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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O que é a psicoterapia?

O termo psicoterapia (do grego psykhē - psique, alma, mente, e therapeuein - cuidar, curar; primeira referência refere-se às intervenções psicológicas que buscam melhorar os padrões de funcionamento mental do indivíduo e o funcionamento de seus sistemas interpessoais (família, relacionamentos etc.). Como todas as formas de intervenção da psicologia clínica, a Psicoterapia:

• utiliza meios psicológicos para atigir um fim específico (a cura ou diminuição do sofrimento, stress ou incapacidade do paciente, geralmente causado por um transtorno mental),

• baseia-se no corpo teórico da psicologia e

• é praticada por UM ESPECIALISTA EM PSICOCOTERAPIA: O PSICOTERAPEUTA ( que terá por formação de base a Psicologia ou a Psiquiatria, tendo realizado uma formação posterior como Psicoterapeuta)

• Ocorre num determinado contexto formal que pode ser (individual, em casal, com a presença de familiares, em grupo - de acordo com a indicação).

Em linguagem comum, o termo "psicologia" é muitas vezes usado no lugar de "psicoterapia". Em linguagem mais própria, no entanto, "psicologia" refere-se à ciência e "psicoterapia" ao uso clínico do conhecimento obtido por ela. Da mesma forma, costuma haver confusão entre os termos "psicoterapia" e "psicanálise". Enquanto aquela refere-se ao trabalho psicoterapêutico baseado no corpo teórico da psicologia como um todo, psicanálise refere-se ao trabalho baseado nas teorias oriundas do trabalho de Sigmund Freud; "psicoterapia" é, assim, um termo mais abrangente, englobando outras linhas teóricas além da psicanalítica.

O funcionamento da psicoterapia

Uma vez confirmado o efeito positivo da psicoterapia sobre a saúde mental dos pacientes, a pesquisa empírica começou a voltar sua atenção a uma pergunta muito mais difícil de ser respondida: como, com que mecanismos, é que ela funciona?

Fases de mudança do paciente:

O processo terapêutico começa, para o paciente, antes da terapia em si e termina somente muito depois de sua conclusão formal. Podemos dizer que o processo ocorre ao longo de seis fases :

1. Fase "pré-contemplativa" (precontemplation stage): é a fase da despreocupação. O paciente não tem consciência de seu problema e não tem a intenção de modificar o seu comportamento - apesar de as pessoas a sua volta estarem cientes do problema. Nesta fase os pacientes só procuram terapia se obrigados;

2. Fase "contemplativa" (contemplation stage): é a fase da tomada de consciência. O paciente se dá conta dos problemas existentes, mas não sabe ainda como reagir. Ele ainda não está preparado para uma terapia: está ainda pesando os prós e os contras;

3. Fase de preparação (preparation): é a fase da tomada de decisão. O paciente se decide pela terapia - nesta fase o meio social pode desempenhar um papel muito importante;

4. Fase da acção (action): o paciente investe - tempo, dinheiro, esforço - na mudança. É a fase do trabalho terapêutico propriamente dito;

5. Fase da manutenção (maintenance): é a fase imediatamente após o fim da terapia. O paciente investe na manutenção dos resultados obtidos por meio da terapia e introduz as mudanças no seu dia-a-dia;

6. Fase da estabilidade (termination): é a fase da cura. Nesta fase o paciente solucionou o seu problema e o risco de uma recaída não é maior do que o risco de outras pessoa para esse transtorno específico.

Fases da terapia

A terapia em si se desenvolve em quatro fases consecutivas, cada qual com objetivos próprios.

1. Indicação: definição do diagnóstico, decisão com respeito à necessidade de uma terapia e de qual tipo (médica, psicoterapêutica, ambas), aos métodos indicados para o problema em questão, esclarecimento do paciente a respeito da terapia;

2. Promoção de um relacionamento terapêutico e trabalho de clarificação do problema: a estruturação dos papéis (terapeuta e paciente), desenvolvimento de uma expectativa de sucesso, promoção do relacionamento entre paciente e terapeuta, transmissão de um modelo etiológico (origem,causa) do problema;

3. Desenvolvimento do processo psicoterapêutico: visa a mudança, a transformação e o bem-estar do paciente.

4. Avaliação: verificação dos objetivos propostos e alcançados, estabilização dos resultados alcançados, fim formal da terapia e da relação paciente-terapeuta.

As decisões tomadas na fase 1 não devem necessariamente permanecer imutáveis até o fim da terapia. Pelo contrário, o terapeuta deve estar atento a mudanças no paciente, a fim de adaptar seu métodos e suas decisões de trabalho à situação do paciente, que nem sempre é clara no começo da terapia. A isso se dá o nome de indicação adaptável.

Mecanismos de mudança em psicoterapia

Vários autores se dedicaram à questão do funcionamento da psicoterapia: o que é que leva à mudança no paciente. K. Grawe (2005) descreve cinco mecanismos básicos de mudança (comuns a todas as escolas psicoterapêuticas:

1. Relacionamento terapêutico : a qualidade do resultado de uma terapia é em grande parte influenciada pela qualidade do relacionamento entre o terapeuta e o paciente.

2. Activação de recurso (psicologia) :a psicoterapia auxilia o paciente a mobilizar a força interna que ele possui para realizar a mudança necessária e estabilizá-la.

3. Actualização do problema: a psicoterapia expõe o paciente ao seu padrão normal de comportamento, como modo de tornar esses padrões conscientes e assim modificáveis.

