segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Acerca da Depressão..Mitos e Factos!


A depressão é uma doença do foro mental cuja incidência tem aumentado muito em Portugal.

Considerada a doença do século XX, parece que já se tornou parte da vida das pessoas como se fizesse parte do corpo, como um órgão vital com funções específicas, ao ponto de poder durar uma vida inteira sem que a pessoa procure tratar-se.

Assim, quando alguém diz que está deprimido, ou se refere a alguém deprimido dá um tom de pouca importância ao assunto, e reforça que a pessoa precisa de ter força de vontade como se isso bastasse para o curar.
 No entanto, acho pela minha experiência clínica que o facto de se falar tanto nesta doença não significa que exista um esclarecimento correcto acerca dela.
Ninguém se cura só com força de vontade e com pensamentos positivos.

Já referi noutro post sobre o tema, que a industria farmacêutica chamou a si a “cura” da depressão e a partir da “geração Prozac”, tudo se resolveu com medicamentos, porque é um negócio da china para a indústria farmacêutica. Toma-se antidepressivos durante seis meses ou mais e a pessoa fica curada.... Mera Ilusão!!

Se a pessoa estiver realmente deprimida os medicamentos ajudam durante um tempo, mas assim que os deixar de tomar volta a ter os mesmos sintomas.

Se é verdade que muitas depressões são reactivas a acontecimentos de vida, também é verdade que na sua maioria o que está por detrás duma depressão é a falta de amor, ou a percepção disso, sendo que para a pessoa isso é real, sendo na maioria das situações inconsciente. A pessoa tem uma tristeza profunda, mas não sabe a sua origem. A tristeza torna-se egosintónica e faz parte do indivíduo como um órgão vital.

Ficar deprimido por perda da saúde, ou de um casamento, ou da perda de alguém querido, numa fase inicial, não é depressão, é luto, embora os sintomas possam ser idênticos.
O que distingue a depressão do luto é a continuidade dos sintomas por demasiado tempo.



Por outro lado a maioria do que existe escrito acerca da depressão aponta como causas défices ao nível dos neurotransmissores. Embora isso seja uma realidade já comprovada esses resultados verificam-se porque o estado mental da pessoa é que vai originar isso.
O homem é o único ser vivo que consegue mudar a sua biologia através do pensamento. Cerca de 80% das doenças que existem são de origem psicossomática, ou seja, resultam de estados mentais doentes.
Aquilo que a mente não consegue elaborar o corpo arranja forma de exteriorizar. Asmas, Colites, Cólon Irritável, dores de cabeça crónicas, dores de estômago persistentes, úlceras, eczemas de vários tipos, são doenças ligadas ao psiquismo humano, que por base tem sentimentos depressivos de falta de afecto, de origem relacional, porque existem doenças (AVC, Tumores, Demências etc.) que podem ter sintomas depressivos.

Sendo Portugal um pais que não acompanhou o desenvolvimento da importância das ciências psicológicas ao mesmo nível dos outros países, ainda há muita relutância em admitir que os psicoterapeutas (existem muito poucos porque as sociedades cientificas que os formam admitem um numero reduzido de alunos por ano, para além de que é uma formação longa e cara) tem um papel fundamental na resolução da maioria das doenças mentais, sem ser necessária intervenção psiquiátrica e terapêutica farmacológica.

Por outro lado o que as pessoas procuram é um tratamento de resolução mágica e rápida sem terem que despender qualquer tipo de esforço, seja ele mental ou financeiro. Claro que isso não existe!

 A psicoterapia é um processo que leva algum tempo e temos que considerar que é um investimento. Agora o que eu acho é que esse investimento vale a pena porque não tem volta atrás, ou seja, mesmo que a pessoa interrompa a psicoterapia depois de alguns meses, os ganhos mantém-se e o funcionamento é sempre melhor a todos os níveis futuramente.

A Psicoterapia , como método de tratamento, na depressão e na maioria dos casos,  consegue ao fim de algum tempo, melhoras significativas e muitos resolvem-se em médio prazo (mais ou menos um ano), ganhando a pessoa uma melhoria da qualidade de vida ao nível pessoal, social e de saúde física.

O que faz com que as pessoas resistam muitas vezes a procurar ajuda, não é só o dinheiro (os psicoterapeutas geralmente não tem preços fixos, são quase sempre negociáveis), mas a perda de fé nas relações humanas, porque aquilo que se vai passar na terapia é uma nova relação.
Se as relações primárias (pais ou cuidadores) não foram seguras, ou sentidas inseguras, porque por vezes o que existe é uma fantasia dessas relações (mas é real para a pessoa) então como é que uma relação com outra pessoa vai ser boa?

A relação terapêutica ainda assusta quem quer procurar ajuda, no entanto é pela relação que a “cura” se obtêm, porque foi pela relação que a doença se instalou.

Na génese da depressão, ao contrário do que muito por ai se diz, está uma falta básica. Faltou o amor, ou antes, o sentimento de ser amado! Por isso, a depresão, é considerada uma doença dos afectos.

O amor é o alimento da alma, porque nem só de pão vive o homem.

"Mais amor, Menos doença"


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Workshop de Autoconhecimento e Desenvolvimento Pessoal




"Conhece-te a ti mesmo" Sócrates, séc. V a.c


Lisboa, SÁBADO,  30 de Janeiro de 2010.


LOCAL: Policlínica do Areeiro, Av. Guerra Junqueiro, nº 15

Dinamizadora: Maria de Jesus Candeias (Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta)


Duração: 6 horas das 9h30 às 17h.

Destinatário: Homens e mulheres com mais de 17 anos.


Preço: 45 Euros (pagamento no acto de inscrição). Desconto de 20% para estudantes


METODOLOGIA: Dinâmicas de Grupo, Jogo da Transformação..


DATA LIMITE DE INSCRIÇÃO: 25 de Janeiro de 2010.


Limitado a 12 participantes.


Informações e Inscrições: Policlínica do Areeiro, Tel.. 21 843 93 19 (14h às 20); ou Tlm:96 23 62 861 ou Tlm 91 991 82 25  ou email: jesuscandeias@gmail.com

Objectivos Específicos Workshop:

1. Identificar e exprimir o próprio estado de espírito; tomar consciência das próprias modalidades de reacção às situações.

2. Tomar consciência da postura que se assuma na vida, da capacidade de se expor e das próprias inibições.

3. Observar e tomar consciência dos aspectos positivos e negativos da própria personalidade

4. Analisar medos e receios que condicionam o comportamento e a livre expressão do SER

5. Favorecer a livre expressão dos próprios desejos de mudança; tomar consciência das próprias necessidades e condicionantes.

6. Jogos de Transformação


A Importância do Auto-Conhecimento

Todos nós percorremos um caminho de crescimento pessoal ao longo da vida.
Somos o resultado de uma vida repleta de experiências: umas boas outras menos boas, que nos deixam marcam e condicionam a nossa forma de ser, de estar e de nos relacionarmos com os outros.

Certas vivências por serem demasiado dolorosas, são remetidas pela nossa mente para um nível inconsciente, como forma de protecção. Muitas das nossas emoções e sentimentos registam-se a um nível inconsciente.

O auto-conhecimento é a ponte que nos permite aproximar de nós mesmos, do nosso "OUTRO EU", dos nossos medos e sentimentos que, mesmo inconscientes, condicionam, muitas vezes, os nossos comportamentos e atitudes.

O auto-conhecimento é o caminho para nos relacionarmos de uma forma mais genuína com nós próprios e com o mundo exterior. Quanto mais nos conhecermos, melhor percebemos que a nossa vida é consequência do que sentimos e construímos interiormente.

O Desenvolvimento Pessoal é um processo longo e por vezes doloroso e que passa pelo auto-conhecimento, no fundo pela tomada de consciência e aceitação dos processos que ocorrem no nosso interior e que nos permitem alcançar um desejado e merecido estado de Satisfação.

Este crescimento passa pelo desenvolvimento de competências pessoais, emocionais e relacionais.

Este Workshop será uma primeira experiência a Viajar dentro de si!



domingo, 1 de novembro de 2009

A Criança face ao Divórcio dos pais...



O divórcio dos pais é sempre um acontecimento doloroso e marcante na vida da criança qualquer que seja a idade.

Em idades precoces, pré – escolares, os efeitos não tardam a surgir, a criança fica agitada, confusa e sente-se muito vulnerável, tendendo a culpar-se “ o pai foi-se embora porque eu sou mau” entre outras coisas que assentam sempre na sua responsabilidade pela separação dos pais.
As crianças pequenas como ainda são muito auto-centradas tendem a culpabilizar-se, assumindo a responsabilidade pelo que aconteceu entre o pai e mãe.

Quando são mais velhas, em idades escolares, sobrevêm a tristeza e a depressão na maioria das situações, transtornos psicossomáticos (dores de cabeça, dores de barriga, vómitos, diarreia etc.), em ambas as situações existe prejuízo para um bom decorrer da adolescência e adulticia.

As figuras parentais são fundamentais para a forma como se vão desenvolver os processos psíquicos da criança após a separação. Digo figuras parentais, porque nem sempre são os pais biológicos a desempenharem esse papel.

