todos os compromissos e o stresse a ganhar terreno. É aí que as saudades dos dias de férias batem forte e nos deixam sem ânimo para quase nada. Revemos vezes sem conta as fotografias tiradas ao sol ou em noites de diversão, olhamos melancolicamente para o bronzeado que começa a desvanecer-se e nem queremos pousar os olhos no calendário já que este nos devolve a imensidão dos dias que ainda terão de passar até às próximas férias. Este estado de espírito tem um nome: síndrome pós-férias. E afecta muito mais pessoas do que, à primeira vista, poderíamos pensar. De acordo com vários estudos internacionais – realizados em países como a Espanha e o Brasil – cerca de 40 por cento das pessoas experimentam dificuldades em regressar aos ritmos de trabalho após um período alargado de descanso. Os sintomas podem ir da tristeza ligeira a atitudes que exigem acompanhamento especializado.

Depressão?

«Penso que o termo ‘depressão pós-férias’ é utilizado de forma abusiva. Para ser diagnosticada uma depressão, os sinais devem estar presentes durante, pelo menos, seis meses e devem ter origem em circunstâncias muito mais prolongadas e graves do que o fim do período de lazer.» Quem o afirma é Maria de Jesus Candeias, psicóloga clínica e psicoterapeuta, para quem «o retorno às obrigações pode agravar um quadro de fragilidades anteriores, em especial em circunstâncias de insatisfação profunda ou crise, seja ela familiar ou exterior ao agregado».

Mas estes são casos extremos. Na maior parte das vezes, os sinais de melancolia dissipam-se, mais ou menos rapidamente. Até porque é possível manter grande parte do «espírito de férias» mesmo quando o relógio de ponto ou o toque no recreio deixam de dar tréguas (ver caixa).

«Por si só, o retorno ao dia-a-dia pode deixar-nos pouco contentes, desanimados mesmo, mas nunca em depressão», adianta Maria de Jesus Candeias. «O que se passa é que durante todo o ano vivemos sob o peso do nosso individualismo e de inúmeras pressões. Por um número limitado de dias, procuramos libertar-nos desse peso e, quando finalmente conseguimos, é tempo de voltar a elas. Não admira que fiquemos tristes quando somos confrontados com o retorno à tensão. A solução para não sermos demasiadamente atingidos passa, essencialmente, por nós e pela capacidade de ‘dar a volta por cima’. E é bom fazer esse exercício não apenas quando as férias acabam mas de forma permanente.»

Telmo Baptista, presidente da Associação Portuguesa de Terapia Comportamental e Cognitiva, partilha esta análise.

O pesar que atinge muita gente no regresso de férias «é o resultado de um processo de adaptação a novas circunstâncias de deveres e obrigações». Umas pessoas passam rapidamente por essa fase e outras demoram mais tempo. E é aí que podem surgir a irritabilidade, o cansaço, a tristeza, o mau humor ou as alterações nos ritmos do apetite e do sono. «Não se trata de uma verdadeira depressão. Todavia, é positivo lançar mão de todas as armas para afastar a melancolia.» E isso pode começar em plenas férias

Férias boas, férias más

Uma investigação da filial brasileira da Internacional Stress Management Association concluiu que cerca de 70 por cento dos trabalhadores registam, nas primeiras duas semanas a seguir ao período de ócio, níveis de stresse idênticos aos registados antes das férias. Tal significa que os dias longe do trabalho funcionaram apenas como um ‘balão de oxigénio’ e não como um verdadeiro ‘recarregar de baterias’. Fazer boas opções durante o tempo em que se está fora torna-se, assim, determinante para obter resultados duradouros e fugir à síndrome pós-férias:

- Procure mudar as suas actividades diárias. O objectivo principal é esquecer completamente o trabalho e todos os assuntos com ele relacionados. Se estiver de férias e sempre a contactar com os colegas, a ver mails e a preocupar-se sobre o que poderá estar a acontecer vai acumular duas tarefas – trabalhar e procurar relaxar – sem desempenhar bem nenhuma delas;

- De acordo com especialistas norte-americanos na área da Psicologia, é melhor não descansar de todo do que fazê-lo por tempo insuficiente. Segundo as mesmas fontes, duas semanas é o tempo mínimo para se obterem bons resultados, enquanto que três semanas são o intervalo ideal: a primeira para adaptação ao novo ambiente, a segunda para descansar verdadeiramente e a seguinte para mentalizar-se, lentamente, de que será necessário voltar a enfrentar o quotidiano;

- Tome as rédeas das suas férias. Mesmo se vai descansar em família ou com amigos, é importante encontrar consensos e procurar que toda a gente faça aquilo que mais gosta. Se isso significa que uns dão 300 mergulhos enquanto outros ficam na sombra a ler um livro ou vão jogar mini-golfe, assim seja. E não tenha medo de dizer «não» quando o programa não for do seu agrado.