4. Esclarecimento motivacional ou Clarificação e transformação de interpretações: a psicoterapia auxilia a clarificação de ambiguidades e obscuridades na experiência pessoal do paciente, ajudando-o a encontrar um sentido para aquilo que ele experiencia.

5. Competência na superação dos problemas : a psicoterapia capacita o paciente a adquirir a capacidade de adaptação à realidade psíquica e social, típico dos transtornos psíquicos.

Efeitos da psicoterapia

Ainda sob um ponto de vista geral, ou seja, comum a todas as escolas psicoterapêuticas, podem se observar os seguintes efeitos NA PSICOTERAPIA:

  • o fortalecimento do relacionamento terapêutico,  
  •  a intensificação da expectativa de sucesso do paciente, 
  •  sensibilização do paciente a factores que ameaçam sua estabilidade psíquica,  
  •  um maior profundo conhecimento de si mesmo (autoexploração) 
  •  a possibilidade de novas experiências pessoais,
  • Ao longo das sessõesos paciente experiencia novas situações, emoções, novas facetas de si,  novas formas de comportamento, 
  • a pessoa adquire novas posturas em relação a si mesma e aos demais,
  • adquire novas capacidades e competências.
  • um aumento da autoeficácia (self-efficacy), ou seja, da convicção do paciente de ser capaz de lidar com os problemas que o faziam sofrer, que leva a um aumento da autoestima.
  • uma compreensão maior dos problemas que afligem o paciente e da história de vida, que conduziu a eles.
  • melhora do bem-estar,
  • modificação dos sintomas e
  • modificação da estrutura da personalidade.
Mudanças na estrutura da personalidade só são possíveis depois de uma melhora do bem-estar e dos sintomas.


Indicação para Psicoterapia

A pricipal indicação para uma psicoterapia é um transtorno mental e ou emocional. Mas não só. Uma psicoterapia pode ser indicada também em situações em que o indivíduo está instisfeito com a própria forma de vida, em que ele precisa tomar decisões difíceis e não sabe como, em situações em que a pessoa não vê sentido naquilo que faz

A psicoterapia é indicada para: depressão, ansiedade, fobias, obsessões, psicoses e problemas de relacionamento em diversas situações (trabalho, sociais, conjugais), hiperactividade, enurese, problemas de comportamento adolescente e infantil entre outros não mencionados aqui.

A psicoterapia é indicada também em situações de doenças com manifestações fisicas (psicossomáticas), tais como : eczemas, asma, problemas intestinais de origem nervosa, dores no corpo generalizadas, fibromialgia, etc.

Os estudos demonstram que a psicoterapia é eficaz e está indicada tanto em crianças como em adolescentes e adultos!

Marque uma primeira consulta de avaliação da sua situação particular e perceba qual é o seu problema e a intervenção mais adequada para si!



quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sobre a Depressão...


A Depressão é uma doença "do organismo como um todo", que compromete o físico, o humor e, em consequência, o pensamento.

A Depressão altera a maneira como a pessoa vê o mundo e sente a realidade, entende as coisas, manifesta emoções, sente a disposição e o prazer com a vida.

Afecta a forma como a pessoa se alimenta e dorme, como se sente em relação a si próprio e como pensa sobre as coisas.·

A Depressão, é portanto uma doença afectiva ou do humor, não sendo apenas sinal de fraqueza, de falta de pensamentos positivos ou uma condição que possa ser superada apenas pela força de vontade ou com esforço.

As pessoas com doença depressiva (estima-se que 17% das pessoas adultas sofram de uma doença depressiva em algum período da vida) não podem simplesmente melhorar por conta própria e através dos pensamentos positivos, conhecendo pessoas novas, viajando, passeando ou tirando férias.

Sem tratamento, os sintomas podem durar semanas, meses ou anos, podendo resultar numa inibição global da pessoa, afectando a parte psíquica, as funções mais nobres da mente humana, como a memória, o raciocínio, a criatividade, a vontade, o amor e o sexo, e também a parte física.·

A depressão é uma doença mental que se caracteriza por tristeza mais marcada ou prolongada, perda de interesse por actividades habitualmente sentidas como agradáveis e perda de energia ou cansaço fácil.

Ter sentimentos depressivos é comum, sobretudo após experiências ou situações que nos afectam de forma negativa. No entanto, se os sintomas se agravam e perduram por mais de duas semanas consecutivas, convém começar a pensar em procurar ajuda.

A depressão pode afectar pessoas de todas as idades, desde a infância à terceira idade, e se não for tratada, pode conduzir ao suicídio, uma consequência frequente da depressão.

Estima-se que esta doença esteja associada à perda de 850 mil vidas por ano, mais de 1200 mortes em Portugal.

A depressão pode ser episódica, recorrente ou crónica, e conduz à diminuição substancial da capacidade do indivíduo em assegurar as suas responsabilidades do dia-a-dia.

A depressão pode durar de alguns meses a alguns anos. Contudo, em cerca de 20 por cento dos casos torna-se uma doença crónica sem remissão. Estes casos devem-se, fundamentalmente, à falta de tratamento adequado.

Epidemiologia

A depressão é uma patologia do foro mental que afecta 20 por cento da população portuguesa!

A depressão é a principal causa de incapacidades e a segunda causa de perda de anos de vida saudáveis entre as 107 doenças e problemas de saúde mais relevantes. Os custos pessoais e sociais da doença são muito elevados.