Não raras vezes, o que acontece é que na situação de divórcio o casal está muito embrenhado na situação e pouco disponível para os filhos. A  ausência de interacções protectoras e segurizantes decorrentes dessa fase podem resultar em dificuldades  na criança ao nível do relacionamento com amigos, professores, familiares e da própria criança consigo mesma.

O divórcio dos pais quando é mal integrado pela criança, quando a criança se sentiu arma de arremesso entre o casal, quando um dos pais utiliza a criança para denegrir a imagem do outro, faz chantagem, ameaça, agride, entre outras situações, pode comprometer um bom desenvolvimento emocional no futuro.

Ainda que o divórcio seja entre o pai e a mãe, a criança também passa por essa separação, pois tem que separar o que outrora tinha unido dentro de si. A negação e a recusa vão actuar impelindo a criança a fazer tentativas de juntar os dois. É uma perda que aos olhos da criança pode ser reversível, alimentando a esperança e a ilusão que isso vai acontecer.

Durante muito tempo a criança vai dedicar-se a encontrar estratégias de reconciliar os pais e voltar a tê-los de novo perto de si. Nessa fase de tentativa de os aproximar as actividades escolares vão ser deixadas de lado, as notas vão baixar, o interesse pelas brincadeiras diminui, os seus interesses e fantasias vão estar ocupados com essa tarefa.

Nem sempre o divórcio é um factor de estabilidade para a criança. O facto de poder estar longe de brigas e agressões que possam existir, faz com que perca na mesma a sua referência da família, e em muitas situações começam as brigas novamente sendo a criança o elo de ligação e o correio entre os pais.

Quando a criança tem 10 -11 anos e mais, um dos sintomas que aparece é começar a apresentar uma maturidade que na realidade não tem. Adopta posições de distância com um controlo excessivo de si mesmo, a fim de negar os sentimentos de vergonha e neutralizar a ansiedade, bem como sondar os limites da situação familiar, face a uma nova realidade. Nessa fase pode ser impelido a experimentar drogas e álcool e a iniciar a vida sexual como forma de arranjar companhia e combater o sentimento de abandono gerado pelo desfazer da família.

Muitas crianças e adolescentes não aceitam a separação e começam a agir essa dor com comportamentos agressivos manifestado hostilidade e desgosto. Com frequência culpam o conjugue como qual vivem, normalmente culpam a mãe por não ser capaz de manter a família unida. Quando visitam o outro conjugue seja o pai ou mãe não se atrevem a manifestar o desgosto com medo de perder mais essa relação e a família com receio de acabar com uma relação já de si insegura.
Porém, mais vale ter uma relação insegura que ser abandonado, sentimento que acompanha sempre a criança. Apontam algumas estatísticas que dois meses depois de decretado o divórcio menos de metade dos pais vê o filho apenas uma vez por semana. Passado um ano mais de metade nem sequer a visita.

O perigo de desequilíbrios psicológicos por causa do divórcio dos pais aumenta se a criança já tem predisposição para ser vulnerável por antecedentes familiares de depressão, pela própria perda ou pelo reavivar na memória de outras perdas mais precoces, como por exemplo uma ausência prolongada da mãe ou do pai sentida como abandónica.

O divórcio não significa um ponto final no confronto entre os pais, por vezes eles estão apenas a começar, o casal reaviva os problemas, não se consegue descentrar dos seus problemas e não consegue gerir em conjunto as coisas do filho mais simples, como comprar roupa, uma saída com amigos, a imposição de um limite. Se um diz não, o outro para ser melhor diz que sim. Assim se vai instalando a confusão mental na criança que se vê quase sempre no meio dos pais em que cada um denigre a imagem do outro a cada dia que passa.

O impacto do divórcio na criança depende sempre da estabilidade do progenitor com quem ficar e da relação saudável ( dentro do possível num contexto de separação) que os pais consigam quer estabelecer entre si, quer com as crianças.

Muitas vezes, a fragilidade afectiva dos pais a seguir ao divórcio faz com que fiquem incapazes de atender as necessidades dos filhos.
 A criança sofre imenso quando é utilizada como instrumento de negociação entre os pais e quando pai ou mãe estão deprimidos e a tentam absorver como busca de companhia e apoio. Desgastam afectivamente a criança/ adolescente que se viu forçada a ser o amparo do progenitor deprimido.

Em situações destas a busca de ajuda especializada poderá evitar graves prejuízos na vida futura da criança.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

WORKSHOP: GESTÃO DE STRESS




Lisboa, 21 de Novembro de 2009 (Sábado)





LOCAL: Policlínica do Areeiro, Av. Guerra Junqueiro, nº15 2º

Duração: 6 horas das 10h às 13h e das 14h às 17h);

Preço: 45 euros. Desconto de 20% para estudantes e protocolos.

Informações e Inscrições: 218 439 319 (das 14h às 20h); 96 23 62 861; 91 991 82 25 ou email: jesuscandeias@gmail.com

Data Limite de Inscrições : 19 de Novembro 2009.

Destinatários: Todos aqueles que pretendam adquirir ferramentas práticas para compreender e gerir proactivamente o Stress, utilizando seu potencial positivo e as suas consequências negativas sobre o trabalho, a saúde a vida familiar e social.

Objectivos: Adquirir conhecimentos e estratégias de auto-controlo na prevenção e na gestão de situações de stress.

Metodologia: Exposição teórica, Dinâmicas de grupo, jogos pedagógicos, estudo de casos e debates.

Conteúdo Programático:

1. Auto-avaliação de factores de Stress;

2. O que é o Stress?

3. Eustress e Distress

4. Causas emocionais, sociais, e organizacionais geradoras de Stress

5. A doença como resultado do Stress

6. Efeitos psicossomáticos

7. Abordagem curativa vs preventiva

8. Métodos de autocontrolo

9. Mudança de hábitos

· Motivação e Responsabilidade

· Gestão de factores geradores de Stress

· O Resgate da Qualidade de Vida.

10. Técnicas de autocontrolo e gestão de Stress.

Dinamizadores:

Dra. Maria de Jesus Candeias, Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta. Formadora Profissional.

Dr. Fernando Mesquita. Psicólogo Clínico, Sexólogo.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Castigos infantis. Para usar, mas não abusar !

Admitir que já se deu uma palmada a um filho é uma confissão penosa, mas há quem defenda que é castigo que pode ser usado - não como regra, mas como último recurso.


Alguma vez deu uma palmada ao seu filho? Sim ou não? A resposta é simples, só que boa parte dos pais tem dificuldade em confessá-la. Há sempre aqueles que dão voltas e voltas à conversa para no fim, muito a custo, admitirem que, afinal, houve uma vez ou outra em que, não conseguiram evitar, e acabaram por levantar a mão. Logo de seguida vem o remorso e instala-se a dúvida de não saber se falharam na educação das crianças. Para os papás que estão à espera que alguém os liberte da culpa, fiquem desde já conscientes de que essa tarefa é complicada.



Toda a gente está contra a palmadinha. A começar pelas Nações Unidas que há década e meia tenta convencer os 47 estados-membros a abolir a prática. E a terminar em Portugal que, em 2007, alterou a legislação para punir os castigos corporais. A lei não é nova, mas poucos adultos desconfiam que dar uma palmada ao filho é crime. A acrescentar há ainda o Conselho Europeu que desde 2008 tem a campanha "Levante a Sua Mão Contra a Palmada" para promover a educação positiva.

Ninguém portanto vai contra a corrente. Ou quase ninguém. John Rosemond é dos poucos pedagogos que desafiam os pais a recorrerem à palmada para educar os miúdos como forma de pôr um travão a um comportamento inaceitável. No seu livro "To Spank or not to Spank" ("Bater ou não Bater - Manual para Pais", editado pela Gradiva) o psicólogo americano não só assume a importância da palmadinha na educação das crianças como ensina os adultos a fazê--lo de forma correcta. O castigo deve ser aplicado na palma da mão ou, então, no rabo coberto de roupa.

Bater deve ser encarado como mais um recurso disciplinar ao alcance dos pais, mas aplicado com parcimónia, adverte o psicólogo infantil - uma vez por semana é muito para crianças pequenas; uma vez por mês é aceitável aos cinco ou seis anos; e ineficaz a partir dos nove ou dez anos de idade. As palmadas, em si, de nada servem se não surgirem imediatamente após o mau comportamento e sem uma "curta explicação" adicional para a criança perceber que se trata de uma consequência do seu acto. Caso contrário, avisa Rosemond, só agrava a má conduta. Usar as palmadas como forma de ultrapassar as próprias frustrações é a principal proibição imposta pelo director do Centro Para a Educação Parental Positiva, uma instituição vocacionada para o desenvolvimento infantil.

Mais do que previsíveis foram os insultos de que Rosemond foi alvo de colegas, pais e futuros pais, mas o certo é que a sua teoria não é de todo inválida para uma boa parte dos pedagogos portugueses. Sempre com as devidas ressalvas, advertem os especialistas. Desde já, a palmada é só o último recurso a usar quando todos os outros falharam. "Bater nunca é a solução, mas isso não significa que, muito pontualmente, uma palmada não resolva um problema", diz o pediatra Paulo Oom, esclarecendo que o castigo não pode ser recorrente.