Olhe para o lado

Se há quem encare muito bem o regresso às obrigações – leia-se, aulas – são as crianças. Pelo menos é o que defende Maria de Jesus Candeias ao dizer que «quando se aproxima o regresso à escola, a maior parte está ansiosa para rever os colegas e os professores, por aprender coisas novas, voltar às actividades extra-curriculares». Ou seja, «os nossos filhos têm a grande capacidade de desfrutarem intensamente do Verão e de, chegado o tempo de arregaçar as mangas, fazê-lo com entusiasmo, já que conseguem encontrar motivação mais do que suficiente», considera. «Elas são o melhor modelo, só temos de olhar bem para elas e seguir-lhes o exemplo», conclui.

Se a escola é motivo de alegria, a tristeza pode, mesmo assim, infiltrar-se. «Ver chegar o fim das férias é, para muitas crianças, assistir ao fim do tempo privilegiado que passam com os pais, em que estes estão mais disponíveis, em que a vida não é só feita de obrigações, em que há mais partilha e comunicação, em que se chuta a rotina para bem longe», alerta Maria de Jesus Candeias. Por isso mesmo, defende a psicóloga clínica, «há que perceber o que se faz de bom durante as férias, o que resultou connosco, com o nosso parceiro, com as nossas crianças e procurar nunca abandonar estes princípios. Depois das férias e durante o resto do ano».

Truques para combater a melancolia

1 – Não goze as férias todas de uma vez. Divida os dias a que tem direito em dois ou mais pe-ríodos para que, ao longo de todo o ano, esteja sempre na expectativa de mais uma altura de descanso;

2 – Organize os seus fins-de-semana e, se forem prolongados, ainda melhor. E, como nem sempre há feriados a jeito para planear uma «ponte», use criteriosamente alguns dos seus dias de férias para as alturas em que sabe que lhe vai saber mesmo bem uma escapadinha.

3– Não volte de repente ao trabalho. Se possível, regresse a casa uns dias antes das férias terminarem e desfrute esse compasso de espera antes das obrigações. Volte paulatinamente aos horários das refeições e do sono. Preguice em casa, encha a despensa, visite a família, organize com calma tudo o que os adultos e as crianças vão necessitar para os dias seguintes. Não há nada pior para do que sair do avião à meia-noite de domingo e picar o ponto às nove da manhã de segunda-feira…

4 – As tarefas em atraso acumularam-se quando esteve fora? Determine quais são as verdadeiramente urgentes e trate delas. Para as restantes, organize um ‘plano de ataque’ e tente resolvê-las uma de cada vez, com a maior calma possível. Não quer voltar aos níveis de stresse pré-férias pois não?

6 – Diga não às rotinas. E isto serve não só para as obrigações laborais como também para todos os outros aspectos da sua vida. Provavelmente as crianças ainda têm uns dias de férias antes do regresso às aulas. Jogue com isso: em vez de as ir buscar aos avós ou ao ATL e seguirem direitinhos para casa, que tal instalarem-se numa esplanada, esquecer o jantar e substituí-lo por uma petiscada?

7 – Assuma o seu direito às coisas boas da vida, mesmo sem estar de férias. Se aquela massagem em pleno areal lhe soube maravilhosamente, que tal repeti-la no fim-de-semana ou ao final da tarde? E isto também é válido para descobertas gastronómicas, visitas a museus, idas ao cinema e ao teatro, encontros com a família e amigos, práticas desportivas, etc., etc.

8 – Pegue no calendário e na agenda e marque todos os dias especiais ao longo do ano. Não só as férias, feriados e fins-de-semana como também os aniversários da família e amigos, festas, jantares e momentos de lazer. Vai ver que o passar dos meses ficará muito mais aliciante e motivador

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Quando é que a ansiedade se torna uma doença?


A ansiedade é uma emoção normal que existe em todos os seres humanos e de extrema importância para a sobrevivência.

É com a ansiedade que nós aprendemos a proteger-nos dos perigos fisicos e psicológicos.

Ficamos ansiosos quando antevemos o perigo de sermos assaltados, agredidos física ou verbalmente, dos nossos filhos serem atropelados na rua, entre muitas outras situações em que a ansiedade nos impele a preservar a integridade.

Portanto, a ansiedade é uma emoção reguladora da sobrevivência da espécie e como tal através da sua acção o ser humano aprende a defender-se do perigo. Esta é a função normativa da ansiedade, que, se estiver regulada(uma ansiedade normativa) desaparece rapidamente e, actua sobretudo como estimulante, ou seja, o ser humano precisa de manter níveis de ansiedade normais, para que consiga efectuar tarefas de qualquer natureza.

Quando o homem deixa de conseguir regular a ansiedade é porque ela se tornou patológica, logo fora do controlo da pessoa. Pode ter niveis de ansiedade elevados ao máximo,como pode não possuir qualquer ansiedade normal, que seja geradora de algum tipo de trabalho ou actividade. Em ambos os casos falamos de patologia.

O que é que causa a ansiedade?

As dificuldades da vida são normalmente o factor desencadeante da ansiedade patológica e nos casos agudos da angústia.