A depressão encontra-se reconhecida no Plano Nacional de Saúde como um problema primordial de saúde pública.

A depressão é mais comum nas mulheres do que nos homens: um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde, em 2000, mostrou que a prevalência de episódios de depressão unipolar é de 1,9 por cento nos homens e de 3,2 por cento nas mulheres.

É pois, urgente aprender a reconhecer a depressão como uma patologia e não como uma fraqueza, como uma “ personalidade fraca” como me dizem alguns pacientes, e pedir ajuda especializada quanto antes!

Quais são os sintomas da depressão?

A depressão diferencia-se das normais mudanças de humor pela gravidade e permanência dos sintomas. Está associada, muitas vezes, a ansiedade e/ou pânico.

Os sintomas mais comuns são:


  • Modificação do apetite (falta ou excesso de apetite);
  • Perturbações do sono (sonolência ou insónia);
  • Fadiga, cansaço e perda de energia;
  • Sentimentos de inutilidade, de falta de confiança e de auto-estima, sentimentos de culpa e sentimento de incapacidade;
  • Falta ou alterações da concentração;
  • Preocupação com o sentido da vida e com a morte;
  • Desinteresse, apatia e tristeza;
  • Alterações do desejo sexual;
  • Irritabilidade;
  • Manifestação de sintomas físicos, como dor muscular, dor abdominal, enjoo, enxaquecas, entre outros.

 Quais são os factores de risco? 
  • Pessoas com episódios de depressão no passado; 
  •  Pessoas com história familiar de depressão; 
  • Pessoas do género feminino – a depressão é mais frequente nas mulheres, ao longo de toda a vida, mas em especial durante a adolescência, no primeiro ano após o parto, menopausa e pós-menopausa; 
  • Pessoas que sofrem um qualquer tipo de perda significativa, mais habitualmente a perda de alguém próximo; 
  • Pessoas com doenças crónicas - sofrendo do coração, com hipertensão, com asma, com diabetes, com história de tromboses, com artroses e outras doenças reumáticas, SIDA, fibromialgia, cancro e outras doenças; 
  • Pessoas que coabitam com um familiar portador de doença grave e crónica (por exemplo, pessoas que cuidam de doentes com Alzheimer); 
  • Pessoas com tendência para ansiedade e pânico; 
  • Pessoas com profissões geradoras de stress ou em circunstâncias de vida que causem stress; 
  • Pessoas com dependência de substâncias químicas (drogas) e álcool; 
  • Pessoas idosas.

É possível prevenir a depressão ?


Como em todas as doenças, a prevenção é sempre a melhor abordagem, designadamente para as pessoas em situação de risco, pois permite a intervenção precoce de profissionais de saúde e impede o agravamento dos sintomas. 

Se sofre de ansiedade e/ou ataques de pânico, não hesite em procurar ajuda especializada, pois muitas vezes são os primeiros sintomas de uma depressão.


 Se apresenta queixas físicas sem que os exames de diagnóstico encontrem uma explicação então aborde o assunto com o seu médico assistente.

  

Como se trata a depressão?

  
A Psicoterapia é fundamental no tratamento da depressão. 

Apesar de a medicação anti-depressiva ser fundamental nalguns casos e suficiente noutros, ajudando à recuperação a curto prazo do bem-estar, normalmente, não corrige esta patologia, de uma forma permanente, ou seja, depois de retirada a medicação, há uma probabilidade significativa de a pessoa voltar a apresentar sintomatologia depressiva. 

A Psicoterapia é fundamental para ajudar a pessoa a encontrar dentro de si recursos necessários para lidar com os acontecimentos geradores de tensão e ansiedade, assim como a diminuir o seu sofrimento, aumentar o seu bem –estar consigo próprio e com a vida !

  
A Psicoterapia é a forma cientificamente comprovada de obter resultados duradouros na perturbação depressiva.

Se for o seu caso não hesite em pedir ajuda!

domingo, 2 de janeiro de 2011

A Terapia de casal

As relações amorosas provocam muitas vezes insatisfação aos seus membros, quer pelo arrefecimento de sentimentos quer pelo desgaste contínuo provocado pelas exigências familiares e profissionais.
 
O sentimento de não se ser tão próximo ou tão compreendido e gostado como antes pode levar a um afastamento e aumento dos conflitos entre o casal, parecendo antes que os seus membros amadureceram em sentidos opostos, não reconhecendo o parceiro por quem se apaixonaram. É possível que aumentem os desacordos e se alterem necessidades ou ambições, o que progressivamente vai justificando maior afastamento e eventualmente a ruptura.
 
Contudo, há muitas vezes o desejo e a esperança de resgatar os sentimentos iniciais, a cumplicidade e o romance que se foi perdendo com o tempo. As tensões e vivências negativas que entretanto se acumularam podem dificultar este trabalho, pelo que é necessário recorrer à Terapia de Casal, como forma de restabelecer os laços e prevenir novas crises.

É frequente encontrarmos sintomas e problemas de saúde física associados ao mau funcionamento da relação, com impacto noutras esferas da vida, nomeadamente a nível profissional e na relação com os filhos. Entre eles a depressão, ansiedade, descontrolo emocional, insónias, desorganização e diminuição na produtividade laboral são os mais frequentes.

 A Terapia de Casal é um serviço de apoio e aconselhamento destinado aos casais que, tendo ou não dificuldades específicas, pretendem trabalhar na melhoria da relação ou na exploração quanto à viabilidade da mesma.

