domingo

Perturbação de Pânico



O pânico é uma ansiedade aguda e extrema que é acompanhada por sintomas fisiológicos.


Os ataques de pânico podem ocorrer em qualquer tipo de ansiedade, geralmente como resposta a uma situação específica relacionada com as principais características da ansiedade. Por exemplo, uma pessoa com fobia às serpentes pode entrar em pânico quando encontra uma delas. No entanto, estas situações de pânico diferem das que são espontâneas, não provocadas e que são as que definem o problema como um pânico patológico.


Os ataques de pânico são frequentes: mais de um terço dos adultos manifestam-nos todos os anos. As mulheres são entre duas a três vezes mais propensas. A perturbação por pânico é pouco corrente e diagnostica-se em um pouco menos de 1 % da população. O pânico patológico começa geralmente na adolescência tardia ou cedo na idade adulta.


Por detrás de uma Perturbação de Pânico existe sempre uma grande ansiedade contida originada por um grande sofrimento contido.


A Perturbação de Pânico é uma manifestação fisiológica de um grande mal-estar psicológico.

No fundo o sujeito ao tentar resistir a grandes situações de stress, elevadas preocupações e tensões internas, vai “enchendo” dentro de si, como se um balão de ar “enchesse dentro de si”, e que ao atingir o seu limite, o “balão rebenta”, e descarrega sobre o corpo despertando os sintomas frequentes no Ataque de pânico.

Normalmente, as pessoas apercebem-se que têm uma perturbação do pânico após algumas visitas a urgências hospitalares.
Um ataque de pânico é extremamente perturbador, sendo descrito como um terror paralizante, de tal forma que leva a pessoa a convencer-se que vai morrer (por exemplo com um ataque cardíaco), ou que está a enlouquecer.
Depois dos exames médicos apropriados, e na ausência de qualquer quadro clínico orgânico que explique os sintomas, os médicos referenciam para acompanhamento psicológico.
No entanto, é frequente receber clientes que já consultaram mais de 10 médicos, antes de terem tido um diagnóstico correcto e, segundo alguns estudos norte-americanos, apenas 1 em cada 4 pessoas que sofrem de perturbação do pânico acabam por receber tratamento adequado.

Se não há um tratamento adequado, os ataques de pânico, vão aumentando a sua frequência e a proximidade entre as suas ocorrências, tornando a vida das pessoas num autêntico pânico.

Apesar de bastante comum (cerca de 1 em cada 75 pessoas), a Perturbação de Pânico é uma desordem que gera muita incompreensão por parte de quem convive de perto com alguém afectado; para desespero de quem sofre com ataques de pânico, é frequente ouvir dizer que é apenas uma questão de força de vontade para ultrapassar a situação e que basta manter a calma. Que bom que seria...

É Fundamental que as pessoas compreendam que o pânico patológico implica processos tanto biológicos como psicológicos.
Um ataque de pânico corresponde a um “sofrimento limite” ao nível Psicológico e precisa necessariamente de intervenção especializada ao nível Psicológico.

Sintomas e diagnóstico
Os sintomas de um ataque de pânico (entre outros, dificuldade respiratória, vertigens, aumento do ritmo cardíaco, sudação, falta de ar e dor no peito) alcançam a sua intensidade máxima no prazo de 10 minutos e normalmente dissipam-se dentro de poucos minutos, não sendo por isso possível ao médico observá-los, mas somente o medo da pessoa de sofrer outro terrível ataque.

Um ataque de pânico implica o aparecimento súbito de, pelo menos, quatro dos sintomas seguintes:
1. Dificuldade respiratória ou sensação de estar a sufocar.
2. Vertigens, instabilidade ou desmaio.
3. Palpitações ou ritmo cardíaco acelerado.
4. Tremuras ligeiras ou acentuadas.
5. Sudação.
6. Falta de ar.
7. Náuseas, dor de estômago ou diarreia.
8. Sensação de irrealidade, estranheza ou separação do meio envolvente.
9. Sensações de adormecimento ou de formigueiros.
10. Ruborização ou calafrios.
11. Dor ou incomodidade no peito.
12. Medo de morrer.
13. Medo de «tornar-se louco» ou de perder o controlo.