Além disso as dificuldades pessoais de inserção na sociedade, os conflitos internos do domínio afectivo, emocional e sexual podem conduzir a uma sintomatologia ansiosa.

As investigações indicam que toda a pessoa que sofre de ansiedade grave tem um profundo sentimento de desamparo psíquico oriundo de relações parentais pouco seguras ou de uma insegurança total, portanto, o que subsiste é o sentimento de desamparo e sentimentos depressivos.

Há relação entre ataque de pânico, fobias e ansiedade?

Claro que há. A fobia é um medo irracional de um objecto/animal ou situação. Os ataques de pânico são uma manifestação aguda de angústia sem causa aparente declarada, que podem paralisar um indivíduo através da sensação de asfixia ou medo de morrer. Todo este conjunto de sintomas não são mais que expressões diferentes de ansiedade.

Há alguma relação entre ansiedade e depressão?

A ansiedade faz parte do quadro clínico da depressão e está associada às alterações de humor e aos estados depressivos.

Podemos assim dizer que todas as pessoas que sofrem de depressão têm graus mais ou menos intensos de ansiedade, assim como quem sofre de ansiedade está deprimida ou em vias de deprimir.

Quais são os sintomas da ansiedade grave?
A ansiedade é acompanhada de vários sintomas físicos:
  • aceleração respiratória,
  • alteração do batimento cardíaco,
  • xixis frequentes,
  • diarreia frequente,
  • desfalecimento das pernas,
  • palidez,
  • contracção ou relaxamento do musculo facial,
  • sudação das palmas das mãos ( resposta galvânica da pele),
  • sudação de todo o corpo,
  • sensação de vertigem.

 Como é que a ansiedade evolui de normal para patológica?

Quando a pessoa já não consegue controlar as emoções e sente-se num estado de ansiedade generalizado, ou seja, em todas as situações da sua vida quotidiana. As emoções descontrolam-se, o cérebro deixa de produzir neurotransmissores e a ansiedade instala-se impedindo a pessoa de funcionar. Aparecem as mais diversas fobias, ou ataques de pânico, geradores de um desconforto enorme.

  O que é e como se manifesta a ansiedade generalizada?

A Ansiedade Generalizada manifesta-se por um estado de tensão, duma inquietude permanente, sem que algum acontecimento exterior o possa explicar. São pessoas que estão permanentemente em sobressalto e sofrem com isso. O sintoma-chave é uma ansiedade ou um medo não realista, e excessivo, face a acontecimentos futuros.

  
As queixas somáticas são: dores de estômago, dores de cabeça (cefaleias), diarreia, suores e transpiração excessiva, vertigens.... Esta psicopatologia torna-se um handicap porque torna a vida complicada e difícil de ser vivida, nomeadamente no quotidiano, no trabalho e nas relações pessoais.

  Estima-se que a sua prevalência seja de 3 a 7%, com uma incidência mais elevada nos filhos mais velhos e nos filhos únicos. São pessoas muito conscienciosas e que têm necessidade de serem tranquilizadas permanentemente.

  
A ansiedade generalizada evolui para doença: transforma-se em fobias e obsessões /compulsões.

  
Tratamento da ansiedade

  
Sofrer de perturbação da ansiedade não é nenhuma banalidade nem uma fatalidade.

Os tratamentos para cada tipo de ansiedade variam e são estabelecidos em função da natureza do problema (fobias, obsessões, pânico, etc.) e estabelecidos em função da personalidade do sujeito que as sofre.

  
Podemos encontrar ansiedades que se exprimem por outros tipos de sintomas como por exemplo, no caso de homens com ejaculação precoce, ou com impotência sexual, ou casais que há muito tempo tentam ter um filho, etc., depois de se terem realizados os despistes e exames médicos necessários, e ter-se verificado a ausência de efeitos fisiológicos, verifica-se que a ansiedade e a perturbação emocional são um factor enorme e responsável, na manutenção dessas dificuldades.

Ou ainda, pessoas que encontram no álcool, ou nas drogas, um escape para verem as suas angústias e preocupações aliviadas, e acabam por entrar num esquema traiçoeiro onde num primeiro momento as utilizam como qualquer coisa que ajuda a ficar mais calmo e que até dá prazer, mas mais tarde num esquema de dependência.


 Os exemplos podem ser vários, mas o importante a saber é que, uma grande parte das ansiedades patológicas são curáveis, outras serão susceptíveis de melhoramentos consideráveis que permitem, na generalidade, devolver às pessoas uma vida normal.

  
O tratamento é combinado em algumas situações, ou seja, com terapia medicamentosa ansioliticos e antidepressivos e psicoterapia em simultâneo.

  
Saliento que só a medicação não resolve o problema é sempre necessário fazer a psicoterapia.

O objectivo da medicação é ajudar a psicoterapia.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Neurose Obsessiva



A neurose obsessiva é uma doença bastante comum, afectando um em cada 40 ou 50 indivíduos.
Muitas dessas pessoas nunca foram diagnosticadas ou tratadas, embora os sintomas condicionem de forma grave a sua vida. Talvez a maioria desconheça o facto de esses sintomas constituírem uma doença que tem tratamento.