A psicoterapeuta Cristina Nunes reconhece que o tema divide muito os especialistas, mas também admite excepções à regra: "É sempre de evitar, mas poderá ser usada como um reforço negativo e como última opção." É aquilo a que os especialistas em educação chamam de "palmada pedagógica" que, a ser aplicada, nunca deve ser banalizada, explica a psicóloga clínica Maria de Jesus Candeias: "Se for prática frequente, a criança não aprende nada e só irá agir por medo, além de copiar o modelo dos pais nas suas relações com os outros miúdos." Alternativas às polémicas palmadinhas não faltam. São as outras punições que podem ser aplicadas entre os dois e os 12 anos.

Retirar um privilégio ou privar a criança de um prazer são as estratégias mais eficazes. "A punição só entra na educação como o factor menos importante", conta Paulo Oom. Afecto e estimular os bons comportamentos estão em primeiro lugar, insiste o pediatra. O castigo pode ir da proibição de jogar videojogos ou ver televisão até retirar o brinquedo preferido: "Não há receitas únicas, o que resulta com um filho, pode não resultar com outro irmão", defende Cristina Nunes.

O castigo evolui à medida que as crianças crescem, mas há outros factores ainda mais importantes a ter em conta: "Não há idade para o castigo, existe sim uma responsabilização que deve ser exigida ao longo dos anos e ainda uma confiança que os pais devem estabelecer com os filhos." Para os mais preocupados com as consequências das punições, a psicoterapeuta deixa bem claro que os castigos não causam traumas nem interferem com o desenvolvimento da criança.

Mas só resultam mediante três condições, diz Maria de Jesus Candeias: "Têm de ser aplicados imediatamente após o acto, serem proporcionais à travessura e, sobretudo, coerentes." Significa isto que depois de aplicar a punição, não há como voltar a trás: "Muitos pais perdem o controlo porque um dia decidem castigar e, no outro dia, o mesmo erro da criança já não tem qualquer consequência." O ideal, aconselha Cristina Nunes, é que o castigo seja sempre pré-estabelecido: "Antes de fazer qualquer coisa de errado, a criança tem de saber que vai sofrer uma consequência."

por Kátia Catulo, Publicado em 05 de Setembro de 2009 Jornal i

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Curso de Formação: "O Sofrimento Emocional na Relação de Ajuda"


Lisboa, 14 de Novembro (sábado das 10h às 18h);

Local: Policlínica do Areeiro, Av. Guerra Junqueiro, nº 15, 2º.

Duração: 7 horas

Preço: 45 euros. Desconto de 20% para estudantes e protocolos.

Data Limite de Inscrições 6 de Novembro de 2009

Objectivos:

Ajudar, no sentido de capacitar o outro, a fazer as suas escolhas, a aliviar o seu sofrimento implica ser capaz de disponibilizar de si, do seu tempo, para ouvir, para entender, enfim, disponibilizar parte de si mesmo.

Esta disponibilidade interna para entender o outro implica que estejamos familiarizados com o nosso mundo interno de forma a que quando nos propomos a ouvir não nos deparemos com ruídos internos que impedem de ajudar verdadeiramente o outro.

Esta acção pretende ajudar a desenvolver as capacidades de escuta activa e da capacidade contentora de cada um, visando a percepção sobre os aspectos que podem interferir de forma negativa na relação de ajuda ao outro.

Aprofundar conhecimentos sobre a génese do sofrimento emocional, segundo uma perspectiva dinâmica. Percepção da interacção entre o mundo interno e o externo
Através de técnicas expositivas e práticas, pretende-se o desenvolvimento de competências inerentes ao processo de ajuda.

Destinatários: Professores, Educadores, Psicólogos, Médicos, Enfermeiros, Técnicos de Serviço Social, (outros técnicos que trabalhem em instituições de ajuda), Pessoas que trabalhem como voluntários na ajuda a outros, finalistas dos respectivos cursos.
Metodologia: Exposição teórica, Dinâmicas de grupo, jogos pedagógicos, estudo de casos e debates.

Conteúdo Programático:
· A formação do mundo interno. Interacção entre o mundo interno e o externo; o modo como o mundo interno condiciona a apreciação do mundo externo.
· A relação de objecto e a sua importância na formação do mundo interno;
· Os movimentos projectivos e introjectivos na relação com os outros
· O processo intersubjectivo, a importância das várias relações ao longo do ciclo de vida.
· A primeira entrevista;
· O processo de escuta activa;
· A ressonância empática;
· Vários níveis de empatia;
· Processos relativos à verdadeira relação de ajuda;
· Ruídos internos e a sua interferência no contexto de relação de ajuda;
· Comportamento não verbal e sua significação no contexto de relação.

Informações e Inscrições: 218 439 319 (das 14h às 20h) ; 96 23 62 861; 91 991 82 25 ou
email:
jesuscandeias@gmail.com
http: \\maria-jesuscandeias.blogspot.com

Acção de Formação: Dificuldades de Aprendizagem na Infância. Diagnóstico e Intervenção




LOCAL: Lisboa, Policlínica do Areeiro, Av. Guerra Junqueiro, nº 15 2º



Data:

31 de Outubro de 2009 (sábado das 10h às 13h e das 14h às 17h);
7 de Novembro de 2009 (sábado das 10h às 13h e das 14h às 17h);


Duração: 12Horas


Preço: 80 euros. Desconto de 20% para estudantes e protocolos.

DATA LIMITE PARA INSCRIÇÕES 26 de Outubro de 2009


Destinatários: Professores, Psicólogos, Educadores, Pedagogos, Técnicos de Serviço Social, Assistentes Sociais, Auxiliares de Educação, Pais, Estudantes e Todos os Interessados.

Objectivos: Nesta formação, é dada uma visão profunda dos diversos transtornos infantis envolvendo a aprendizagem, seja da leitura, da escrita, da fala, entre outras. No final da Formação os formandos deverão ter competências para identificar as dificuldades de aprendizagem das crianças, as melhores estratégias de intervenção e encaminhamentos necessários face à problemática identificada.


Metodologia: Exposição teórica, Dinâmicas de grupo, jogos pedagógicos, estudo de casos e debates.


  • Conteúdo Programático:
    · Conceitos e Tipos de Aprendizagem: Visual, Cinestésica e Auditiva;
    · Os caminhos neurológicos da Aprendizagem: Funções cognitivas (sensação, percepção, imaginação, emoções, memória, atenção e inteligência;
    · Introdução ao Diagnóstico de transtornos e dificuldades de aprendizagem:
    · Dislexia
    · Dislalia
    · Disgrafia
    · Discalculia
    · Transtornos Emocionais
    · Transtornos de Atenção
    · Hiperactividade
    · Sobredotação
    · Síndrome de Asperger
    · Autismo
    · Transtornos de comportamento opositor;
    · Ansiedade;
    · Estratégias de intervenção e encaminhamento;
  • Formadores:
    Maria de Jesus Candeias, Psicóloga Clínica no Agrupamento de escolas Avelar Brotero, Odivelas, Psicoterapeuta, Formadora Profissional.
Informações e Inscrições: 218 439 319 (das 14h às 20h) ; 96 23 62 861; 91 991 82 25 ou
email:
jesuscandeias@gmail.com
http: \\maria-jesuscandeias.blogspot.com

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Os castigos Como Método de educação das Crianças


Durante séculos as práticas educativas aplicadas ás crianças e adolescentes centravam-se na aplicação de castigos, corporais e humilhatórios, e ainda a retirada de coisas básicas à sobrevivência humana, tais como comida e afecto.

Ainda é muito comum ouvir dizer: portas-te mal não gosto de ti, não almoças, és feio. São exemplos do que não se deve dizer ás crianças.

Poderíamos pensar que hoje em dia, com a quantidade de estudos acerca do desenvolvimento
psicológico da criança, tais práticas que podemos apelidar de medievais, não existem ou estão quase em desuso. Engana-se o leitor.

A falta de informação existente acerca das repercussões desses hábitos, no desenvolvimento da
personalidade das crianças, e a falta de uma politica educativa que preze o bem estar psicológico da criança, leva a que ainda se utilize muito o castigo como forma de educação.

Pais e educadores que se vejam na necessidade de castigar deveriam primeiro reflectir se essa necessidade lhes vem da raiva, da vingança ou da fraqueza (sentimento de impotência).

A maior parte das vezes actuam sob o sentimento da raiva ou da vingança pela impotência que sentem face à criança ou adolescente que desautorizou ou infringiu alguma regra.

Os castigos têm um valor muito limitado porque a crianças não reagem por compreensão mas por medo.

Uma criança em situação de castigo não reflecte, apenas reage emotivamente e sente o sentimento do castigador. Por isso o castigo não pode actuar adequadamente.

Em vez de se castigar deve-se levar a criança a sofrer as consequências do seu agir percebendo o que o levou a cometer a acção e permitir-lhe um movimento de reparação. Pedir desculpa ou concertar o que estragou podem ser medidas eficazes, não culpabilizam e aliviam a criança da pressão do acto.

Explorar as motivações que levaram ao acontecimento ainda é mais útil.

Mas, para isso é preciso estar em relação com a criança ou adolescente e, estar em relação Requer disponibilidade afectiva e empatia.

Nem sempre o adulto está disponível. Então castiga, funcionando este como uma defesa do educador face ao ter que investir na relação com a criança ou adolescente.

O castigo fomenta o medo e até a teimosia e, pode reforçar a atitude porque a criança através do castigo cria uma relação com o educador que o pode ignorar caso a criança não faça asneiras para cativar a sua atenção.

