domingo, 22 de março de 2009

Estar Grávida...


A gravidez pode ser vista como uma situação de preparação física e psicológica para o papel de mãe, onde tem início o relacionamento mãe-filho.

É um momento de crise e de crescimento que pode ser extremamente enriquecedor para a mulher.
A gravidez é caracterizada, por modificações psicológicas importantes.

Durante a gravidez processam-se modificações hormonais segundo regras pré-estabelecidas que, por sua vez, modificam o funcionamento psicológico. A grávida fica, assim, 'à mercê” de alterações do humor, dos sentimentos e do comportamento sem que estas modificações sejam totalmente compreensíveis. Alguns autores falam de sinais de labilidade e instabilidade emocionais no período da gravidez.

Hoje em dia, é aceite que se pode descrever a gravidez normal em 3 fases: incorporação (correponde sensivelmente ao 1º trimestre); diferenciação ( 2º trimestre), e separação (3º trimestre)


Estas 3 fases comportam um encadeamento de 6 tarefas psicológicas que têm como objectivo último:
· aceitar a gravidez,
· aceitar a realidade do feto
· reavaliar a geração parental anterior ( a relação da grávida com os seus próprios pais)
· reavaliar o relacionamento com o parceiro;
· aceitar o bebé como uma pessoa individualizada
· e integrar a identidade parental ( que mãe quero ser::)

A gravidez, em termos psicológicos, inicia-se quando a mulher tem a noção que está grávida.

O 1º trimestre

Nas primeiras semanas de gestação a mulher centra-se muito em si própria e desinveste o seu meio exterior e as suas relações.
«Aumenta o seu interesse narcísico por si própria e pela unidade mãe-filho».

A grávida, além de desenvolver o seu amor narcísico, tem também a possibilidade de contactar de novo com «...a sua vida de fantasia, relacionada com a infância».Este contacto com a infância, desenvolve uma necessidade de revisão, da sua relação com a sua própria mãe.

É por isso, que neste primeiro trimestre da gravidez, um aspecto muito importante que é trabalhado pela grávida, são os conflitos relacionais com a sua mãe. Claro que,quanto mais tranquilas e seguras forem as relações da grávida com a sua mãe, mais facilidade de adaptação e aceitação a grávida terá nesta sua gravidez. Se pelo contrário, as relações com a mãe foram ou são muito conflituosas, esta fase pode ser vivida de forma muito ansiosa, com tristeza, e sentimentos de abandono e isolamento.

É na sequência desta revisão relacional que surgem alterações comportamentais na mulher, que resultam da confluência da sua realidade psíquica com os aspectos culturais do meio.

Neste primeiro trimestre, aumenta a sua necessidade de dormir e dão-se alterações nos conteúdos dos sonhos. Devido a uma indiferenciação entre mãe e feto, que gera angústia, os conteúdos dos sonhos têm a ver com perigos que podem acontecer à mãe ou à criança.

A grávida vai comer mais e associada a esta tendência vão aparecer náuseas e vómitos, ou seja a tendência para rejeitar a comida.

Outra modificação que ocorre no 1.º trimestre é a redução da frequência e intensidade da actividade sexual, que na vida da fantasia da mulher «é justificada pelo medo de danificar o feto».

O 2.º trimestre

Pode ser ideal para sentir os movimentos fetais se a tarefa de incorporação já se realizou.

A fase da diferenciação tem início com a percepção da mãe dos primeiros movimentos fetais. «A confirmação da vitalidade e independência funcional do feto põe em marcha o processo de autonomização da grávida em relação ao feto”

Esta percepção gera um alívio da tensão psicológica interna. A mulher começa a fazer fantasias de como será o seu bebé.

Na sua vida fantasmática, o bebé está a ganhar características e a ter uma «identidade inventada». À medida que esta construção se vai desenvolvendo, o bebé vai ganhando autonomia.

A tarefa do 2.º trimestre é uma diferenciação psicológica, à medida que prossegue a diferenciação fisiológica. Mas a mãe, além de aceitar uma autonomia do feto, tem que aceitar que o seu controlo sobre ele é cada vez menor.

