quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Os castigos Como Método de educação das Crianças


Durante séculos as práticas educativas aplicadas ás crianças e adolescentes centravam-se na aplicação de castigos, corporais e humilhatórios, e ainda a retirada de coisas básicas à sobrevivência humana, tais como comida e afecto.

Ainda é muito comum ouvir dizer: portas-te mal não gosto de ti, não almoças, és feio. São exemplos do que não se deve dizer ás crianças.

Poderíamos pensar que hoje em dia, com a quantidade de estudos acerca do desenvolvimento
psicológico da criança, tais práticas que podemos apelidar de medievais, não existem ou estão quase em desuso. Engana-se o leitor.

A falta de informação existente acerca das repercussões desses hábitos, no desenvolvimento da
personalidade das crianças, e a falta de uma politica educativa que preze o bem estar psicológico da criança, leva a que ainda se utilize muito o castigo como forma de educação.

Pais e educadores que se vejam na necessidade de castigar deveriam primeiro reflectir se essa necessidade lhes vem da raiva, da vingança ou da fraqueza (sentimento de impotência).

A maior parte das vezes actuam sob o sentimento da raiva ou da vingança pela impotência que sentem face à criança ou adolescente que desautorizou ou infringiu alguma regra.

Os castigos têm um valor muito limitado porque a crianças não reagem por compreensão mas por medo.

Uma criança em situação de castigo não reflecte, apenas reage emotivamente e sente o sentimento do castigador. Por isso o castigo não pode actuar adequadamente.

Em vez de se castigar deve-se levar a criança a sofrer as consequências do seu agir percebendo o que o levou a cometer a acção e permitir-lhe um movimento de reparação. Pedir desculpa ou concertar o que estragou podem ser medidas eficazes, não culpabilizam e aliviam a criança da pressão do acto.

Explorar as motivações que levaram ao acontecimento ainda é mais útil.

Mas, para isso é preciso estar em relação com a criança ou adolescente e, estar em relação Requer disponibilidade afectiva e empatia.

Nem sempre o adulto está disponível. Então castiga, funcionando este como uma defesa do educador face ao ter que investir na relação com a criança ou adolescente.

O castigo fomenta o medo e até a teimosia e, pode reforçar a atitude porque a criança através do castigo cria uma relação com o educador que o pode ignorar caso a criança não faça asneiras para cativar a sua atenção.

O educador ou pai/mãe, ausente e ignorador do outro, passa assim a estar presente embora de forma negativa.


Certamente que já observaram a cena em que adultos se divertem e conversam, esquecendo-se das crianças ao lado. De repente uma criança parte algo para chamar a atenção dos adultos. Estes reagem mal, criticam.

Esta acção inconsciente da criança pretende castigar a atitude dos adultos que a ignoraram. Porém, aoinvés de compreenderem a intenção que está por baixo daquela acção, reagem só emotivamente ao castigo sem compreenderem a mensagem que estava naquela acção.

Tal como um objecto que a criança partiu para reclamar atenção do adulto, também o comportamento indesejado por exemplo mentir, roubar, fazer xixi na cama, agressividade entre outros tem sempre motivos inconscientes.

A atitude das crianças que actuam inadaptadamente ás normas sociais, têm um sentido mais
profundo e por isso o castigo é em princípio inconveniente.

Castigos são de uma maneira geral desresponsabilizadores para as duas partes. e o caminho mais fácil.

Em vez de proporcionarem um relacionamento pessoal e de levarem ao auto-domínio da criança/adolescente fomentam o distanciamento e a indiferença.

Ninguém se leva a sério.

A criança não aprendeu nada e o adulto lavou as mãos. Não se envolveu.
Passou uma mensagem de desamor.


Isto tem consequências catastróficas para a nossa vida social. Não se pensa, apenas se reage, ou age!

O mais forte leva o outro apenas a calar, mas depois de ter perdido a razão. Passou-se a uma não relação, contra qualquer identificação, sempre necessária à aprendizagem.


Da situação surge apenas a experiência de que força e direito se identificam, são face de uma mesma moeda.

O verdadeiro educador prescinde da força.

Esta despersonaliza e provoca agressividade, ou hipocrisia ou ainda uma sociedade de adaptados de potencialidades criativas apagadas.


O mau educador reage ao acto mas não à verdade que está por trás desse mesmo acto.

O bom educador tenta perceber o que está por detrás desse comportamento.

A criança ou adolescente sente-se abandonada e incorrespondida, no primeiro caso.

Educador e educando assumem os papéis de objectos que não os de sujeitos.

Segue-se uma cadeia de reacções despersonalizadoras.

As crianças refugiam-se no seu cativeiro da imaginação, da solidão e reagem segundo a sua personalidade e a sua relação com os interlocutores.

O amor e a estima, fundamento de toda a educação são ignorados.
O amor e a admiração adquirem-se por identificação e não por castigo.



Educador e pai que castiga de forma desmedida e não explicada não é amado, nem serve de modelo positivo que leva ao crescimento mental.

A adopção de regras e limites fazem-se por internalização e imitação das atitudes e dos valores do outro, figura de referência mais próxima, pais, educadores, professores, ídolos da juventude,
entre outros.

Se os adultos, pais ou educadores têm atitudes repressivas ao invés de educativas, até podem conseguir resultados, mas sempre pela via do medo, ou seja, a criança tem medo de perder o amor do adulto e reprime o comportamento.

Torna-se pois fundamental, mudarmos de paradigma.


É necessário abandonar os modelos de educação pela força, pela lei do mais forte!


É urgente Educar pelo modelo, pelo exemplo, num acto construtivo positivo, pela compreensão e pela atenção e disponibilidade interna para escutarmos activamente as crianças e os seus apelos!


1 comentário:

  1. Achei esse site depois de um briga com meu filho de 09 anos, tenho um pouco de dificuldade na hora do castigo, essa matéria sobre o castigo valeu muito apena obrigada.

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