O educador ou pai/mãe, ausente e ignorador do outro, passa assim a estar presente embora de forma negativa.


Certamente que já observaram a cena em que adultos se divertem e conversam, esquecendo-se das crianças ao lado. De repente uma criança parte algo para chamar a atenção dos adultos. Estes reagem mal, criticam.

Esta acção inconsciente da criança pretende castigar a atitude dos adultos que a ignoraram. Porém, aoinvés de compreenderem a intenção que está por baixo daquela acção, reagem só emotivamente ao castigo sem compreenderem a mensagem que estava naquela acção.

Tal como um objecto que a criança partiu para reclamar atenção do adulto, também o comportamento indesejado por exemplo mentir, roubar, fazer xixi na cama, agressividade entre outros tem sempre motivos inconscientes.

A atitude das crianças que actuam inadaptadamente ás normas sociais, têm um sentido mais
profundo e por isso o castigo é em princípio inconveniente.

Castigos são de uma maneira geral desresponsabilizadores para as duas partes. e o caminho mais fácil.

Em vez de proporcionarem um relacionamento pessoal e de levarem ao auto-domínio da criança/adolescente fomentam o distanciamento e a indiferença.

Ninguém se leva a sério.

A criança não aprendeu nada e o adulto lavou as mãos. Não se envolveu.
Passou uma mensagem de desamor.


Isto tem consequências catastróficas para a nossa vida social. Não se pensa, apenas se reage, ou age!

O mais forte leva o outro apenas a calar, mas depois de ter perdido a razão. Passou-se a uma não relação, contra qualquer identificação, sempre necessária à aprendizagem.


Da situação surge apenas a experiência de que força e direito se identificam, são face de uma mesma moeda.

O verdadeiro educador prescinde da força.

Esta despersonaliza e provoca agressividade, ou hipocrisia ou ainda uma sociedade de adaptados de potencialidades criativas apagadas.


O mau educador reage ao acto mas não à verdade que está por trás desse mesmo acto.

O bom educador tenta perceber o que está por detrás desse comportamento.

A criança ou adolescente sente-se abandonada e incorrespondida, no primeiro caso.

Educador e educando assumem os papéis de objectos que não os de sujeitos.

Segue-se uma cadeia de reacções despersonalizadoras.

As crianças refugiam-se no seu cativeiro da imaginação, da solidão e reagem segundo a sua personalidade e a sua relação com os interlocutores.

O amor e a estima, fundamento de toda a educação são ignorados.
O amor e a admiração adquirem-se por identificação e não por castigo.



Educador e pai que castiga de forma desmedida e não explicada não é amado, nem serve de modelo positivo que leva ao crescimento mental.

A adopção de regras e limites fazem-se por internalização e imitação das atitudes e dos valores do outro, figura de referência mais próxima, pais, educadores, professores, ídolos da juventude,
entre outros.

Se os adultos, pais ou educadores têm atitudes repressivas ao invés de educativas, até podem conseguir resultados, mas sempre pela via do medo, ou seja, a criança tem medo de perder o amor do adulto e reprime o comportamento.

Torna-se pois fundamental, mudarmos de paradigma.


É necessário abandonar os modelos de educação pela força, pela lei do mais forte!


É urgente Educar pelo modelo, pelo exemplo, num acto construtivo positivo, pela compreensão e pela atenção e disponibilidade interna para escutarmos activamente as crianças e os seus apelos!


sábado, 11 de julho de 2009

Workshop Auto-Conhecimento e Desenvolvimento Pessoal

O OUTRO EU
"Conhece-te a ti mesmo" Sócrates, séc. V a.c

Lisboa, 26de Setembro de 2009.


LOCAL: Policlínica do Areeiro, Av. Guerra Junqueiro, nº 15

Dinamizadora: Maria de Jesus Candeias (Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta)


Duração: 6 horas das 9h30 às 17h.

Destinatário: Homens e mulheres com mais de 17 anos.

Preço: 40 Euros (pagamento no acto de inscrição). Desconto de 20% para estudantes

METODOLOGIA: Dinâmicas de Grupo


DATA LIMITE DE INSCRIÇÃO: 25 DE SETEMBRO de 2009

Limitado a 12 participantes.


Informações e Inscrições: Policlínica do Areeiro,

Tel.. 21 843 93 19 (14h às 20);

ou Tlm:96 23 62 861Tlm 91 991 82 25

ou email: jesuscandeias@gmail.com

Objectivos Específicos Workshop:


1. Identificar e exprimir o próprio estado de espírito; tomar consciência das próprias modalidades de reacção às situações.

2. Tomar consciência da postura que se assuma na vida, da capacidade de se expor e das próprias inibições.

3. Observar e tomar consciência dos aspectos positivos e negativos da própria personalidade

4. Analisar medos e receios que condicionam o comportamento e a livre expressão do SER

5. Favorecer a livre expressão dos próprios desejos de mudança; tomar consciência das próprias necessidades e condicionantes.

A Importância do Auto-Conhecimento
Todos nós percorremos um caminho de crescimento pessoal ao longo da vida. Somos o resultado de uma vida repleta de experiências: umas boas outras menos boas, que nos deixam marcam e condicionam a nossa forma de ser, de estar e de nos relacionarmos com os outros.
Certas vivências por serem demasiado dolorosas, são remetidas pela nossa mente para um nível inconsciente, como forma de protecção. Muitas das nossas emoções e sentimentos registam-se a um nível inconsciente.
O auto-conhecimento é a ponte que nos permite aproximar de nós mesmos, do nosso "OUTRO EU", dos nossos medos e sentimentos que, mesmo inconscientes, condicionam, muitas vezes, os nossos comportamentos e atitudes.
O auto-conhecimento é o caminho para nos relacionarmos de uma forma mais genuína com nós próprios e com o mundo exterior. Quanto mais nos conhecermos, melhor percebemos que a nossa vida é consequência do que sentimos e construímos interiormente.
O Desenvolvimento Pessoal é um processo longo e por vezes doloroso e que passa pelo auto-conhecimento, no fundo pela tomada de consciência e aceitação dos processos que ocorrem no nosso interior e que nos permitem alcançar um desejado e merecido estado de Satisfação.
Este crescimento passa pelo desenvolvimento de competências pessoais, emocionais e relacionais.
Este Workshop será uma primeira experiência a Viajar dentro de si!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Tristeza, Depressão e Experiência Infantil.


A tristeza é uma reacção normal e saudável a qualquer infortunio.

A maioria, se não todos, dos episódios mais intensos de tristeza é provocada pela perda, ou da previsão da perda, seja de uma pessoa amada, de lugares familiares e queridos, ou de papéis sociais.

Uma pessoa triste sabe quem ( ou o que) perdeu e anseia pelo seu retorno. Além disso, provavelmente buscará ajuda e consolo em algum companheiro em quem confia e, em alguma parte da sua mente acreditará que com o tempo e assistência conseguirá recuperar-se, ainda que apenas em parte.

Ainda assim, por vezes poder-se-a sentir deprimido durante algum tempo. A pessoa mentalmente sadia consegue atravessar fases de depressão e desorganização, delas saindo, depois de um periodo não excessivamente longo, com o comportamento, pensamento e sentimento já em vias de reorganização para interacções de um novo tipo.

O senso de competência e o valor pessoal (auto-estima) permanece intacto e o sujeito prossegue a sua vida.

O que explica então os graus mais ou menos intensos de desespero que são caracteristicos dos disturbios depressivos? e o sentimento de abandono, de rejeição e de desamor experiementados com tanta frequência pelos pacientes ?

Seligman (1973) chama a atenção para as razões pelas quais uma pessoa, tendo sido frequentemente mal sucedida na solução de certos problemas, sente-se desamparada e, mesmo quando enfrenta um problema que tem capacidade de resolver, tende a não fazer qualquer tentativa nesse sentido.


Se tentar, se tiver êxito, ainda assim pode considerar esse êxito como simples sorte. Esse estado de espirito, que Seligman designa como “ desamparo aprendido”, é responsável, segundo ele, pelo desamparo presente nos distúrbios depressivos.

Na maioria das formas dos distúrbios depressivos, inclusive o luto crónico, a principal questão em relação à qual uma pessoa se sente desamparada é na sua capacidade de estabelecer e manter relações afectivas.

O sentimento de desamparo pode, nesse caso, ser atribuído às experiências vivida pela pessoa na sua familia de origem durante a infância e que provavelmente continuam até uma fase adiantada da adolescência. Essas experiências são de três tipos:

1- É provável que a pessoa tenha passado pela experiência amarga de nunca ter estabelecido uma relação estável e segura com os seus pais, apesar de ter feito repetidos esforços para isso, inclusive de se ter esforçado ao máximo para atender as exigências deles e e talvez também as expectativas pouco realistas que tenham formulado a seu respeito. Essas experiências infantis fazem com que a pessoa desenvolva uma acentuada tendência a interpretar qualquer perda que possa sofrer mais tarde como mais um de seus fracassos em estabelecer e manter uma relação afectiva estável.