A Terapia de casal permite ao casal compreender as razões do seu desacordo. As sessões proporcionam um ambiente de dialogo aberto em que cada individuo pode expressar os seus sentimentos e necessidades, escutar e ponderar de forma diferente sobre as razões do outro.

O terapeuta auxilia na identificação de factores conscientes e inconscientes que provocam o mal-estar e na avaliação dos recursos disponíveis para resolver a discórdia. Procura-se colaborar com vista a encontrar soluções satisfatórias para ambos.

Durante as sessões o psicoterapeuta vai atendendo não só ao motivo da procura de ajuda mas também às necessidades cambiantes de cada um dos parceiros para que restabeleçam vínculos maduros, duradouros e satisfatórios para ambos. Através do trabalho terapêutico os casais vão conseguindo aceitar mutuamente as diferenças e implementar as mudanças necessárias ao seu bem-estar.

A terapia de casal pode ajudar sempre que: 
  • Existam dificuldades de comunicação entre o casal e ou Discussões frequentes
  • Quando um dos parceiros foi infiel e o casal tem dificuldade em lidar com a situação
  • Sentimentos de desconfiança ou situações de infidelidade
  • Quando ambos sentem que estão próximos da ruptura  
  • Quando existem conflitos motivados por ciúmes  
  • Quando a rotina fez desaparecer a paixão  
  • Insatisfação ou dificuldades no relacionamento sexual 
  • Quando existem conflitos persistentes de qualquer tipo  
  • Insatisfação com a qualidade da relação amorosa 
  • Afastamento de um ou ambos os parceiros
  • Situações críticas (morte, doença grave, desemprego, infertilidade)
  • Dificuldades e incongruências na educação dos filhos
  • Dificuldades no relacionamento com as famílias de origem
 O bem-estar dos seus filhos é afectado pela qualidade do seu casamento. Quando o pai e a mãe têm uma relação amorosa feliz, os filhos crescem também mais felizes.

Procure ajuda de um terapeuta de casal e dê à sua relação, e à sua familia uma nova oportunidade! 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Hino à Humanidade



Passamos pelas coisas sem as ver,

gastos, como animais envelhecidos.

se alguém chama por nós não respondemos,

se alguém nos pede amor não estremecemos,

como frutos de sombra sem sabor,vamos caindo ao chão apodrecidos.

...

Eugénio Andrade
 

QUE NESTE NATAL E NO FUTURO todos possam olhar o outro de uma forma diferente,

todos respondam aos apelos, à dor, ao amor, QUE NINGUÉM FIQUE INDIFERENTE.


Para todos um grande abraço e votos de boas festas.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Depressão Pós-férias?



 Entrevista cedida e publicada à  REVISTA Pais e Filhos, 1 de Setembro de 2010 


As férias são sempre que nós quisermos...

Os fatos-de-banho estão arrumados? As fotografias da praia, piscina e campo fazem nascer suspiros de saudade? Não se deixe cair na armadilha da tristeza pós-férias. Reaja e prolongue os dias descontraídos ao longo de todo o ano.

Os primeiros indícios podem aparecer mesmo antes de as férias terminarem. De repente, a perspectiva de regressar ao trabalho e deixar para trás o tempo de descanso, durante o qual só fizemos o que queríamos, quando queríamos e com quem queríamos, parece quase insuportável. E mesmo antes de a roupa de praia voltar para as gavetas e o chapéu-de-sol para a arrecadação, damos por nós às voltas com pequenas irritações, ansiosos e cansados.

O cenário pode piorar, e muito, logo que o quotidiano habitual volta a impor-se, com horários e prazos a cumprir, falta de tempo para todos os compromissos e o stresse a ganhar terreno. É aí que as saudades dos dias de férias batem forte e nos deixam sem ânimo para quase nada. Revemos vezes sem conta as fotografias tiradas ao sol ou em noites de diversão, olhamos melancolicamente para o bronzeado que começa a desvanecer-se e nem queremos pousar os olhos no calendário já que este nos devolve a imensidão dos dias que ainda terão de passar até às próximas férias. Este estado de espírito tem um nome: síndrome pós-férias. E afecta muito mais pessoas do que, à primeira vista, poderíamos pensar. De acordo com vários estudos internacionais – realizados em países como a Espanha e o Brasil – cerca de 40 por cento das pessoas experimentam dificuldades em regressar aos ritmos de trabalho após um período alargado de descanso. Os sintomas podem ir da tristeza ligeira a atitudes que exigem acompanhamento especializado.

Depressão?

«Penso que o termo ‘depressão pós-férias’ é utilizado de forma abusiva. Para ser diagnosticada uma depressão, os sinais devem estar presentes durante, pelo menos, seis meses e devem ter origem em circunstâncias muito mais prolongadas e graves do que o fim do período de lazer.» Quem o afirma é Maria de Jesus Candeias, psicóloga clínica e psicoterapeuta, para quem «o retorno às obrigações pode agravar um quadro de fragilidades anteriores, em especial em circunstâncias de insatisfação profunda ou crise, seja ela familiar ou exterior ao agregado».

Mas estes são casos extremos. Na maior parte das vezes, os sinais de melancolia dissipam-se, mais ou menos rapidamente. Até porque é possível manter grande parte do «espírito de férias» mesmo quando o relógio de ponto ou o toque no recreio deixam de dar tréguas (ver caixa).