Como os ataques de pânico se produzem, frequentemente, de modo inesperado ou sem razão aparente, muitas vezes as pessoas que os manifestam preocupam-se antecipadamente com a possibilidade de sofrê-los de novo (uma situação conhecida como ansiedade antecipatória) e evitam os lugares onde sofreram ataques anteriormente (agorafobia).
A Agorafobia é pois um medo intenso de estar em locais de onde resulte difícil ou embaraçoso sair, caso a pessoa o queira fazer. Este medo é tão forte que as pessoas tendem a evitar determinados locais, com sério prejuízo da sua qualidade de vida. Como é que isso prejudica a qualidade de vida? Bem, aqui ficam alguns exemplos de locais e situações que um agorafóbico tende a evitar: pontes, salas de espectáculo, restaurantes, transportes públicos, conduzir sozinho, estar longe de casa ou de outro local que considere como seguro. Sobretudo, à medida que esta perturbação se instala, com o correr do tempo e sem tratamento adequado, há uma tendência para generalizar o medo, ou seja, cada vez existem mais situações que a pessoa vai evitar, podendo, mesmo, chegar a um extremo de não conseguir, sequer, sair de casa.


Tratamento

A Psicoterapia torna-se urgente e fundamental, quanto antes, de forma a evitar que um primeiro ataque de pânico evolua para um Pânico Patológico.

A Psicoterapia tem por objectivo num primeiro momento reduzir ou até mesmo eliminar a sintomatologia, tentando que o sujeito restabeleça alguma normalidade e qualidade de vida no seu dia-a-dia, sendo que num segundo momento, ou fase, torna-se fundamental que o sujeito compreenda melhor os conflitos psicológicos subjacentes aos sentimentos e aos comportamentos ansiosos, para que não ocorra reencidência.

Um caso
O cliente, na casa dos 30 anos, sofria de perturbação do pânico com agorafobia há 12 anos, tendo surgido a perturbação após uma fase de transição de vida potencialmente geradora de stress (no caso, foi um casamento apressado, seguido pelo nascimento do 1º filho, mudança de emprego e doença grave da mãe, tudo no mesmo ano), como, aliás, é frequente nestas situações.
A sua qualidade de vida foi ficando progressivamente afectada à medida que foi limitando a distância a que se permitia aventurar a partir da sua casa e do seu local de trabalho.
A situação complicou-se ainda mais quando foi confrontado com a possibilidade de uma promoção profissional, muito desejada, mas que o obrigava a viagens frequentes para o estrangeiro.
Há vários anos na dependência de medicação, sem resultados significativos, optou por procurar ajuda psicoterapêutica.Bastaram 20 sessões para começar a percorrer o mundo, sozinho, no decurso das suas actividades profissionais, e para restabelecer completamente a sua qualidade de vida, o que incluíu a vida social e cultural activa de que sempre gostou.

5 comentários:

  1. Por aqui há mesmo um consultório onde aprendemos os sintomas e os tratamentos. Interessante...
    Beijos.

    ResponderEliminar
  2. Obrigado Graça,

    esse é um dos objectivos com que criei este blog: Desmistificar a ideia de que a psicologia
    é para doidos, e permitir que o conhecimento do "mundo mental" chegue mais perto de todos, e passe a ser usada de uma forma mais preventiva de forma a reduzir o crescimento exponencial da patologia mental a que assistimos na nossa sociedade. Beijos

    ResponderEliminar
  3. Estimada Amiga:
    Um texto bem elucidativo sobre a sensação patológica do pânico.
    "...A Psicoterapia torna-se urgente e fundamental, quanto antes, de forma a evitar que um primeiro ataque de pânico evolua para um Pânico Patológico.

    A Psicoterapia tem por objectivo num primeiro momento reduzir ou até mesmo eliminar a sintomatologia, tentando que o sujeito restabeleça alguma normalidade e qualidade de vida no seu dia-a-dia, sendo que num segundo momento, ou fase, torna-se fundamental que o sujeito compreenda melhor os conflitos psicológicos subjacentes aos sentimentos e aos comportamentos ansiosos, para que não ocorra reencidência..."

    Admirável. Esclarecedor. Brilhante atitude de quem sabe e se preocupa com os seus semelhantes.

    Beijinhos de respeito, estima e consideração.
    Sempre a considerá-la

    pena

    ResponderEliminar
  4. Adorei o blog...
    Consultei o seu blog, por que estou com um amiguinho de dois anos que esta com panico... grita esperneia... corre o nosso corpoagarrando dizendo que tem bichos que esta comendo ele...??? ele implora que tirem os bicho dele!!!
    Os medicos não estão conseguindo descubrir o que o miudo tem. Nao se é possivél dar um diagnostico sem ver o caso de perto, mais gostaria muito da sua opnião.
    Muito obrigada Ana Paula

    ResponderEliminar
  5. "para desespero de quem sofre com ataques de pânico, é frequente ouvir dizer que é apenas uma questão de força de vontade para ultrapassar a situação e que basta manter a calma. Que bom que seria..." Como me sinto compreendida nestas palavras ,que consolo saber que há algum profissional de saúde mental que aassim o ve!!Já passei por várias psiquiatras e psicológos e até hoje todos me fazem entender que isto é apenas da força de vontade,quando até os próprios o dizem ,o que dizer da população em geral!!

    ResponderEliminar