2- É provável que, muitas vezes, tenham dito à pessoa na sua infância, que ela era indigna de ser amada ( Portaste-te mal, não gosto de ti!), ou incoveniente ( Não aborreças, sai daqui!) ou inconpetente ( Já partiste isso, não tens tacto para nada!). Se passou por essas experiências de forma continuada desde a infância até à adolescencia, poderá ter desenvolvido um modelo de si mesmo de ser uma pessoa indigna de ser amada, indesejada, e de um modelo de figuras de apego ( pais ou substitutos) como sendo inacessíveis, ou rejeitadoras e punitivas. Sempre que uma pessoa assim, sofre uma adversidade, portanto longe de achar que os outros podem ajudá –la, espera deles hostilidade e rejeição. A maioria das pessoas sujeitas a estes modelos deprimem ainda durante a infância e adolescência, são o caso dos meninos “ hiperactivos” ou dos adolescentes com maus resultados escolares e caminhos de delinquência.

3- Num terceiro caso, houve mesmo uma perda real de um dos progenitores ou dos dois durante a infância, acarretando-lhe experiências muito desagradáveis ao nivel da segurança afectiva ( retirada das familias, adopção, entrega a familias de acolhimento, abandono e morte dos pais) quando as figuras substitutas não conseguem ser afectivas e seguras para que a vinculação se estabeleça novamente.

O contacto com experiências do tipo descrito aqui, contribui para explicar o desanimo e desamparo aprendidos da pessoa deprimida.

Só uma nova experiência de vinculação a alguém que seja seguro, poderá ser reparadora.

Essa experiência tem que ser no âmbito do psicoterapia.

O procurar ajuda atempadamente poderá minimizar de imediato um sofrimento inimaginável para as pessoas sadias. Dai a dificuldade da familia em perceber na maioria das vezes os sentimenos e o comportamento das pessoas deprimidas. No caso das crianças e adolescentes, quanto mais cedo iniciar uma psicoterapia, mais probabilidades tem de na adultez vir a ter uma vida normal e sem sofrimento.

No caso dos adultos, ao fim de algumas sessões o alivio dos sintomas tende a instalar-se e as melhorias na qualidade de vida surgem dia a dia.

No entanto nem todas as pessoas deprimidas procuram ajuda, precisamento pelo “ desanimo aprendido”, então se as figuras da sua infância não o souberam amar ( não significa que não tenham amado, foi a leitura que a pessoa fez, mas no entanto por vezes não amaram mesmo), como é que a relação terapeutica pode ser boa e reparadora? Neste caso o papel dos familiares é fundamental. Quando a pessoa precisa de ajuda e resiste a ir a uma consulta, os familiares poderão marcar consulta em conjunto ( pais/ filhos pequenos ou adolescentes, maridos/ esposas, etc), sendo a consulta para a familia e, deixar ao psicoterapeuta a tarefa de “ convencer” a pessoa a iniciar um tratamento.

Volto a referir que os medicamentos antidepressivos só em algumas situações se aplicam e que só a psicoterapia ajuda a resolver o problema.

O que acontece, na maioria das pessoas deprimidas ,são a frequencia de consultas de psiquiatria só com intervenções farmacológicas e um arrastar da doença anos a fio nas mãos de profissionais, ou mal informados, ou a acreditarem que resolvem tudo.

Cabe à familia muitas vezes, encaminhar os doentes incapazes de tomarem uma decisão porque assim o aprenderam quando lhe foi incutido um sentimento de inutilidade e de incapacidade.

domingo, 7 de junho de 2009

PSICOTERAPIA DE GRUPO. Abertas as Inscrições!

Estão abertas as inscrições para Grupos Terapêuticos, para o tratamento de várias problemáticas:
CRIANÇAS:
  • Dificuldades de relacionamneto e inibição social;
  • Problemas do sono - pesadelos e insónias
  • Problemas relacionados com o desempenho escolar
  • Problemas relacionados com a alimentação
  • Problemas de comportamento - Agressividade e violência
  • Medos e ansiedade (fobias e ansiedade)
  • Tristeza, apatia e indiferença (depressão)
ADOLESCENTES:


  • Problemas relacionados com o corpo e a imagem corporal
  • Problemas relacionados com a alimentação
  • Problemas relacionados com a formação da identidade
  • Problemas relacionados com a sexualidade
  • Problemas de comportamento e agressividade
  • Problemas na vida familiar( relação pais-filhos)
  • Problemas depressivos e ansiosos e fóbicos
  • Problemas com a integração num grupo de amigos

ADULTOS
  • Perturbações ansiosas, tais como fobias, pânico, stress, stress pós-traumático, etc.
    Perturbações depressivas e lutos (associados à perda de pessoas afectivamente significativas).
  • Problemas com o àlcool.
  • Problemas com consumos de outras substâncias tóxicas.
  • Perturbações psicossomáticas
  • Perturbações alimentares
  • Dificuldades ao nível das relacões interpessoais ( Timidez, anti-social, agressividade, etc)
  • Perturbações ao nível da dinâmica conjugal e familiar e, de modo geral, ao nível das relações interpessoais (colegas de trabalho, de estudo, amigos, etc.)


E, de modo geral, para muitas outras problemáticas tratadas também através da psicoterapia individual


Os grupos são organizados de acordo com as caracteristicas individuais e semelhanças das problemáticas entre os pacientes.

Os grupos contém entre 5 a 8 elementos, com sessão semanal de 90 minutos.

A escolha da Psicoterapia de Grupo (em vez da Psicoterapia Individual) depende da motivação do paciente e da avaliação que o terapeuta faz das necessidades terapêuticas do paciente.
Há grupos distintos para Crianças, Adolescentes e Adultos.


COMO FUNCIONA?
Há 3 passos essenciais:
1º é realizada uma primeira consulta: Consulta Inicial de Avaliação nesta, o terapeuta ouve os motivos e compreende as motivações do paciente, ajuda a organizar os objectivos terapêuticos e avalia (em conjunto com o paciente) se a terapia de grupo é a opção mais adequada para resolver as dificuldades apresentadas.
2º Realizam-se algumas Sessões de Preparação Individual (o número de sessões é combinado com o terapeuta em função da data previsível de entrada no grupo).
Aqui, são esclarecidas dúvidas, expectativas e receios iniciais; são fornecidas indicações concretas sobre como aproveitar o melhor possível a terapia de grupo; e são estabelecidas regras importantes, entre as quais a regra ética fundamental da confidencialidade (sigilo rigoroso sobre o que cada paciente revela no grupo), a ausência de contacto entre os pacientes fora do grupo, etc.
3º Início ou entrada no Grupo.
Importa sublinhar que existem algumas características especiais para que o Tratamento em Grupo seja bem sucedido: algumas delas incluem a necessidade de os elementos do grupo serem desconhecidos entre si antes de entrarem para o grupo, o não poderem estabelecer contactos fora do grupo, etc. Estas e outras características são enunciadas e explicadas pelo terapeuta na primeira sessão.
VANTAGENS DA PSICOTERAPIA DE GRUPO
a) As pesquisas científicas demonstram que a terapia de grupo é, em alguns casos, mais eficaz para melhorar as relações e sintomas associados a certas patologias.
b) Em termos económicos, cada paciente pode pagar menos de metade e ter acesso ao dobro das sessões ( cerca de 20 euros por sessão).
1- O QUE É A PSICOTERAPIA PSICANALÍTICA DE GRUPO?
A psicoterapia psicanalítica de GRUPO tem princípios teórico-clínicos semelhantes aos da psicanálise e da psicoterapia psicianalítica INDIVIDUAL, destinando-se também ao tratamento de perturbações psicológicas, de problemas de personalidade/relacionamento e dos factores inconscientes que afectam todo o funcionamento mental do paciente.

2- QUAIS SÃO AS VANTAGENS DE SER EM GRUPO?
Com a ajuda do terapeuta e dos outros participantes, a terapia de grupo permite descobrir, transformar e enriquecer o modo de Relacionamento Interpessoal de cada um dos membros. O grupo de terapia proporciona:

a) Sentimentos de conforto e amparo através de um ambiente de suporte, respeito e empatia.
b) Uma troca mútua e gratificante de experiências afectivas importantes, permitindo que cada indivíduo se observe, se reconheça e se re-invente na relação com os outros.

3 - A QUEM SE DESTINA?



A pessoas com Disponibilidade Psicológica – ou seja, com disposição e motivação para:

a) Examinar os seus próprios sentimentos e comportamentos, para ouvir e ser ouvido num contexto de interacção afectiva.


b) E para alterar ou resolver os aspectos de si mesmo que lhe causam diversos graus de sofrimento e incapacidade.

4- QUE RESULTADOS ESPERAR?
É legítimo esperar vários resultados significativos:
A) Cada membro do grupo, ao ouvir os outros e ao colocar-se no seu lugar, aprende a descobrir aspectos importantes sobre si mesmo – por exemplo:
Como se comporta com os outros (quais os seus pontos fortes e fracos); como os outros o vêem realmente (tenso, afectuoso, indiferente, etc.; porque faz o que faz na relação com os outros (ou seja, entende as suas motivações profundas e verdadeiras).
B) O paciente torna-se uma melhor testemunha do seu próprio comportamento, e logo compreende melhor o impacto desse comportamento sobre os sentimentos e opiniões dos outros.
C) Compreende de que forma ele próprio é o autor e protagonista da sua história de vida e das suas relações com os outros. Sendo o protagonista, o paciente tem o poder de mudar os aspectos que o fazem sofrer.
D) Transforma os comportamentos e relações que lhe causam sofrimento, em novas maneiras de estar com os outros, mais gratificantes, com menos sofrimento e menos sintomas.