«Por si só, o retorno ao dia-a-dia pode deixar-nos pouco contentes, desanimados mesmo, mas nunca em depressão», adianta Maria de Jesus Candeias. «O que se passa é que durante todo o ano vivemos sob o peso do nosso individualismo e de inúmeras pressões. Por um número limitado de dias, procuramos libertar-nos desse peso e, quando finalmente conseguimos, é tempo de voltar a elas. Não admira que fiquemos tristes quando somos confrontados com o retorno à tensão. A solução para não sermos demasiadamente atingidos passa, essencialmente, por nós e pela capacidade de ‘dar a volta por cima’. E é bom fazer esse exercício não apenas quando as férias acabam mas de forma permanente.»

Telmo Baptista, presidente da Associação Portuguesa de Terapia Comportamental e Cognitiva, partilha esta análise.

O pesar que atinge muita gente no regresso de férias «é o resultado de um processo de adaptação a novas circunstâncias de deveres e obrigações». Umas pessoas passam rapidamente por essa fase e outras demoram mais tempo. E é aí que podem surgir a irritabilidade, o cansaço, a tristeza, o mau humor ou as alterações nos ritmos do apetite e do sono. «Não se trata de uma verdadeira depressão. Todavia, é positivo lançar mão de todas as armas para afastar a melancolia.» E isso pode começar em plenas férias

Férias boas, férias más

Uma investigação da filial brasileira da Internacional Stress Management Association concluiu que cerca de 70 por cento dos trabalhadores registam, nas primeiras duas semanas a seguir ao período de ócio, níveis de stresse idênticos aos registados antes das férias. Tal significa que os dias longe do trabalho funcionaram apenas como um ‘balão de oxigénio’ e não como um verdadeiro ‘recarregar de baterias’. Fazer boas opções durante o tempo em que se está fora torna-se, assim, determinante para obter resultados duradouros e fugir à síndrome pós-férias:

- Procure mudar as suas actividades diárias. O objectivo principal é esquecer completamente o trabalho e todos os assuntos com ele relacionados. Se estiver de férias e sempre a contactar com os colegas, a ver mails e a preocupar-se sobre o que poderá estar a acontecer vai acumular duas tarefas – trabalhar e procurar relaxar – sem desempenhar bem nenhuma delas;

- De acordo com especialistas norte-americanos na área da Psicologia, é melhor não descansar de todo do que fazê-lo por tempo insuficiente. Segundo as mesmas fontes, duas semanas é o tempo mínimo para se obterem bons resultados, enquanto que três semanas são o intervalo ideal: a primeira para adaptação ao novo ambiente, a segunda para descansar verdadeiramente e a seguinte para mentalizar-se, lentamente, de que será necessário voltar a enfrentar o quotidiano;

- Tome as rédeas das suas férias. Mesmo se vai descansar em família ou com amigos, é importante encontrar consensos e procurar que toda a gente faça aquilo que mais gosta. Se isso significa que uns dão 300 mergulhos enquanto outros ficam na sombra a ler um livro ou vão jogar mini-golfe, assim seja. E não tenha medo de dizer «não» quando o programa não for do seu agrado.

Olhe para o lado

Se há quem encare muito bem o regresso às obrigações – leia-se, aulas – são as crianças. Pelo menos é o que defende Maria de Jesus Candeias ao dizer que «quando se aproxima o regresso à escola, a maior parte está ansiosa para rever os colegas e os professores, por aprender coisas novas, voltar às actividades extra-curriculares». Ou seja, «os nossos filhos têm a grande capacidade de desfrutarem intensamente do Verão e de, chegado o tempo de arregaçar as mangas, fazê-lo com entusiasmo, já que conseguem encontrar motivação mais do que suficiente», considera. «Elas são o melhor modelo, só temos de olhar bem para elas e seguir-lhes o exemplo», conclui.

Se a escola é motivo de alegria, a tristeza pode, mesmo assim, infiltrar-se. «Ver chegar o fim das férias é, para muitas crianças, assistir ao fim do tempo privilegiado que passam com os pais, em que estes estão mais disponíveis, em que a vida não é só feita de obrigações, em que há mais partilha e comunicação, em que se chuta a rotina para bem longe», alerta Maria de Jesus Candeias. Por isso mesmo, defende a psicóloga clínica, «há que perceber o que se faz de bom durante as férias, o que resultou connosco, com o nosso parceiro, com as nossas crianças e procurar nunca abandonar estes princípios. Depois das férias e durante o resto do ano».

Truques para combater a melancolia

1 – Não goze as férias todas de uma vez. Divida os dias a que tem direito em dois ou mais pe-ríodos para que, ao longo de todo o ano, esteja sempre na expectativa de mais uma altura de descanso;

2 – Organize os seus fins-de-semana e, se forem prolongados, ainda melhor. E, como nem sempre há feriados a jeito para planear uma «ponte», use criteriosamente alguns dos seus dias de férias para as alturas em que sabe que lhe vai saber mesmo bem uma escapadinha.

3– Não volte de repente ao trabalho. Se possível, regresse a casa uns dias antes das férias terminarem e desfrute esse compasso de espera antes das obrigações. Volte paulatinamente aos horários das refeições e do sono. Preguice em casa, encha a despensa, visite a família, organize com calma tudo o que os adultos e as crianças vão necessitar para os dias seguintes. Não há nada pior para do que sair do avião à meia-noite de domingo e picar o ponto às nove da manhã de segunda-feira…

4 – As tarefas em atraso acumularam-se quando esteve fora? Determine quais são as verdadeiramente urgentes e trate delas. Para as restantes, organize um ‘plano de ataque’ e tente resolvê-las uma de cada vez, com a maior calma possível. Não quer voltar aos níveis de stresse pré-férias pois não?