Para compensar a sensação da redução do controlo, verifica-se um enriquecimento da vida de relação. A relação a elaborar é a relação mãe-feto, e assiste-se a uma redução progressiva dos sintomas que exprimem conflitos internos, verificando-se um aumento do relacionamento sexual.

Em pleno 2.º trimestre vai dar-se uma reavaliação da relação com o marido. A necessidade de dependência transfere-se da mãe para aquele, e constitui a tarefa psicológica essencial do 2.º trimestre. Esta mudança permite reinventar a relação conjugal. A mulher reintroduz o bebé na relação com o marido, conquistando o seu apoio emocional, podendo depois utilizá-lo na etapa seguinte.

No 3.º trimestre

A grávida começa a preparar-se para o nascimento e o casal mobiliza-se para a separação que vai acontecer. São reactivados os sentimentos de ambivalência do 1.º trimestre.

O momento do parto é encarado pela grávida sob duas formas opostas: «representa um ganho relacional.... e ao mesmo tempo representa uma perda na medida em que retira à mãe os benefícios de estar grávida». A ambivalência crescente é acompanhada por queixas somáticas. È comum aparecem insónias e preocupações. As noites são agitadas e existem receios e medos em relação ao parto. O conteúdo dos sonhos está directa ou simbolicamente relacionado com a gravidez.


«Neste trimestre há uma reorganização psicológica que permite à mulher grávida controlar e aproveitar saudavelmente a ansiedade própria desta fase de desenvolvimento.... [pois] a ansiedade livre, [não elaborada] vai perturbar... o comportamento da grávida... no trabalho de parto»

SINAIS DE ALARME

Muitas mulheres durante a gravidez demonstram sinais de depressão, por vezes mascarados e confundidos com a sensibilidade e fragilidade atribuída à fisiologia própria da gravidez.

Pelo menos 10% das mulheres manifestam estados depressivos nos primeiros três meses após o parto.

A sintomatologia destes estados depressivos pode estar mascarada por uma dimensão ansiosa, irritabilidade e alguma agressividade até então não habituais .

O nascimento e o processo precoce de adaptação representam factores de stress psicossocial que são co-responsáveis pelo aumento de taxas de depressão durante o período pós-parto, justificando porque este é um período de alto risco para o aparecimento de depressão.

Na génese da depressão pós-parto tem importância significativa a ausência de factores de protecção materna, nomeadamente, a ausência de suporte familiar, em particular do companheiro e de personagens femininas significativas (familiares ou amigas), e ainda a ausência de ajuda prática efectiva.

Vários estudos têm demonstrado que o estado depressivo da mãe influencia a interacção com o seu filho. Estas interacções poderão apresentar-se mais desarmónicas e mais pobres do ponto de vista afectivo .

Gravidez e Acompanhamento Psicológico

Por tudo isto, em casos de gravidez muito ansiosa, alterações significativas do comportamento e do humor, tristeza intensa, a grávida deve pedir ajuda!especializada!

O acompanhamento psicológico a grávidas pode ser feito individualmente, ou em grupo.


O Acompanhamento Psicológico funciona como suporte, contendo as ansiedades e fomentando as trocas de vivências e a reflexão sobre as mesmas. A interligação do falar, reflectir e receber informação científica contribui para a redução dos medos e consequentemente para o alívio da ansiedade relativa à gravidez. Quanto mais oportunidades tiverem de falar sobre a percepção que vão tendo das suas modificações, mais aumentam as suas hipóteses de adaptação.

Alguns autores verificaram que o apoio e preparação durante a gravidez, assim como o aumento de informação, contribuem para o aumento do bem estar da mulher no final da gravidez, evidenciando-se menor ocorrência de problemas psicológicos e de depressão no período pós-parto.

O Seu bebé depende de Si!

SE estiver bem, ele também está bem!

Cuide-se e não hesite em pedir ajuda logo que sentir que algo não está a correr bem!

Conte comigo!

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