E) Gradualmente começa a arriscar essas novas maneiras de estar com os outros, não só no grupo, mas também no exterior: a ansiedade social diminui, aumentam a auto-estima e a confiança nas suas relações presentes e futuras.

Para mais informações, contacte-me!

sábado, 6 de junho de 2009

SER MÃE: Da Normalidade à Patogenia

O discurso da mãe é importante pelo nome que dá ás coisas, ensina os significados.


Assim é ela a fundadora dos valores e das auto-representações da criança. Esta é a função normal.

Mas, por vezes a mãe dá um duplo sentido ao seu discurso ( double-bind) levando á confusão mental da criança, ficando estas perdidas em papeis de perdedores e desqualificados. São o tipo de mães que dizem “ eu te ordeno que não deixes ninguém mandar em ti” ou diz em altos berros “ não grites”. A criança fica presa nas malhas de um duplo vinculo.

Outro aspecto é a mãe poder emprestar as suas “funções de ego”, como as capacidades de perceber, pensar, juízo crítico etc, de modo a organizar e processar as funções do ego do seu filho enquanto este ainda não as tem desenvolvidas.

Um aspecto importante das funções da mãe é ela representar para a criança um espelho em que esta se vai reconhecendo. Reconhecendo como ser amado.

Winnicot, psicanalista inglês já falecido dizia “ o primeiro espelho da criatura humana é o rosto da mãe, o seu olhar, sorriso, expressões faciais etc

Outro aspecto é o reconhecimento das angustias mas também das capacidades do seu filho, nomeadamente dos pequenos progressos (para a criança enormes) que ele esteja conseguindo.

Deve-se favorecer na formação do psiquismo da criança representações valorizadas e admiradas tanto pela mãe como pelo pai.

É relevante a imagem que a mãe tem do pai, pois é esta que lhe passará.
Da mesma forma as representações que a mãe tem do potencial do seu filho tornam-se parte importante das representações que este terá de si próprio.

Os filhos não gostam de desiludir os pais e se os pais não valorizarem e acreditarem no filho este vai acabar por ser um fracassado.

A mãe é pois um importante modelo de identificação para o filho.

Uma adequada maternagem deve facilitar uma lenta e gradual dessimbiotização ( separação) e abrir caminho para a entrada em cena de um pai, passando de uma diade para uma relação a três, passando a criança a reconhecer a existência de terceiros numa relação.

A criança passa de um estado de narcisismo para um estado de socialismo, introduzida pelo pai na sociedade.

Uma adequada maternagem implica não só a essa necessária presença da mãe, mas também a condição de saber estar ausente e, com isso, promover uma progressiva e necessária " desilusão das ilusões" em que o bebé aprende a estar sozinho.

Isso remete-nos a uma função essencial de uma boa maternagem : a de frustrar adequadamente.

As frustrações, alem de inevitáveis, também são indispensáveis ao crescimento emocional e cognitivo da criança.

No entanto se forem demais ou não existirem, as frustrações, também são patogénicas.

As frustrações em demasia podem ser evitadas, pois tornam-se fonte de dor e castigo, pouco saudável e fonte de revolta.

O nunca ser frustrado leva a uma confusão sobre o que é interno e externo, a uma ausência de limites e a um sentimento de omnipotência.

As frustrações incoerentes são de igual forma perniciosas. Neste caso da incoerência podemos falar das frustrações ambientais que podem ter sido excessivas e inadequadas, o bebé reage agressivamente com a emissão de sinais de forte agitação, como á espera de que alguém contenha as suas sensações e emoções ainda primitivas, intoleráveis ao pequenos ser. A mãe nestes casos, confunde as sensações, não as descodifica e vai provocando um terror sem nome.

Uma mãe suficientemente boa (Winnicott) tendo em conta as diferenças individuais, deve preencher os seguintes requisitos:
-Ser provedora das necessidades básicas do filho ( sobrevivencia fisica, e psiquica: alimentos, agasalhos, calor, amor, contacto fisico, etc.)
-Exercer a função de para-excitação dos estimulos que o ego imaturo do bebé não consegue processar pela sua natural imaturidade neurofisiológica. É vulgar ver mães sem saberem fazer quando um bebé esta carregado de estimulos e chora muito. Ou abanam a criança até á exaustão, ou ignoram-na deixando-a á sua sorte num choro sem fim. Bastava um pouco de calma e contenção e algum colo que desse protecção.
-Possibilitar uma simbiose adequada: as sensações corporais acima referidas adquirem na criança uma dimensão enorme. A mãe deve emprestar o seu corpo á criança e assim dar sentido a essas sensações possibilitando o "encaixe" dos corpos de ambos, o que se traduz na forma como a mãe pega na criança quando cuida dela para a alimentar, cuidar da higiene etc.
-Compreender e descodificar a arcaica linguagem do bebé. O bebé comunica através do choro. Chora quando quer comer, quando tem dores, quando está com frio ou calor, quando tem as fraldas sujas. Cabe á mãe descodificar esta linguagem. Quando a mãe baralha tudo e alimenta quando não tem fome, agasalha quando tem calor, está a criar confusão mental ( mundo da psicose) abrindo a porta para a doença.
-Ser uma presença continuada que " entende e atende" as necessidades básicas do bébe, o que lhe vai proporcionar um senso de continuidade, baseada na prazerosa sensação de que ela " continua a existir"


domingo, 31 de maio de 2009

ENURESE NOCTURNA (Quando o xixi na cama não pára...


O fazer chichi na cama tem um nome técnico: enurese nocturna.

O termo deriva a palavra grega “ fazer água”.

As crianças mais novas levam algum tempo até conseguirem controlar os esfíncteres de dia e cerca de um ano depois consegue fazê-lo de noite.

Esse controle ocorre aos dois, três anos de idade mas se for até aos cinco anos não é considerado problemático porque as crianças não se desenvolvem todas ao mesmo tempo, há diferenças entre elas.

É normal que as crianças molhem a cama de vez em quando, especialmente quando são mais novas.

Fazer chichi na cama uma vez ou outra não é considerado um problema.

A enurese só é vista como uma dificuldade a ser tratada quando a criança tem mais de cinco anos, faz chichi na cama duas ou mais vezes por semana durante pelo menos três meses.

A enurese pode ser causada por uma doença orgânica como espinha bífida, diabetes ou bexiga neurogênica: nesses casos, as escapadas de xixi são classificadas como incontinência urinária.

Porém, as causas da enurese nem sempre são fisiológicas mas sim psicológicas ao contrário do que a comunidade médica faz acreditar aos pais.

Factores como a ansiedade e o stress, dificuldades emocionais na criança estão na origem da enurese nocturna.

A incapacidade da criança conter a angustia faz com que não controle os esfíncteres deixando fluir de uma forma simbólica aquilo que não consegue conter.

Mães e pais ansiosos contribuem para a ansiedade dos filhos que pode levar à enurese mais tarde.

Muitas vezes também funciona como chamada de atenção para uma mãe pouco atenta, ou de retaliação para pais autoritários, críticos ou muito exigentes, para com os deveres e obrigações da criança, em que esta incapaz de gerir as emoções, à noite, altura em que está mais descontraído, acaba por libertar a sua angústia através do Xixi.

A forma como os pais reagem à situação é muito importante!
Muitos pais, como forma de tentarem corrigir a situação, através do castigo e da punição, ou da repreensão verbal, por vezes muito dura, aumentam ainda mais a ansiedade da criança, que leva ainda a mais descontrolo durante a noite!
Também não voltem a pôr fraldas, como uma solução prática para o problema, além de ser jovealtamente humilhante para a criança , adia o problema!
Já me chegaram ao consultório jovens com 15 anos a usar fraldas durante a noite porque foi a solução encontrada pelos pais para um menino que apresentava enurese desde sempre, o que foi traumático e humilhante para este jovem.

É fundamental que os pais percebam, que a enurese nocturna, caso não exista nenhum problema fisiológico, é sintomas de uma criança que não está bem emocionalmente, está em sofrimento e precisa de ajuda psicológica.
Não se trata de perguiça ou desleixo da criança.

As crianças, não conseguem por si só resolver este problema, precisam ser ajudadas em termos psicológicos!

Quando mais precoce for a intervenção, mais rápido e fácil o problema se resolverá.

O meu conselho é se até aos 6 anos a criança não consegue controlar os esfinteres nocurnos, dirija-se a um psicólogo e peça uma avaliação psicológica para ver o que se passa.

Grande parte dos problemas de enurese resolvem-se, com sucesso, com algum tempo de psicoterapia, levando ao bem-estar da criança e da família.

Se for este o caso do seu filho, não hesite! Contacte-me!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Esquizofrenia e Psicose


A esquizofrenia é uma perturbação mental grave caracterizada por uma perda de contacto com a realidade (psicose), alucinações, delírios (crenças falsas), pensamento anormal e alteração do funcionamento social e laboral.


A esquizofrenia é um problema de saúde pública muito grave em todo o mundo. A prevalência da esquizofrenia a nível mundial parece ser algo inferior a 1 %, embora se tenham identificado zonas de maior ou de menor prevalência.

Em alguns países, as pessoas com esquizofrenia ocupam cerca de 25 % das camas dos hospitais.