6 – Diga não às rotinas. E isto serve não só para as obrigações laborais como também para todos os outros aspectos da sua vida. Provavelmente as crianças ainda têm uns dias de férias antes do regresso às aulas. Jogue com isso: em vez de as ir buscar aos avós ou ao ATL e seguirem direitinhos para casa, que tal instalarem-se numa esplanada, esquecer o jantar e substituí-lo por uma petiscada?

7 – Assuma o seu direito às coisas boas da vida, mesmo sem estar de férias. Se aquela massagem em pleno areal lhe soube maravilhosamente, que tal repeti-la no fim-de-semana ou ao final da tarde? E isto também é válido para descobertas gastronómicas, visitas a museus, idas ao cinema e ao teatro, encontros com a família e amigos, práticas desportivas, etc., etc.

8 – Pegue no calendário e na agenda e marque todos os dias especiais ao longo do ano. Não só as férias, feriados e fins-de-semana como também os aniversários da família e amigos, festas, jantares e momentos de lazer. Vai ver que o passar dos meses ficará muito mais aliciante e motivador

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Quando é que a ansiedade se torna uma doença?


A ansiedade é uma emoção normal que existe em todos os seres humanos e de extrema importância para a sobrevivência.

É com a ansiedade que nós aprendemos a proteger-nos dos perigos fisicos e psicológicos.

Ficamos ansiosos quando antevemos o perigo de sermos assaltados, agredidos física ou verbalmente, dos nossos filhos serem atropelados na rua, entre muitas outras situações em que a ansiedade nos impele a preservar a integridade.

Portanto, a ansiedade é uma emoção reguladora da sobrevivência da espécie e como tal através da sua acção o ser humano aprende a defender-se do perigo. Esta é a função normativa da ansiedade, que, se estiver regulada(uma ansiedade normativa) desaparece rapidamente e, actua sobretudo como estimulante, ou seja, o ser humano precisa de manter níveis de ansiedade normais, para que consiga efectuar tarefas de qualquer natureza.

Quando o homem deixa de conseguir regular a ansiedade é porque ela se tornou patológica, logo fora do controlo da pessoa. Pode ter niveis de ansiedade elevados ao máximo,como pode não possuir qualquer ansiedade normal, que seja geradora de algum tipo de trabalho ou actividade. Em ambos os casos falamos de patologia.

O que é que causa a ansiedade?

As dificuldades da vida são normalmente o factor desencadeante da ansiedade patológica e nos casos agudos da angústia.

Além disso as dificuldades pessoais de inserção na sociedade, os conflitos internos do domínio afectivo, emocional e sexual podem conduzir a uma sintomatologia ansiosa.

As investigações indicam que toda a pessoa que sofre de ansiedade grave tem um profundo sentimento de desamparo psíquico oriundo de relações parentais pouco seguras ou de uma insegurança total, portanto, o que subsiste é o sentimento de desamparo e sentimentos depressivos.

Há relação entre ataque de pânico, fobias e ansiedade?

Claro que há. A fobia é um medo irracional de um objecto/animal ou situação. Os ataques de pânico são uma manifestação aguda de angústia sem causa aparente declarada, que podem paralisar um indivíduo através da sensação de asfixia ou medo de morrer. Todo este conjunto de sintomas não são mais que expressões diferentes de ansiedade.

Há alguma relação entre ansiedade e depressão?

A ansiedade faz parte do quadro clínico da depressão e está associada às alterações de humor e aos estados depressivos.

Podemos assim dizer que todas as pessoas que sofrem de depressão têm graus mais ou menos intensos de ansiedade, assim como quem sofre de ansiedade está deprimida ou em vias de deprimir.

Quais são os sintomas da ansiedade grave?
A ansiedade é acompanhada de vários sintomas físicos:
  • aceleração respiratória,
  • alteração do batimento cardíaco,
  • xixis frequentes,
  • diarreia frequente,
  • desfalecimento das pernas,
  • palidez,
  • contracção ou relaxamento do musculo facial,
  • sudação das palmas das mãos ( resposta galvânica da pele),
  • sudação de todo o corpo,
  • sensação de vertigem.

 Como é que a ansiedade evolui de normal para patológica?

Quando a pessoa já não consegue controlar as emoções e sente-se num estado de ansiedade generalizado, ou seja, em todas as situações da sua vida quotidiana. As emoções descontrolam-se, o cérebro deixa de produzir neurotransmissores e a ansiedade instala-se impedindo a pessoa de funcionar. Aparecem as mais diversas fobias, ou ataques de pânico, geradores de um desconforto enorme.

  O que é e como se manifesta a ansiedade generalizada?

A Ansiedade Generalizada manifesta-se por um estado de tensão, duma inquietude permanente, sem que algum acontecimento exterior o possa explicar. São pessoas que estão permanentemente em sobressalto e sofrem com isso. O sintoma-chave é uma ansiedade ou um medo não realista, e excessivo, face a acontecimentos futuros.

  
As queixas somáticas são: dores de estômago, dores de cabeça (cefaleias), diarreia, suores e transpiração excessiva, vertigens.... Esta psicopatologia torna-se um handicap porque torna a vida complicada e difícil de ser vivida, nomeadamente no quotidiano, no trabalho e nas relações pessoais.