A neurose obsessiva é considerada uma doença mental grave por vários motivos: está entre as dez maiores causas de incapacidade de acordo com a Organização Mundial de Saúde; aparece frequentemente em indivíduos jovens no final da adolescência – e muitas vezes começa ainda na infância – sendo raro o seu início depois dos 40 anos; geralmente é crónica e, se não for tratada, na maioria das vezes os sintomas mantêm-se pela vida fora afectando toda a família.

Os sintomas raramente desaparecem espontaneamente: o mais vulgar é que apresentem flutuações ao longo da vida, aumentando e diminuindo de intensidade, mas estando sempre presentes. Por vezes tendem a um agravamento progressivo, podendo incapacitar as pessoas para o trabalho e implicar sérias limitações à convivência com a família e sociedade, além de terem um grande e permanente sofrimento.

Preocupar-se excessivamente com limpeza, lavar as mãos a todo o momento, verificar diversas vezes portas, janelas ou o gás antes de se deitar, não usar roupas vermelhas ou pretas, não passar em certos lugares com receio de que algo mau possa acontecer depois, não sair de casa em determinadas datas, ficar aflito caso os objectos sobre o móvel não estejam dispostos de uma determinada maneira... Esses são alguns exemplos de acções popularmente consideradas “manias” e que, na verdade, são sintomas de uma neurose obsessiva.

Tenho uma neurose obsessiva ou não?

Muitos pacientes com esta patologia só reconhecem que têm uma doença ao ler ou ouvir nos órgãos de comunicação algo sobre a doença, ou se forem confrontados por algum familiar. Diversos estudos demonstram que leva, em média, mais de oito anos desde o aparecimento dos sintomas da neurose até ela ser diagnosticado por algum profissional. Se você tem dúvidas sobre se tem ou não uma neurose obsessiva procure responder às perguntas a seguir:

1- Lava-se muito?
2- Verifica de forma repetida as coisas?
3- Tem pensamentos que incomodam, e dos quais gostaria de se livrar, mas não consegue?
4- Leva muito tempo para terminar as suas actividades diárias?
5- Preocupa-se muito com ordem, simetria ou alinhamento das coisas?

O que é uma neurose obsessiva?

A neurose obsessiva é uma doença do foro mental, identificada há cem anos por Sigmund Freud e que apresenta os seguintes sintomas:
  • compulsões a efectuar rituais diversos,
  • pensamentos ruminantes de que se não fizer determinado acto, poderá acontecer algo,
  • dificuldade em expressar sentimentos,
  •  ter pensamentos em circulo,
  • fazer o contrario daquilo que pensa,
  • agressividade escondida entre outros sintomas.
 À neurose obsessiva os defensores da causa biológica passaram a chamar Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e incluíram-no no DSM (Manual de Classificação das doenças psiquiátricas) com essa designação. Assim a neurose obsessiva aparece no DSM descrito da seguinte forma:

O TOC é um transtorno mental incluído pela classificação da Associação Psiquiátrica Americana entre os transtornos de ansiedade.
Está classificado ao lado das fobias (medo de lugares fechados, elevadores, pequenos animais – como ratos ou insectos), da fobia social (medo de expor-se em público ou diante de outras pessoas), do transtorno de pânico (ataques súbitos de ansiedade e medo de frequentar os lugares onde ocorreram os ataques), etc.

 Os sintomas do TOC envolvem alterações do comportamento (rituais ou compulsões, repetições, evitações), dos pensamentos (preocupações excessivas, dúvidas, pensamentos de conteúdo impróprio ou “ruim”, obsessões) e das emoções (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão).

Sua característica principal é a presença de obsessões e/ou compulsões ou rituais. Além disso, os portadores  do TOC sofrem de muitos medos (de contrair doenças, de cometer falhas, de ser responsáveis por acidentes). Em função desses medos, evitam as situações que possam provocá-los – comportamento chamado de evitamento.
  
O que são Obsessões?

Obsessões são pensamentos, idéias, imagens, palavras, frases, números ou impulsos que invadem a consciência de forma repetitiva e persistente. Sentidas como estranhas ou impróprias, geralmente são acompanhadas de medo, angústia, culpa ou desprazer.

O indivíduo obsessivo, mesmo desejando esforçando-se, não consegue afastá-las ou suprimi-las do seu pensamento. Apesar de serem consideradas absurdas ou ilógicas, as obsessões causam sofrimento e levam a pessoa a fazer algo (rituais ou compulsões) ou a evitar fazê-lo (evitamentos) para se livrar do medo ou do desconforto.

As obsessões mais comuns estão relacionadas aos seguintes aspectos: sujidade, contaminação, dúvidas, simetria, perfeição, exactidão ou alinhamento, impulsos ou pensamentos de ferir, insultar ou agredir outras pessoas, sexo ou obscenidades, armazenar, poupar, guardar coisas inúteis ou economizar, preocupações com doenças ou com o corpo, religião (pecado, culpa, escrúpulos, sacrilégios ou blasfémias) pensamento mágico (números especiais, cores, datas e horários).