Há várias perturbações que partilham características com a esquizofrenia.

Há várias perturbações que partilham características com a esquizofrenia. As perturbações que se parecem com a esquizofrenia, mas nas quais os sintomas estiveram presentes menos de 6 meses, denominam-se perturbações esquizofreniformes. As perturbações nas quais os episódios de sintomas psicóticos duram pelo menos um dia, mas menos de um mês, chamam-se perturbações psicóticas breves.

Uma perturbação caracterizada pela presença de sintomas do humor, como a depressão ou a mania, juntamente com outros sintomas típicos da esquizofrenia, chama-se perturbação esquizoafectiva.

Uma perturbação da personalidade que pode partilhar sintomas da esquizofrenia, mas na qual os sintomas não são bastante graves para reunir os critérios de psicose, chama-se perturbação esquizotípica da personalidade.

Causas
Muitas correntes teóricas e quase todas as autoridades na matéria atribuem apenas causas biológicas à esquizofrenia.

No entanto o que a prática e a investigação decorrente dai, relata desde há muito ( desde Freud) como principais causas, são relacionais, ou seja, da interacção mãe criança ou pais criança e cuidadores na ausência dos pais.

Condições ambientais adversas tais como abandono, negligência ou uma mãe incapaz de empatizar e ler as manifestações do bébé e que ainda o confunde, nas sensações que apresenta, são na sua maioria factores que contribuíram para a alteração do estado mental da pessoa.

No entanto a esquizofrenia pode ter causas biológicas, são caso desse exemplo as provocadas pela ingestão de substâncias.

Sintomas
A esquizofrenia começa mais frequentemente entre os 18 e os 25 anos nos homens e entre os 26 e os 45 anos nas mulheres.

No entanto, não é raro que comece na infância ou cedo na adolescência.

A instalação pode ser súbita, no espaço de dias ou de semanas, ou lenta e insidiosa, ao longo de anos.

A gravidade e o tipo de sintomatologia podem variar significativamente entre diferentes pessoas com esquizofrenia.

Em conjunto, os sintomas agrupam-se em três grandes categorias:

  1. delírios e alucinações,
  2. alteração do pensamento e do comportamento e
  3. sintomas negativos ou por défice.
Uma pessoa pode ter sintomas de um ou dos três grupos.
Os sintomas são suficientemente graves para interferir com a capacidade de trabalho, de relação com as pessoas e do próprio cuidado.

Os delírios são crenças falsas que, geralmente, implicam uma má interpretação das percepções ou das experiências. Por exemplo, as pessoas com esquizofrenia podem experimentar delírios persecutórios ( são perseguidos), crendo que estão a ser atormentadas, seguidas, enganadas ou espiadas. Podem ter delírios de referência, crendo que certas passagens dos livros, dos jornais ou das canções se dirigem especificamente a elas. Estas pessoas podem ter delírios de roubo ou de imposição do pensamento, crendo que outros podem ler as suas mentes, que os seus pensamentos são transmitidos a outros ou que os seus pensamentos e impulsos lhes são impostos por forças externas. Podem ocorrer alucinações de sons, de visões, de cheiros, de gostos ou do tacto, embora as alucinações de sons (alucinações auditivas) sejam, de longe, as mais frequentes. Uma pessoa pode «ouvir» vozes que comentam o seu comportamento, que conversam entre elas ou que fazem comentários críticos e abusivos.
A alteração do pensamento consiste no pensamento desorganizado, que se torna patente quando a expressão é incoerente, muda de um tema para outro e não tem nenhuma finalidade. A expressão pode estar levemente desorganizada ou ser completamente incoerente e incompreensível.
O comportamento alterado pode tomar a forma de simplismos de carácter infantil, agitação ou aparência, higiene ou comportamento inapropriados.
O comportamento motor catatónico é uma forma extrema de comportamento desorganizado no qual uma pessoa pode manter uma postura rígida e resistir aos esforços para a mover ou, pelo contrário, mostrar actividade de movimentos sem estímulo prévio e sem sentido.
Os sintomas negativos ou por défice da esquizofrenia incluem frieza de emoções, pobreza de expressão, anedonia e associabilidade.
A frieza de emoções é uma diminuição destas. A cara da pessoa pode parecer imóvel; tem pouco contacto visual e não exprime emoções. Não há resposta perante situações que normalmente fariam uma pessoa rir ou chorar. A pobreza de expressão é uma diminuição de pensamentos reflectida no facto de a pessoa falar pouco. As respostas às perguntas podem ser concisas, uma ou duas palavras, dando a impressão de vazio interior. A anedonia é uma diminuição da capacidade de experimentar prazer; a pessoa pode mostrar pouco interesse em actividades anteriores e passar mais tempo em actividade inúteis. A associabilidade é a falta de interesse em relacionar-se com outras pessoas.

Estes sintomas negativos estão, frequentemente, associados a uma perda geral da motivação, do sentido de projecto de vida e das metas a atingir.

Diagnóstico
Não existe uma prova de diagnóstico definitiva para a esquizofrenia.

O psiquiatra ou psicoterapeuta elabora o diagnóstico baseando-se numa avaliação da história da pessoa e da sua sintomatologia.

Para estabelecer o diagnóstico de esquizofrenia, os sintomas devem durar pelo menos 6 meses e associar-se à deterioração significativa do trabalho, dos estudos ou do desenvolvimento social.

A informação procedente da família, dos amigos e dos professores é com frequência importante para estabelecer quando a doença começou.

Prognóstico

A curto prazo (1 ano), o prognóstico da esquizofrenia está intimamente relacionado com o grau de fidelidade com que a pessoa cumpre o plano do tratamento farmacológico.

Sem tratamento farmacológico, 70 % a 80 % das pessoas que experimentaram um episódio de esquizofrenia manifestam durante os 12 meses seguintes um novo episódio.

A administração continuada de medicamentos pode reduzir para cerca de 30 % a proporção de recaídas.

A longo prazo, o prognóstico da esquizofrenia varia. De um modo geral, um terço dos casos consegue uma melhoria significativa e duradoura, outro terço melhora de certo modo com recaídas intermitentes e uma incapacidade residual e outro terço experimente uma incapacidade grave e permanente.

São factores associados a um bom prognóstico o começo repentino da doença, o seu início na idade adulta, um bom nível prévio de capacidade e de formação e o subtipo paranóide ou não deficitário.

Os factores associados a um mau prognóstico incluem um começo em idade precoce, um pobre desenvolvimento social e profissional prévio, uma história familiar de esquizofrenia e a exploração do ambiente familiar ao nível dos afectos.

A esquizofrenia tem um risco associado de suicídio de 10 %. Em média, a esquizofrenia reduz em 10 anos a esperança de vida.

Tratamento

Os objectivos gerais do tratamento são os seguintes: reduzir a gravidade dos sintomas psicóticos, prevenir o reaparecimento dos episódios sintomáticos e a deterioração associada do funcionamento do indivíduo e administrar um apoio que permita ao doente um funcionamento ao máximo nível possível.

Os fármacos antipsicóticos, a reabilitação profissional e as actividades com apoio comunitário e a psicoterapia são os três componentes principais do tratamento.

Quanto mais cedo iniciar o tratamento (farmacológico e psicoterapeutico) maior são as hipóteses de conseguir estabilizar a doença e conseguir uma qualidade de vida razoável ao nível social pessoal e laboral.

No caso das crianças, qualquer sinal de comportamento estranho, desadequado para a idade atraso de desenvolvimento ( fala, raciocínio, relacional) requerem uma intervenção imediata.

domingo, 24 de maio de 2009

Homossexualidade e Lesbianismo: quando pedir ajuda Psicológica?


A homossexualidade ou lesbianismo é uma atracção sexual e preferência por indivíduos do mesmo sexo.

De forma geral fala-se de lésbicas quando nos referimos a mulheres e homossexuais para homens.

No século VII A.C, a homossexualidade era conhecida através de Sapho (Primeira poetisa) habitante da ilha Lesbos na Grécia antiga.
Foi a partir dos poemas dedicados às jovens raparigas com quem ela vivia e iniciava na arte de cantar, escrever poemas e dançar que os poetas aos poucos foram tornando credíveis lendas de amores homossexuais. A palavra “ lésbica “ provém da ilha Lesbos.

Da Grécia antiga permaneceram muitas provas do amor entre pessoas do mesmo sexo, aliás o amor enaltecido na altura não era o amor entre homem e mulher mas sim entre pessoas do mesmo sexo. As numerosas pinturas de vasos, que representavam crianças e efebos praticando ginástica, possuem inscrições do tipo de "calos" que são outras tantas dedicatórias a "formosos rapazes".

A cidade Grega, mesmo evoluída, como a Atenas do século de Péricles, continua a ser um "clube de homens", "um meio masculino fechado" interdito ao outro sexo, no qual a dedicação apaixonada de um homem e de um adolescente de doze a dezoito anos pode ser fomentadora de nobres sentimentos de honra e coragem. O famoso "Batalhão Sagrado" de Tebas, no século IV, é um exemplo típico de bravura colectiva sustentada e cimentada por "amizades especiais".