  Estima-se que a sua prevalência seja de 3 a 7%, com uma incidência mais elevada nos filhos mais velhos e nos filhos únicos. São pessoas muito conscienciosas e que têm necessidade de serem tranquilizadas permanentemente.

  
A ansiedade generalizada evolui para doença: transforma-se em fobias e obsessões /compulsões.

  
Tratamento da ansiedade

  
Sofrer de perturbação da ansiedade não é nenhuma banalidade nem uma fatalidade.

Os tratamentos para cada tipo de ansiedade variam e são estabelecidos em função da natureza do problema (fobias, obsessões, pânico, etc.) e estabelecidos em função da personalidade do sujeito que as sofre.

  
Podemos encontrar ansiedades que se exprimem por outros tipos de sintomas como por exemplo, no caso de homens com ejaculação precoce, ou com impotência sexual, ou casais que há muito tempo tentam ter um filho, etc., depois de se terem realizados os despistes e exames médicos necessários, e ter-se verificado a ausência de efeitos fisiológicos, verifica-se que a ansiedade e a perturbação emocional são um factor enorme e responsável, na manutenção dessas dificuldades.

Ou ainda, pessoas que encontram no álcool, ou nas drogas, um escape para verem as suas angústias e preocupações aliviadas, e acabam por entrar num esquema traiçoeiro onde num primeiro momento as utilizam como qualquer coisa que ajuda a ficar mais calmo e que até dá prazer, mas mais tarde num esquema de dependência.


 Os exemplos podem ser vários, mas o importante a saber é que, uma grande parte das ansiedades patológicas são curáveis, outras serão susceptíveis de melhoramentos consideráveis que permitem, na generalidade, devolver às pessoas uma vida normal.

  
O tratamento é combinado em algumas situações, ou seja, com terapia medicamentosa ansioliticos e antidepressivos e psicoterapia em simultâneo.

  
Saliento que só a medicação não resolve o problema é sempre necessário fazer a psicoterapia.

O objectivo da medicação é ajudar a psicoterapia.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Neurose Obsessiva



A neurose obsessiva é uma doença bastante comum, afectando um em cada 40 ou 50 indivíduos.
Muitas dessas pessoas nunca foram diagnosticadas ou tratadas, embora os sintomas condicionem de forma grave a sua vida. Talvez a maioria desconheça o facto de esses sintomas constituírem uma doença que tem tratamento.

A neurose obsessiva é considerada uma doença mental grave por vários motivos: está entre as dez maiores causas de incapacidade de acordo com a Organização Mundial de Saúde; aparece frequentemente em indivíduos jovens no final da adolescência – e muitas vezes começa ainda na infância – sendo raro o seu início depois dos 40 anos; geralmente é crónica e, se não for tratada, na maioria das vezes os sintomas mantêm-se pela vida fora afectando toda a família.

Os sintomas raramente desaparecem espontaneamente: o mais vulgar é que apresentem flutuações ao longo da vida, aumentando e diminuindo de intensidade, mas estando sempre presentes. Por vezes tendem a um agravamento progressivo, podendo incapacitar as pessoas para o trabalho e implicar sérias limitações à convivência com a família e sociedade, além de terem um grande e permanente sofrimento.

Preocupar-se excessivamente com limpeza, lavar as mãos a todo o momento, verificar diversas vezes portas, janelas ou o gás antes de se deitar, não usar roupas vermelhas ou pretas, não passar em certos lugares com receio de que algo mau possa acontecer depois, não sair de casa em determinadas datas, ficar aflito caso os objectos sobre o móvel não estejam dispostos de uma determinada maneira... Esses são alguns exemplos de acções popularmente consideradas “manias” e que, na verdade, são sintomas de uma neurose obsessiva.

Tenho uma neurose obsessiva ou não?

Muitos pacientes com esta patologia só reconhecem que têm uma doença ao ler ou ouvir nos órgãos de comunicação algo sobre a doença, ou se forem confrontados por algum familiar. Diversos estudos demonstram que leva, em média, mais de oito anos desde o aparecimento dos sintomas da neurose até ela ser diagnosticado por algum profissional. Se você tem dúvidas sobre se tem ou não uma neurose obsessiva procure responder às perguntas a seguir:

1- Lava-se muito?
2- Verifica de forma repetida as coisas?
3- Tem pensamentos que incomodam, e dos quais gostaria de se livrar, mas não consegue?
4- Leva muito tempo para terminar as suas actividades diárias?
5- Preocupa-se muito com ordem, simetria ou alinhamento das coisas?

O que é uma neurose obsessiva?

A neurose obsessiva é uma doença do foro mental, identificada há cem anos por Sigmund Freud e que apresenta os seguintes sintomas:
  • compulsões a efectuar rituais diversos,
  • pensamentos ruminantes de que se não fizer determinado acto, poderá acontecer algo,
  • dificuldade em expressar sentimentos,
  •  ter pensamentos em circulo,
  • fazer o contrario daquilo que pensa,
  • agressividade escondida entre outros sintomas.
 À neurose obsessiva os defensores da causa biológica passaram a chamar Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e incluíram-no no DSM (Manual de Classificação das doenças psiquiátricas) com essa designação. Assim a neurose obsessiva aparece no DSM descrito da seguinte forma:

O TOC é um transtorno mental incluído pela classificação da Associação Psiquiátrica Americana entre os transtornos de ansiedade.
Está classificado ao lado das fobias (medo de lugares fechados, elevadores, pequenos animais – como ratos ou insectos), da fobia social (medo de expor-se em público ou diante de outras pessoas), do transtorno de pânico (ataques súbitos de ansiedade e medo de frequentar os lugares onde ocorreram os ataques), etc.