 O que são rituais e compulsões?
  
Compulsões ou rituais são comportamentos ou actos mentais voluntários e repetitivos executados em resposta a obsessões ou em virtude de regras que devem ser seguidas rigidamente.
Os exemplos mais comuns são lavar as mãos, fazer verificações, contar, repetir frases ou números, alinhar, guardar ou armazenar, repetir perguntas, etc.

As compulsões aliviam momentaneamente a ansiedade, levando o indivíduo a executá-las sempre que a sua mente é invadida por uma obsessão acompanhada de ansiedade. Nem sempre têm ligação real com o que desejam prevenir (p ex., alinhar os chinelos ao lado da cama antes de se deitar para que não aconteça algo de mau no dia seguinte; dar três batidas numa pedra da calçada ao sair de casa, para que a mãe não adoeça). Nesse caso, os rituais são chamados mágicos.

Os dois termos (compulsões e rituais) são utilizados praticamente como sinónimos, embora o termo “ritual” possa gerar alguma confusão na medida em que as religiões, de forma geral, adoptam comportamentos repetitivos e contagens nas suas práticas: ajoelhar-se três vezes, rezar seis ave-marias, ladainhas.

Existem rituais para baptizados, casamentos, funerais, etc. Além disso, certos costumes culturais, como a cerimónia do chá entre os japoneses, o cachimbo da paz entre os índios, ou um funeral com honras militares, envolvem ritos que estão relacionados com a obsessão. Nestes casos estes ritos ou rituais são organizadores do funcionamento mental se não forem excessivos.

Todos os seres humanos tem uma parte da sua personalidade mais obsessiva, mas, a diferença entre isso ser normal e patológico, está no facto de que, na patologia ser causador de sofrimento e praticado em excesso, ou seja, quando interfere na rotina diária do sujeito.

A neurose obsessiva quase sempre se inicia na infância, entre 9 e 11 anos e surge principalmente em indivíduos jovens até aos trinta/quarenta anos, podendo durar toda a vida, sendo sempre acompanhada de muita angústia, ansiedade, sentimentos de impotência, diminuição da auto-estima e depressão.

 Quais são as causas da neurose obsessiva?

 Embora esteja em “moda” dizer que todas as doenças psíquicas tem causas biológicas, o que se continua a verificar é que elas são ambientais e relacionais, ou seja adquirem-se na convivência familiar. Uma educação muito rígida e punitiva, está, vulgarmente presente nos casos que nos aparecem no consultório.

Tratamento da Neurose Obsessiva
Claro que os lobbies associados ás grandes farmacêuticas, transformaram a neurose obsessiva em TOC e atribuíram-lhe causas biológicas. Nunca vi ninguém com esta doença curar-se apenas com medicamentos, embora sejam necessários em muitas destas situações, mas, com psicoterapia psicanalítica e medicamentosa os sintomas melhoram bastante e a pessoa começa a ter outra qualidade de vida, diferente da anterior.

No entanto a terapia medicamentosa deve ocorrer em simultâneo com a psicoterapia, porque senão nada muda! Quando pára a medicação, os sintomas voltam porque dentro do sujeito e no seu pensamento nada mudou. A verdadeira mudança só é possível através da psicoterapia, ajudando-o a enfrentar os medos que estão na base dessas obsessões e/ou compulsoes.
Cuide de si! Conte comigo!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dia Mundial dos Avós: Criados os filhos....Educar os netos

Por Joana Ferreira da Costa, In Diário de Notícias, 26 de Julho 2010

O DN foi conhecer as histórias de quem foi mãe dos netos. E ganhou uma vida nova.


Júlia Azevedo, de 56 anos, tornou--se mãe pela terceira vez quando trouxe a neta para viver consigo. "Dormia num carrinho de bebé que eu lhe dei, numa marquise em casa da avó materna", conta. Como o pai e a mãe da criança viviam fora do País, Júlia passou a tomar conta da neta de cinco meses. "Ela é minha", diz com um sorriso, "foi a melhor coisa que me aconteceu na vida". Aos oito anos, Erica trata sempre a avó por mãe. E Júlia foi a única que conheceu. A mãe biológica vive em Inglaterra e tem uma nova família. O pai, emigrante na Noruega, ainda lhe telefona às vezes.

Só aos cinco anos, quando a avó lhe contou, é que Erica soube que ela não era sua mãe. Lembra-se de se ter agarrado a ela num grande abraço: "Tu és sempre a minha mãe." Confessa que gostava de conhecer o pai, tal como aos irmãos, que resultaram de um casamento posterior, mas diz não sentir a sua falta. "Só sinto falta dos meus irmãos. O meu pai nunca quis saber de mim e eu também não quero saber dele."
Nos últimos oito anos, Júlia só lamenta uma coisa: que o filho nunca tenha querido ser um pai para Erica.