Admitamos que o amor de Sócrates por Alcibíades se tenha mantido puro, aliás com grande despeito do jovem, mas como dirá Plutarco, " Se o amor dos rapazes renega a voluptuosidade, é porque tem vergonha e teme o castigo; como necessita de um pretexto honesto para se aproximar dos rapazes belos, começa por pôr em evidência a amizade e a virtude. Cobre-se de poeira no ginásio, toma banhos frios, ergue as sobrancelhas; cá fora, dá-se ares de filósofo e de sábio, por causa da lei; depois, à noite, quando tudo repousa, doce é a colheita na ausência do guarda".

Os séculos passaram e a homossexualidade passou a ser considerada como uma doença devido à ignorância e ao preconceito.

No século XX alguns países da Europa tais como a Inglaterra a França e a Alemanha legalizaram as relações homossexuais entre adultos.

A Associação Psiquiátrica Americana devido a pressões e a evidências científicas deixaram de a incluir no DSM como doença.

No entanto ser homossexual ainda traz problemas a quem se assume com essa identidade: perda de emprego, rejeição social, descriminações de vária ordem, ou até prisão como em alguns estados dos Estados Unidos.

A nossa cultura sempre perseguiu os homossexuais, criando tabus e tratando a orientação homossexual como doença, trazendo ao sujeito enormes preconceitos e conflitos internos pela pressão social exagerada.

Aceitar a homossexualidade de alguém numa família é sempre um momento de grande tensão e por vezes de rejeição.

Não raras vezes a pessoa é tolerada no seio da família mas para a sociedade continua a ser negada essa sua identidade.

Os companheiros/parceiros aparecem como amigos de faculdade, partilha de casa, colegas de emprego, mas nunca são apresentados como parceiros de vida.

Mas, felizmente nem todas as famílias reagem assim, aceitando essa escolha tal como aceitariam outra de natureza heterossexual.

Apesar das investigações indicarem a formação da identidade de género como algo que se forma na relação com as figuras significativas da vida da pessoa, temos que entender duma vez por todas é que o homossexual não é doente e não existe tratamento para a homossexualidade.

Sucede muitas vezes, também, é que a própria pessoa pensa que se aceita como homossexual mas quando testado em situações práticas reage de forma contrária, porque a sua identidade sexual não está definida.

E é importante relembrar que ter práticas homossexuais não quer dizer que a pessoa tenha essa identidade sexual definida.

Quando essa definição não está concretizada e isso causa sofrimento à pessoa então estamos a falar de doença. Mas estamos a falar de doença a um nível da emoção, do sentimento que tem a ver com indefinições e não com o acto em si.

São estes casos que procuram ajuda psicológica, os que não vivem bem com a sua orientação, ou que não sabem o que são, ou que não conseguem viver e lidar com o estigma social.

Se um psicólogo que atender um caso de homossexualidade no seu consultório disser que tem tratamento para a homossexualidade está a induzir em erro o paciente.

Não são raras as situações em que os pais de jovens confrontados com essas escolhas os obrigam a ir a consultas afim de “ tratar” esse problema.


A homossexualidade não é doença e não existe tratamento!

Não conseguir viver com esses desejos, reprimi-los, escondê-los, criar uma vida dupla ou negá-los para si próprio e para os outros é que já é considerado problema.

Aí, talvez o melhor seja mesmo procurar ajuda de um psicoterapeuta para o ajudar a perceber-se melhor e a lidar com esses sentimentos.

Uma sexualidade reprimida poderá levar a estados depressivos graves!

É nesta área que a psicoterapia pode ajudar: na ajuda ao paciente na definição da sua identidade sexual, saber lidar com a discriminação e preconceito social, ajudá-lo a enfrentar as tensões e conflitos familiares, no fundo a sentir-se bem com a sua orintação sexual, sem vergonha ou medo do exterior.

Se for este o seu caso e estiver em dificuldades , não hesite, contacte-me!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Amor, Ciúmes, Loucura e Morte


De um modo geral considera-se que os ciúmes se encontram em estreita correlação com o amor de um sujeito a um objecto (o objecto amado em termos gerais; em concreto, a pessoa amada que, neste contexto, é objecto de ciúmes).

Dizendo-o metaforicamente , é frequente - ou melhor, tem sido frequente - quantificar o amor pela pessoa amada mediante a intensidade dos seus ciúmes, chegando-se ao ponto de muitas vezes se duvidar do amor de alguém que diz estar enamorado e não sente ciúmes em relação ao objecto do seu amor (Amor sem ciume, não é amor, Léautaud); ou de outra forma, "provocando-se ciúmes" ao enamorado para incrementar o seu desejo do objecto amado e que se consideram equiparáveis à intensidade do amor.


Esta "teoria" dos ciúmes é partilhada por quantos se sentem ou julgam sentir amados pelo sujeito ciumento: é-lhes gratificante, nesses momentos, transformarem-se em dominadores da situação e manipulam o ciumento com o seu galanteio.

Alem disso, é vulgar que usem de algum tipo de chantagem e sem o expressar se façam “comprar” por ele colocando o seu preço cada vez mais alto. Não há duvidas que algumas pessoas adoptam uma estratégia comportamental bastante eficaz para que surjam ciúmes no amante.


Por outro lado, muitas vezes e, na sua maioria, o objecto de desejo converte-se num autentica vitima do ciumento (numa relação que dura anos e que já não é inspirada pelo desejo do objecto e que se tem constantemente ao lado) não sendo esses ciúmes inspirados pelo amor, mas sim por outra questão.



O que inspira os ciúmes não é o amor mas sim o sentimento de não ser amado ( o Ódio de não ser amado), pois as vitimas dizem ter motivos suficientes para sentirem que o ciumento não os ama, e que fora dos momentos de angustia suscitados pelos ciúmes sentem e demonstram uma verdadeira indiferença afectiva pelo outro.


É esta a dinâmica dos ciúmes numa relação triádica uma vez que só se pode falar de ciúmes quando aparece um terceiro elemento, o rival que compete com o ciumento pela propriedade do objecto amado.

Não raras vezes o ciumento alucina essa relação, que faz parte da sua imaginação, conduzindo-se à loucura a si e ao outro, num delírio psicótico destrutivo.

A loucura é uma forma de existência. Como é o da prudência. Mas alem disso, é um projecto de existência para o louco e, por isso, a sua razão de viver, o que dá sentido à sua vida.

Assim, só sabe existir desta forma, tentando encontrar em todos os gestos do outro motivo que justifique o seu ciúme e, quando o louco encontra motivos para a sua loucura tudo fica menos angustiante e a vida passa a ser mais suportável.

Não é concebível amar - desejar a posse total de alguém - sem a angústia que suscita a insegurança em relação à própria posse.

E também a ulterior angústia de que esse objecto, que neste momento cremos possuído, porque declara amar-nos, possa perder-se posteriormente, quer porque deixe de amar-nos, quer, o que é pior, porque, além disso, nos possa ser subtraído por amor a um terceiro.

Toda a relação, desde a mais precoce (com quem nos concebeu) requer segurança, que como já tenho vindo a explicar noutros postes, é a base da nossa personalidade.

Somos mais ou menos seguros, conforme o que experimentamos ao longo dos nossos primeiros anos de vida.

Se tivemos relações de segurança com as nossas figuras de referência então seremos adultos seguros. Se isso não aconteceu, poderão estar criadas as condições para mais tarde sobressair uma estrutura de personalidade insegura, ciumenta e maltratante na relação com o objecto amado nas relações adultas.

No entanto as nossas relações na vida social são quase sempre baseadas em graus de confiança mínima, mas que não apresentam níveis de desconfiança exacerbados.

Podemos assim, mediante essa confiança mínima, realizar coisas e estabelecer relações sem que nos sintamos perseguidos ou ciumentos.

Mas, o sujeito ciumento, apresenta graus de desconfiança que chegam a rondar a paranóia, quando pensa que perdeu a posse do objecto. Não é o pensar que não é amado que causa os ciúmes, mas sim a perda da posse do objecto, isso sim é elouquecedor, podendo em grau extremo, quando o ciumento (aplica-se a ambos os sexos) alucina e passa para estados psicóticos levar à morte do objecto e do sujeito num acto de loucura.

Os crimes passionais têm por base uma estrutura de personalidade paranóide e psicótica onde a desconfiança, a incerteza e a insegurança crescem dia a dia, até à passagem ao acto: a morte do objecto de deixa assim de pertencer ao outro.

Não há ciúmes normais. Os ciúmes são anómalos ainda que sejam frequentes e pouco intensos.

Por mais frequentes que sejam nas relações interpessoais, especialmente os que se revestem em relação amorosa, são sempre reveladores de uma situação não superada pelo sujeito.

Acima de tudo é uma situação crónica que vai subindo a gradação dos ciúmes, insuperáveis e incuráveis na sua maioria, por não serem considerados pela sociedade uma situação de doença.

OS CIÚMES são uma doença.
Não é só considerado doença a partir de um certo grau, aliás quem tem autoridade para falar disso são as vitimas que sabem quando já não suportam mais, mas essas, raramente vão a consultas de psicologia ou psiquiatria para que possam falar disso.

Amor, ciúmes, loucura e morte estão separados por muito pouco, coexistindo na vida de muitos casais de todas as orientações sexuais, tornando-a num inferno onde por vezes não é possível escapar, levando à morte lenta de vidas que ficam suspensas no delírio de alguém.

Se é vitima ou portador de ciumes incontroláveis procure ajuda, ainda pode estar a tempo de mudar a sua vida.


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