 Os sintomas do TOC envolvem alterações do comportamento (rituais ou compulsões, repetições, evitações), dos pensamentos (preocupações excessivas, dúvidas, pensamentos de conteúdo impróprio ou “ruim”, obsessões) e das emoções (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão).

Sua característica principal é a presença de obsessões e/ou compulsões ou rituais. Além disso, os portadores  do TOC sofrem de muitos medos (de contrair doenças, de cometer falhas, de ser responsáveis por acidentes). Em função desses medos, evitam as situações que possam provocá-los – comportamento chamado de evitamento.
  
O que são Obsessões?

Obsessões são pensamentos, idéias, imagens, palavras, frases, números ou impulsos que invadem a consciência de forma repetitiva e persistente. Sentidas como estranhas ou impróprias, geralmente são acompanhadas de medo, angústia, culpa ou desprazer.

O indivíduo obsessivo, mesmo desejando esforçando-se, não consegue afastá-las ou suprimi-las do seu pensamento. Apesar de serem consideradas absurdas ou ilógicas, as obsessões causam sofrimento e levam a pessoa a fazer algo (rituais ou compulsões) ou a evitar fazê-lo (evitamentos) para se livrar do medo ou do desconforto.

As obsessões mais comuns estão relacionadas aos seguintes aspectos: sujidade, contaminação, dúvidas, simetria, perfeição, exactidão ou alinhamento, impulsos ou pensamentos de ferir, insultar ou agredir outras pessoas, sexo ou obscenidades, armazenar, poupar, guardar coisas inúteis ou economizar, preocupações com doenças ou com o corpo, religião (pecado, culpa, escrúpulos, sacrilégios ou blasfémias) pensamento mágico (números especiais, cores, datas e horários).

 O que são rituais e compulsões?
  
Compulsões ou rituais são comportamentos ou actos mentais voluntários e repetitivos executados em resposta a obsessões ou em virtude de regras que devem ser seguidas rigidamente.
Os exemplos mais comuns são lavar as mãos, fazer verificações, contar, repetir frases ou números, alinhar, guardar ou armazenar, repetir perguntas, etc.

As compulsões aliviam momentaneamente a ansiedade, levando o indivíduo a executá-las sempre que a sua mente é invadida por uma obsessão acompanhada de ansiedade. Nem sempre têm ligação real com o que desejam prevenir (p ex., alinhar os chinelos ao lado da cama antes de se deitar para que não aconteça algo de mau no dia seguinte; dar três batidas numa pedra da calçada ao sair de casa, para que a mãe não adoeça). Nesse caso, os rituais são chamados mágicos.

Os dois termos (compulsões e rituais) são utilizados praticamente como sinónimos, embora o termo “ritual” possa gerar alguma confusão na medida em que as religiões, de forma geral, adoptam comportamentos repetitivos e contagens nas suas práticas: ajoelhar-se três vezes, rezar seis ave-marias, ladainhas.

Existem rituais para baptizados, casamentos, funerais, etc. Além disso, certos costumes culturais, como a cerimónia do chá entre os japoneses, o cachimbo da paz entre os índios, ou um funeral com honras militares, envolvem ritos que estão relacionados com a obsessão. Nestes casos estes ritos ou rituais são organizadores do funcionamento mental se não forem excessivos.

Todos os seres humanos tem uma parte da sua personalidade mais obsessiva, mas, a diferença entre isso ser normal e patológico, está no facto de que, na patologia ser causador de sofrimento e praticado em excesso, ou seja, quando interfere na rotina diária do sujeito.

A neurose obsessiva quase sempre se inicia na infância, entre 9 e 11 anos e surge principalmente em indivíduos jovens até aos trinta/quarenta anos, podendo durar toda a vida, sendo sempre acompanhada de muita angústia, ansiedade, sentimentos de impotência, diminuição da auto-estima e depressão.

 Quais são as causas da neurose obsessiva?

 Embora esteja em “moda” dizer que todas as doenças psíquicas tem causas biológicas, o que se continua a verificar é que elas são ambientais e relacionais, ou seja adquirem-se na convivência familiar. Uma educação muito rígida e punitiva, está, vulgarmente presente nos casos que nos aparecem no consultório.

Tratamento da Neurose Obsessiva
Claro que os lobbies associados ás grandes farmacêuticas, transformaram a neurose obsessiva em TOC e atribuíram-lhe causas biológicas. Nunca vi ninguém com esta doença curar-se apenas com medicamentos, embora sejam necessários em muitas destas situações, mas, com psicoterapia psicanalítica e medicamentosa os sintomas melhoram bastante e a pessoa começa a ter outra qualidade de vida, diferente da anterior.

No entanto a terapia medicamentosa deve ocorrer em simultâneo com a psicoterapia, porque senão nada muda! Quando pára a medicação, os sintomas voltam porque dentro do sujeito e no seu pensamento nada mudou. A verdadeira mudança só é possível através da psicoterapia, ajudando-o a enfrentar os medos que estão na base dessas obsessões e/ou compulsoes.
Cuide de si! Conte comigo!

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