Romana foi avó aos 35 anos

"Foi o que me calhou, e eu recebi, ponto final", sintetiza Romana Silva, de 48 anos, quando pensa em João António, o neto que a filha lhe deu quando tinha apenas 13 anos. A mãe rejeitou a criança desde logo, e os avós acabaram por assumir a sua responsabilidade pelo bebé junto da protecção de menores. "Eu só não o pari", explica a avó, "tudo o resto eu tive de passar. Solange era ainda muito nova, precisava do meu apoio. Tive de os educar a um e a outro", bem como às outras três filhas do casal.

João António nunca se sentiu posto de parte, pelo contrário. A mãe era como uma irmã mais velha, mas ele sempre soube que era ela a sua mãe e procurava chamar--lhe a atenção. "Vês, Solange", dizia, "eu gosto muito da minha avó, ela ralha e dá-me mimos, ela é que cuida de mim". A luta da avó era fazer com que mãe e filho se aproximassem, fazendo-os passar tempo juntos. Mas só aos oito anos é que viu esse esforço dar frutos.

Com o pai aconteceu o mesmo, mas só depois de este o reconhecer como filho, aos cinco anos, por ordem do tribunal. "Eu é que acabei por obrigá-los, a um e outro, a criar uma afeição com o menino."

Hoje, vive com a mãe, mas a casa dos avós continua também a ser a sua. Com o pai mantém uma relação mais distante. "Às vezes vou dormir lá a casa, mas não é tanto por causa dele", apressa-se João António a explicar. "É por causa da minha irmã mais nova. Eu sempre disse à minha mãe que quando tivesse um irmão ia acarinhá-lo."

Leonilde ajudou a salvar a neta
Carinho também não faltou a Leonilde Bregeira, de 65 anos, quando acolheu em casa a neta de três meses, hoje com 18 anos. Foi ela quem alertou o Ministério Público para os perigos que corria Vanessa, entregue aos cuidados dos pais toxicodependentes.

"A bebé era um entrave na vida deles quando se zangavam", explica Leonilde. "Quando estava tudo mal era a menina que sofria."

Os pais de Vanessa, que se separaram pouco depois, visitam-na de vez em quando e a avó acabou por criá-la praticamente sozinha. Trabalhou muito para cuidar da neta e hoje teme não conseguir pô-la na faculdade. Emocionada, deixa escapar: "Preocupa-me que eu feche os olhos e ela não tenha ninguém." "Ela é a minha bonequinha de porcelana que eu guardei com muita estimação. Tenho muita vaidade nela, mas custa-me que ela nunca tenha uma palavra de carinho para mim."

Hoje, Vanessa tem vergonha de andar na rua com a mãe, por causa do seu aspecto, e evita o pai a todo o custo. "Não me sinto bem com o meu pai", explica. Como boa recordação da mãe lembra que foi ela quem a ensinou a fazer bolhas com a pastilha elástica.

"E eu não te ensinei nada?", pergunta a avó. O silêncio da neta é a resposta. Vanessa vive revoltada com a sua sorte, justifica Leonilde. "Ela tem um feitio complicado, não tem muita paciência", desculpa-se a neta.


Os psicólogos são unânimes em considerar que os avós não substituem os pais. "Os avós podem dar a educação, as regras, mas não é a mesma coisa", diz a psicóloga Maria de Jesus Candeias. "É fundamental para o desenvolvimento das crianças ser amado e desejado pelos pais. A sua ausência deixa marcas profundas na auto-estima e sentimentos de insegurança." Independentemente de todo o Amor que os avós possam dar.  

domingo, 4 de julho de 2010

Terrores Nocturnos e Pesadelos nas Crianças

Vários problemas podem afectar o sono das crianças. Geralmente, não são graves e passam com a idade, mas é preciso dar-lhes atenção e ajudar a criança a ultrapassá-los.

Terrores Nocturnos

Definem-se os terrores nocturnos como um distúrbio caracterizado por despertar abrupto que pode ser iniciado por um grito de pânico, choro ou vocalizações incoerentes. A criança pode estar sentada na cama, com uma expressão aterrorizada apresentando sinais de ansiedade (taquicardia, respiração rápida, rubor cutâneo, sudorese, dilatação das pupilas, tónus muscular aumentado.

As primeiras vezes que os pais se confrontam com um episódio de terrores nocturnos são assustadoras, uma vez que observam o seu filho a acordar em sobressalto, uma ou duas horas após ter adormecido, com sinais de agitação, muitas vezes a gritar de olhos abertos, com o olhar fixo e movimentos descoordenados, sem responder aos seus apelos para se acalmar, o que deixa os pais extenuados e perturbados, sem saber como agir.

Quando o episódio termina, a criança volta a adormecer e não se recorda do que se passou.
Muitas vezes, os terrores nocturnos estão relacionados com algo assustador ou invulgar que ocorreu durante o dia, ou ainda, relacionados com mudanças importantes na vida da criança, tais como entrada no infantário, nascimento de um irmão, ausência de um dos pais, entre outros.

O que fazer perante um episódio de terror nocturno?

