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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

“Os rituais levam-nos a fazer balanços e a ver o que é preciso mudar, mas não há milagres: é preciso fazer por isso”

A psicóloga, psicoterapeuta e investigadora Maria de Jesus Candeias, um dos membros fundadores da PsiRelacional, aborda os efeitos psicológicos de um ano negro e o valor dos rituais para entrar num novo ciclo com saúde e resiliência



2020 foi um annus horribilis à escala global. Com perdas e ameaças de toda a ordem, colocou as relações humanas à prova, mas trouxe também a possibilidade de nos reinventarmos e de integrar o que vivemos com um novo olhar, mais empático, flexível, ajustando comportamentos

Quando o ano começou, não imaginávamos ter de testemunhar tanto medo, dor e privação social. Para muitos, foi a impossibilidade de velar os seus mortos, para outros, a ausência de suporte na hora de trazer alguém ao mundo, num ambiente asséptico e sem o contacto físico que tinham por garantido. 

A gestão desta nova realidade não tem de ser um processo traumático se houver espaço para falarmos uns com os outros e reorganizarmos emoções e pensamentos 


“A pandemia tirou-nos o chão e começou por ser vivida como um tempo de estranheza e de desorientação”, reconhece a psicóloga Maria de Jesus Candeias. Porém, “a gestão desta nova realidade não tem de ser um processo traumático se houver espaço para falarmos uns com os outros e reorganizarmos emoções e pensamentos”. 

Para muitos, a maior dificuldade consistiu em gerir o dilema psíquico: a saúde ou a relação? Ficar perdido nessa visão dicotómica pode conduzir a defesas menos saudáveis, pela incapacidade de tolerar o que está a acontecer, que se manifestam em posições extremas, do isolamento excessivo à negação da realidade. O desafio é conseguir integrar a atual realidade e ter em mente que a crise é transitória: “O melhor indicador de saúde mental está na capacidade de ajustar atitudes e comportamentos, com flexibilidade, e dar tempo ao tempo, sem rigidez mental.”

Uma das coisas que este ano com sabor amargo trouxe foi levar-nos a repensar os modelos sociais que nos pautam: “O ‘eu quero, eu tenho; eu desejo e acontece’ geram frustração permanente; há que tolerar a frustração e admitir alguma dose de sacrifício.”

Nesta quadra natalícia, com alívio das restrições a que assistimos nos últimos meses, “é preciso relativizar, ter moderação e adiar a gratificação que virá, respeitando esse tempo de espera com responsabilidade e valores, como a empatia.” 

O poder dos rituais

Com o Novo Ano à porta, importa lembrar a importância dos rituais e das celebrações. Podem ser os velórios, “que têm uma função psíquica de expressar a dor”, ou as comemorações que marcam a transição para um novo ciclo, deixando para trás o anterior. “As datas simbólicas que trazem a possibilidade de esperança e de transmutação no novo ciclo, pois o nascimento de uma ação começa no desejo e no pensamento”, diz Maria de Jesus Candeias.

As celebrações e votos de ano novo têm, por isso, uma função securizante e terapêutica, na medida em que constituem âncoras para nos reorganizarmos: “Os rituais levam-nos a fazer balanços e a ver o que é preciso mudar, mas não há milagres e soluções imediatas, é preciso fazer por isso.” 

Depois de um ano trágico que está a chegar ao fim, há um caminho a percorrer e que é feito de pequenos passos, tendo presente que amanhã é outro dia e que tudo é possível. 

Entrevista cedida por Maria de Jesus Candeias ao Programa Conversas com Saúde da Revista Visão


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