1. Não tente acordar a criança, uma vez que esta não a irá ouvir e poderá, inclusivamente ficar mais agitada se se intrometer no terror (normalmente o episódio demora entre 1-10 minutos);

2. Deixe-a no berço/cama, assegurando-se que esta se encontra segura (por vezes fica de tal modo agitada que poderá cair da cama;

3. Não fale sobre o assunto no dia seguinte, uma vez que a criança não se recorda do episódio;

4. Reduza as situações de tensão durante o dia da criança;

5. Estabeleça uma boa rotina de sono, evitando a fadiga;

6. Com o passar dos anos os terrores acabam por diminuir e tal como apareceram desaparecem espontaneamente.

Os terrores nocturnos e os pesadelos são a mesma coisa?

Não. Enquanto os terrores nocturnos surgem mais no princípio da noite (em que os períodos de sono profundo são mais longos), os pesadelos são um fenómeno do sono superficial (sono REM), e por isso ocorrem mais na segunda metade da noite ou quando a manhã se aproxima (quando aumentam os períodos de sono REM).

Por outro lado, nos terrores nocturnos o despertar acontece no início do episódio, enquanto nos pesadelos a criança acorda a meio ou no final, quando a tensão causada pelo conteúdo assustador do sonho se torna demasiado intensa. Ao acordar de um pesadelo a criança rapidamente fica orientada e desperta, consegue descrever o conteúdo do sonho e deixa-se tranquilizar pelos pais (em contraste com os terrores nocturnos em que se mantém confusa e agitada, sem que nada a acalme, esquecendo o episódio logo que retoma o sono).

Pesadelos

Os pesadelos mais frequentes nas crianças de 2 ou 3 anos incluem a perda ou perigo.
Os “monstros” muitas vezes são a causa do pesadelo no entanto a separação dos pais também é problemática. Nas crianças dos 4 aos 6 anos as tensões saudáveis como o lidar com os seus novos sentimentos de agressividade podem ser acompanhados de medos e pesadelos.
Novos medos podem surgir durante o dia tais como abelhas, aranhas, elevadores, ruídos estridentes (trovão, sirenes, o ladrar dos cães, etc.) muitas vezes transportados para a noite como pesadelos.

Nas crianças com idade inferior a 5/6 anos os pesadelos são mais perturbadores pois a criança não entende que o sono não é real. A partir dos 5/6 anos a criança começa a perceber a diferença entre sonho e realidade, no entanto nesta idade, as crianças ainda precisam de acreditar no lado positivo dos seus “ bons” sonhos. Por isso, não se pode esperar que deixem de acreditar nos “sonhos maus” .

A criança assustada por um pesadelo acorda por completo e, se já sabe falar, consegue dizer algumas das coisas que se passaram no sonho. Outras vezes, não se recorda do pesadelo no entanto não se esquece daquilo que a fez sentir. A criança implora conforto, e é capaz de se agarrar aos pais, com medo de voltar adormecer sozinha. Pode levar algum tempo a acalmá-la.

Lidar com os pesadelos

A hora de dormir:

1. Sentar-se junto da criança, explicando o que a preocupa.

2. Aceitar os receios da criança e a necessidade de se agarrar aos pais.

3. Recordar a criança formas para se confortar, desviando o pensamento para coisas boas.

4. Deixar uma luz de presença no quarto.

5. Encorajar e aceitar o uso de objectos de conforto (ursinho, uma boneca ou cobertor preferido) como companhia e forma de afastar todos os medos.

6. Contar histórias que ajudam a compreender os medos e sentimentos vivenciados de forma indirecta.

7. Quando a criança recorre a cama dos pais, depois de um pesadelo, deve-se acalmá-la e posteriormente levá-la de volta a cama dela. Esta transição pressupõem aconchego e conforto durante alguns minutos no seu quarto.

Durante o dia:

1. Ajudar a criança a certificar-se de que não existem fantasmas nem monstros debaixo da cama nem dentro do armário.

2. Ajudar a criança a entender os sentimentos descontrolados durante o dia que ocorreram durante o pesadelo.

3. Explicar e dar informações simples, claras, credíveis em termos que ela possa entender acerca dos acontecimentos da vida familiar que possam estar a perturbá-la.

4. Evitar filmes, programas de televisão, jogos de computador que possam ser violentos e provocar medo ou incompreensão do assunto por parte da criança.

Se mesmo depois de tentar todas estas dicas, a situação persistir, sem que a criança consiga estabelecer um sono tranquilo, é importante a ajuda técnica especializada de um psicólogo ou psicoterapeuta, para avaliar e ajudar a criança a ultrapassar conflitos internos que possa estar a sentir como ameaçadores e que podem estar a interferir no seu sono.

domingo, 27 de junho de 2010

Quando a história se repete de geração em geração...



O legado psíquico do ser humano é transmitido de geração em geração conduzindo a estados de saúde psíquica duráveis ou, pelo contrário, à doença, que se prolonga segundo alguns estudos até á terceira geração se não houver uma interrupção do ciclo com uma psicoterapia.

Infelizmente não podemos escolher o local e as circunstâncias do nosso nascimento, e se por vezes as coisas correm bem isto não acontece sempre, e aquilo que somos está fortemente condicionado por este primeiro lugar que nos acolheu...no bom da nossa história e no menos bom.

A família funciona como um campo dinâmico no qual interagem tanto os factores conscientes quanto os inconscientes, sendo que a criança desde o nascimento não é apenas influenciada pela família, mas é também um poderoso agente activo de modificações no seio familiar.

O primeiro factor da transgeracionalidade a ter em conta é que cada progenitor mantém internalizações das famílias de origem com os correspondentes estereótipos e conflitos.

Há uma forte tendência no sentido de que os conflitos não resolvidos pelos pais da criança, com os seus pais sejam mais tarde reeditados nos filhos, ou seja tudo se repete novamente, os conflitos que ocorreram, o tipo de relação, a incapacidadede expressar afectos, entre outros.

A título de exemplo, não raras vezes, uma mãe com relação muito intensa com o seu pai,  pode menosprezar o marido dedicando-se inteiramente ao filho, fazendo com que desta  forma a criança  se torna uma imagem do avô, enquanto a mãe vai desvalorizando a imagem do pai, excluindo assim a figura paterna da educação da criança, tal como foi rejeitada pelo pai. Vinga-se assim no marido.

O mesmo é válido para o homem fixado na mãe, que aos poucos vai excluindo a mulher e fixando-se na sua mãe, muitas vezes através dos filhos, passando a esposa a fazer parte dos odiados da família, ficando vingado o desprezo que a mãe lhe devota.

Medos, conflitos, histórias , agressividade, mesmo modelo de relação conflitual entre pais filhos e entre o casal , percursos de vidas... Tudo isto muitas vezes se repete, mesmo aquilo que achamos que estava mal e que foi prejudicional, e que achamos que nunca iria acontecer connosco!! È a Repetição!!

Não raras vezes ouço os meus pacientes dizerem: "Isto assusta-me, começo a perceber que estou a ficar igual à minha mãe", ou "estou a fazer exactamente o mesmo que o meu pai e a repetir muitas coisas que odiava nele"!!

É claro que nada disto acontece de forma consciente e intencional. Tudo acontece de forma muito inconsciente, e por isso completamente fora do controlo de cada um de nós, mas que podem deixar marcas devastadores da saúde psíquica das crianças.



Os valores culturais, afectos, ansiedades, necessidades do ego, mal entendidos, segredos ocultos, são transmissões que não passam de forma indelével nas gerações.

A forma como os pais se vêem, a imagem que tem de cada um e que passam aos filhos, as necessidades de auto-estima, a definição de papéis como por exemplo a “ bode expiatório”, “orgulho de mãe”, “doente da família”, louco da família” são cumpridos dentro da família e fora dela, mantendo muitas vezes a aparente “sanidade mental” de todos os outros, que ao terem um identificado como doente, parecem estarem assim a salvo da doença, quando na realidade estão todos emersos em doença psíquica.

As famílias apresentam uma variedade de estruturas que pode ir do mais saudável ao mais doente. Podem ser famílias simbióticas (vivem e fazem tudo juntos), obsessivas, narcisistas (vivem de aparência para esconder as fragilidades e obrigam os filhos a performances de perfeição), paranóides (existem perigos em todo o lado, tudo é externo ao sujeito), fóbicas (alimentam nos filhos medos que são seus, tornam-nos hipocondríacos), depressivas, sadomasoquistas etc., ou então apresentam-se mentalmente bem estruturadas e sadias.

Uma família bem estruturada requer algumas condições básicas, tais como, distribuição de papéis, lugares, posições e atribuições, com a manutenção de um clima de liberdade e de respeito entre os membros.
É necessários existir limites e fronteiras na relação dos membros familiares.

Caso isso não exista e tudo fique confuso, borrado, em que se perdem os direitos, deveres e privilégios, como os lugares que cabem a um pai e a um filho então a insanidade mental está criada e vai passando de geração em geração.
É vulgar ouvir dizer de algumas famílias que se constituem doentes “ são todos assim, o avô também se matou, a mãe era depressiva”, no caso de famílias depressivas, ou em famílias psicóticas que gerações após geração vão surgindo casos de esquizofrenia em número considerável para ser considerado normal. São famílias que se organizam num psiquismo doente, passando aos filhos modelos de relação baseados em pressupostos de doença, muitas vezes não visível socialmente mas que se traduzem por exemplo em visitas exageradas a médicos, baixas, hospitalizações entre outros factos.

Qualquer das situações descritas vai influir na formação do psiquismo da criança, passando de pais para filhos numa transgeracionalidade que é preciso travar, para que a sociedade se constitua sadia.

A única forma de parar com esta transgeracionalidade doentia, ou seja modelos de funcionamento familiares disfuncionais em que a repetição acontece, é através da psicoterapia,  quando os sujeitos param para pensar e começam  a ser mais conscientes de si próprios, e dos seus actos, e compreendem em profundidade o seu funcionamento mental e como se construíram.

A Psicoterapia é o caminho ...

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